sábado, 27 de maio de 2017

Estado Islâmico reivindica autoria de ataque contra cristãos no Egito

Através de sua agência de propaganda na Internet Amaq, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumiu hoje a responsabilidade pelo atentado contra um ônibus em que 29 cristãos coptas foram metralhados na província de Mínia, quando iam para um mosteiro no Centro do Egito.

Pelo menos 29 pessoas foram mortas e outras 24 saíram feridas quando homens armados cercaram o ônibus com três veículos utilitários esportivos. Os cristãos foram obrigados a descer e a "renegar sua fé, um a um, mas todos se negaram", contou o padre Rachid. Foram então baleados na cabeça.

Em telefonema ao secretário de Estado americano, Rex Tillerson, o ministro do Exterior do Egito afirmou que os terroristas foram treinados na vizinha Líbia. Durante a noite, a Força Aérea egípcia bombardeou bases e centros de treinamento de grupos jihadistas no país vizinho.

Os cristãos coptas são cerca de 10% da população do Egito, estimada em 92 milhões de habitantes, e alvos preferenciais do Estado Islâmico. Formam a maior minoria cristã no Oriente Médio, de onde os cristãos estão sendo expulsos depois de 2 mil anos. No Domingo de Ramos, 45 foram mortos em dois atentados terroristas contra igrejas.

Reino Unido reduz nível de alerta contra o terrorismo

Cinco dias depois do atentado que matou 22 pessoas e feriu outras 64 em Manchester, na Inglaterra, o governo britânico reduziu hoje de "crítico" para "grave" o nível de alerta contra o terrorismo, anunciou a primeira-ministra Theresa May.

Nos últimos dias, foram presos 11 suspeitos de dar apoio ao terrorista suicida, Salman Abedi, de 22 anos, britânico de origem líbia. A polícia britânica, a Scotland Yard, está certa de que ele não agiu sozinho. Seu pai e um irmão foram presos na Líbia.

Até a meia-noite de segunda-feira, o Exército Real vai continuar nas ruas do Reino Unido ajudando no policiamento ostentivo, preventivo e repressivo. A partir daí, começa a voltar aos quartéis.

O nível de alerta grave significa que ainda há uma alta probabilidade de novos ataques. O nível crítico indica risco iminente. Foi anunciado na terça-feira. As autoridades temiam uma retaliação da célula terrorista.

A milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do atentado. Costuma fazer isso em todo ataque de extremistas muçulmanos, tenham ou não relação direta com o grupo. Mas, neste caso, a polícia está convencida de que Abedi não agiu sozinho e as ligações de sua família com o terror reforçam essa possibilidade.

Genro de Trump queria canal direto de comunicação com a Rússia

O genro e assessor do presidente Donald Trump, Jared Kushner, pediu ao embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, a criação de um canal de comunicação direta com o Kremlin durante o período de transição entre a eleição e a posse, revelou o jornal The Washington Post citando fontes dos serviços secretos dos Estados Unidos.

De acordo com mensagens interceptadas pela inteligência dos EUA, o embaixador Kiskyak comunicou a seus superiores em Moscou o pedido feito por Kushner  em encontros na Trump Tower em 1º e 2 de dezembro. A base ficaria dentro de instalações diplomáticas russas, com o objetivo evidente de evitar o monitoramento pelas autoridades americanas.

O ex-assessor de Segurança Nacional do governo Trump, general Michael Flynn, demitido por mentir ao vice-presidente sobre contatos com Kislyak, participou das reuniões, só admitidas em março pela Casa Branca, que tentou minimizar sua importância. Flynn está no centro da investigação do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial americana.

Kislyak teria ficado surpreso com a possibilidade de autorizar o uso do equipamento de telecomunicações da embaixada russa por causa dos riscos de segurança tanto para a Rússia quanto para a equipe de Trump. Nem os encontros nem as comunicações entre americanos foram vigiadas.

Para os serviços de inteligência dos EUA, o caso revela a enorme ingenuidade de Kushner ao tentar envolver um governo estrangeiros e adversário numa trama para enganar as autoridades americanas.

O FBI vigia constantemente os diplomatas, embaixada e consulados russos nos EUA e a Agência de Segurança Nacional (NSA) monitora suas comunicações internacionais. Se um funcionário da equipe de Trump entrasse e saísse várias vezes da Embaixada da Rússia, seria motivo de "grande preocupação" dos serviços secretos.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Terroristas matam 29 cristãos em ataque a ônibus no Egito

Pelo menos 29 cristãos coptas foram mortos hoje no Egito num ataque terrorista a um ônibus quando iam para um mosteiro na província de Mínia, no Centro do país, noticiou o jornal egípcio Al Ahram.  Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado. A maior suspeita é a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e Levante, que prometeu intensificar suas ações. 

No Domingo de Ramos, 9 de abril de 2017, ataques a duas igrejas cristãs mataram 45 pessoas e o Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pela ação. Depois desses atentados, o ditador Abdel Fattah al-Sissi decretou estado de emergência por três meses. Agora, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional para esta noite.

Hoje, o ônibus foi cercado por três veículos utilitários esportivos de onde saíram atiradores que metralharam os fiéis que não renegaram o cristianismo. Outras 24 pessoas saíram feridas.

A Província do Sinai do Estado Islâmico é um grupo extremista muçulmano egípcio que aderiu à organização terrorista. Em 31 de outubro de 2015, um mês depois que a Rússia entrou na guerra civil da Síria a pretexto de combater o Estado Islâmico, um avião da companhia aérea russa Metrojet foi derrubado na Península do Sinai e todas as 224 pessoas a bordo morreram. A Província do Sinai do Estado Islâmico reivindicou a autoria.

Os cristãos coptas são cerca de 10% da população do Egito, estimada em 92 milhões de habitantes. É o maior grupo cristão do Oriente Médio, onde todos os cristãos são alvos frequentes de jihadistas.

Durante o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anteontem no Vaticano, o papa Francisco se queixou do massacre e da expulsão de cristãos do Oriente Médio. Quase 2 mil anos depois da crucificação de Jesus Cristo, os cristãos estão sendo expulsos da região, berço de três das cinco grandes religiões da humanidade (judaísmo, cristianismo e islamismo).

Em retaliação ao ataque ao ônibus, a Força Aérea do Egito bombardeou bases e centros de treinamento de um grupo jihadista ligado à rede terrorista Al Caeda na cidade de Derna, na vizinha Líbia.

EUA cresceram mais do que anunciado no primeiro trimeste de 2017

O crescimento da economia dos Estados Unidos foi revisado para cima, de 0,7% para 1,2% ao ano na segunda estimativa do Escritório de Análises Econômicas. A maioria dos analistas esperava uma revisão para 0,9%.

A primeira estimativa indicava uma queda forte em relação aos 2,1% ao ano registrados no último trimestre do ano passado. Mesmo assim, 1,2% é o ritmo de crescimento mais fraco desde o começo de 2016.

A revisão para cima se deveu a dados melhores sobre investimento não residencial em capital fixo, consumo pessoal e gastos governamentais.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Clubes chineses terão de pagar dobro por jogadores de fora

Por uma nova regra imposta pelo governo, os clubes de futebol da China terão de pagar duas vezes pelo preço jogador estrangeiro. Uma soma equivalente aos direitos do jogador será depositada num fundo criado para promover o desenvolvimento do futebol chinês, noticiou hoje a agência Bloomberg.

É mais uma tentativa de conter os gastos excessivos dos clubes chineses. Em 2016, eles gastaram mais de US$ 450 milhões com jogadores.

A China ultrapassou a França e se tornou o quinto maior mercado para jogadores de futebol, depois da Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália, as maiores ligas europeias. Mas os clubes faturaram apenas US$ 220 milhões no ano passado. O déficit preocupa as autoridades.

"Todos os clubes devem sustentar o interesse geral no desenvolvimento saudável dos negócios do futebol na China", declarou uma nota oficial. A promoção do futebol chinês é uma prioridade do presidente Xi Jinping.

Programa de saúde de Trump vai deixar 23 milhões sem cobertura

A reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos feita pelo Partido Republicano para acabar com o programa do governo Barack Obama para garantir cobertura universal vai deixar 23 milhões de americanos sem seguro-saúde em dez anos, advertiu ontem o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), um órgão bipartidário.

No primeiro ano, 14 milhões devem perder a cobertura de saúde. Em médio e longo prazos, os prêmios do seguro-saúde devem aumentar muito para idosos e pessoas com doenças preexistentes.

O primeiro projeto, apresentado pelo presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, nem chegou a ser colocado em votação. Na época, o CBO estimou que 24 milhões perderiam a cobertura de saúde.

A proposta aprovada na Câmara, que deve ser alterada no Senado, pretende reduzir o déficit público federal em US$ 119 bilhões em dez anos, US$ 32 bilhões a menos do que o projeto anterior.

"O CBO estava errado antes quando analisou o impacto do programa de Obama sobre custos e cobertura e errou de novo", declarou o secretário (ministro) da Saúde, Tom Price.

Ryan alegou que o partido está no caminho certo ao "reduzir os prêmios e reduzir o déficit". Os prêmios devem ser reduzidos para as pessoas mais jovens e mais saudáveis, com prejuízo para idosos, deficientes e portadores de doenças crônicas.

Na sua proposta orçamentária, além de dar por certa a aprovação da reforma da saúde como passou na Câmara, o governo Trump está propondo cortes de US$ 900 bilhões em dez anos no Medicaid, o programa de saúde para os mais pobres, para ajudar a financiar um corte de imposto trilionário para os ricos, inclusive para si mesmo.

Com esta reforma radical para acabar com a Lei de Cobertura de Saúde a Preços Acessíveis, do governo Obama, e os cortes de impostos de Trump, os republicanos correm grande risco de enfrentar uma revolta do eleitorado nas eleições intermediárias de 2018. Podem perder a maioria na Câmara e no Senado.

Síria anuncia morte de ministro da Guerra do Estado Islâmico

Forças leais à ditadura de Bachar Assad afirmaram ontem ter matado o ministro da Guerra e outros líderes da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, na guerra civil da Síria. O ministro era Abu Mussab al-Massari, o quarto homem na hierarquia do grupo, noticiou o jornal saudita Asharq al-Awsat. 

O local exato da morte não foi revelado. Ao todo, 13 líderes do Estado Islâmico (EI) teriam sido mortos em operações a leste da cidade de Alepo, no Norte da Síria. A morte de Al-Massari é uma grande perda para a Batalha de Rakka, a capital do califado proclamado pelo EI em junho de 2014

Em março do ano passado, um bombardeio aéreo dos Estados Unidos na Síria matou o então ministro da Guerra do EI, Abu Omar al-Chichani, Omar, o Checheno. O EI só confirmou a morte em julho e disse que tinha sido em Chircate, perto de Mossul, no Sul do Iraque.

O Estado Islâmico enfrenta inimigos em três frentes no Norte da Síria: as forças e milícias leais a Assad, com o apoio da Força Aérea da Rússia; as Forças Democráticas Sírias, curdas e árabes, com cobertura da Força Aérea dos EUA; e rebeldes etnicamente turcos do Exército da Síria Livre apoiados pela Turquia.

A Força Aérea da Síria bombardeou ontem a cidade de Derá, no Sul da Síria, declara zona de segurança no plano de paz recentemente anunciado pela Rússia, a Turquia e o Irã. Foram pelo menos 12 ataques aéreos em que foram jogadas nove bombas de barril em áreas da cidade dominadas por rebeldes, em meio a violentos combates entre o regime e o Comitê de Libertação do Levante.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Homem-bomba de Manchester tinha recém-chegado da Líbia

O terrorista suicida que matou 22 pessoas na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande dois dias atrás, em Manchester, na Inglaterra, tinha voltado há poucos dias de uma viagem de três semanas à Líbia, terra natal de seus pais. Também esteve na Síria.

A polícia do Reino Unido estava convencida de que Salman Abedi estava ligado a uma rede terrorista, provavelmente o Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Um irmão dele preso na Líbia confirmou a suspeita, afirmou a milícia líbia que o deteve. O pai também foi preso na Líbia. Oito pessoas foram presas na Inglaterra, na maioria, líbios.

Como de costume, o Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo atentado. Em muitos casos recentes, os terroristas agiram por conta própria sob a inspiração do EI e suas múltiplas peças de propaganda encontradas na Internet, sem relação operacional com a milícia.

Desta vez, pela sofisticação da bomba e do colete suicida usado no ataque, as autoridades britânicas concluíram que ele não pode ter feito tudo sozinho. Um irmão dele, Hashim Abedi, foi preso na Líbia em conexão com o atentado em Manchester e confessou que os dois eram membros do EI.

A Líbia é mais um caso de anarquia generalizada, de colapso do Estado, depois da queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011. Kadafi caiu numa intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de aliados árabes, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para evitar o massacre dos rebeldes que lutavam contra a ditadura na chamada Primavera Árabe.

Desde a queda de Kadafi, a Líbia não tem um governo central que controle todo o território nacional. As diversas milícias que derrubaram o coronel disputam o poder. Ninguém faz turismo na Líbia. Viaja a este país do Norte da África quem quer aderir a milícias jihadistas.

O mesmo colapso do Estado aconteceu no Líbano, nos anos 1970s; no Afeganistão, nos anos 1990s; na Somália, desde 1991; no Iraque, depois da invasão americana de 2003; e na Síria, a partir do início da guerra civil, em 2011.

Neste vácuo político, proliferam as milícias irregulares e o terrorismo. Na Líbia, houve uma proliferação de grupos jihadistas como Ansar al-Suna, responsável pelo ataque contra o Consulado dos Estados Unidos em Bengázi, em 11 de setembro de 2012, quando o embaixador e outros três cidadãos americanos foram mortos.

Em entrevista à CNN, o pesquisador alemão Peter Neumann, diretor do Centro Internacional de Estudos de Radicalização e Violência Política e professor do King's College, de Londres, observou que há uma comunidade líbia no Reino Unido de refugiados da ditadura de Kadafi. Muitos se radicalizaram, especialmente depois da queda de Kadafi.

O EI aproveitou o vácuo para criar uma base na Líbia, especialmente depois que começou a perder territórios na Síria e no Iraque, onde chegou a dominar uma área habitada por 8 milhões de pessoas e fundou um califado em junho de 2014. Também entrou no Afeganistão.

Na Líbia, o EI massacrou cristãos egípcios e montou uma base em Sirte, a terra natal de Kadafi, destruída por milícias líbias e pela Força Aérea dos EUA. Pelo jeito, continua vivo e atuante.

A lição maior de tudo isso é que uma intervenção militar por razões humanitárias, realizada a pretexto de proteger uma população ameaçada por um ditador, precisa ser complementada por uma série de medidas de reconstrução e reconciliação nacional para conquistar a paz.

Faltou o trabalho das missões de paz da ONU, que é sempre limitado se não houver uma recuperação econômica do país, como mostra o trabalho liderado pelo Exército Brasileiro no Haiti.

Índia pode ter ultrapassado a China em população

A Índia pode ser hoje o país mais populoso do mundo, na frente da China, de acordo com as estimativas do demógrafo independente chinês Yi Fuxian, professor da Universidade de Wisconsin em Madison, nos Estados Unidos, informou o jornal britânico Financial Times.

Yi acredita que o governo chinês superestimou o número de nascimentos no país em 90 milhões entre 1990 e 2016. Assim, no fim do ano passado, a China teria 1,29 bilhão de habitantes, em vez dos 1,38 bilhão da estatística oficial, enquanto a Índia teria 1,33 bilhão pelos dados do governo indiano.

Com a política do filho único, adotada em 1979 para conter o crescimento demográfico e relaxada oficialmente em 2015, a China começa a enfrentar sua crise populacional. Em 2012, pela primeira vez, a população em idade de trabalhar diminuiu.

É um sinal de envelhecimento antes do país se tornar rico como as economias capitalistas mais avançadas.

A política do filho único teria acelerado a chegada da China ao ponto da virada de Arthur Lewis, um economista britânico. É o momento em que se esgota a oferta de mão de obra do êxodo rural, dos trabalhadores que saem da agricultura e do campo em busca de empregos na indústria e nas cidades.

Esse "dividendo demográfico" está chegando ao fim. A partir daí, os salários começam a subir e com eles o custo de produção.

A China não terá condições de manter os extraordinários ganhos de produtividade dos últimos 30 anos. Vai se tornar uma economia madura e depender do desenvolvimento tecnológico para continuar avançando. As companhias chinesas são hoje as que mais registram patentes no mundo. Não há razão para que não consiga. Mas um eventual déficit demográfico deve pesar.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Reino Unido entra em estado de alerta máximo contra terrorismo

A primeira-ministra britânica, Theresa May, decretou hoje estado de alerta máximo no Reino Unido, depois do atentado terrorista que matou 11 pessoas ontem em Manchester, na Inglaterra. Isso significa que as forças de segurança e os serviços secretos temem a realização de novos ataques.

O terrorista suicida se explodiu às 22h35 (18h35 em Brasília) de ontem, na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande. Ele foi identificado como Salman Abedi, de 22 anos, filho de imigrantes da Líbia nascido em Manchester.

Foi o pior atentado terrorista na Europa desde que um caminhão atropelou a multidão e matou 86 pessoas no feriado de 14 de julho, data nacional da França, na cidade de Nice. No Reino Unido, foi o pior desde os quatro ataques coordenados contra o sistema de transportes de Londres, com 52 mortes, em 7 de julho de 2005.

Pela natureza da bomba e do colete suicida, a Scotland Yard acredita que Abedi deve estar ligado a uma rede ou pelo menos a uma célula terrorista. Não teria agido sozinho como os chamados "lobos solitários", células terroristas de um homem só e portanto dificílimas de detectar.

A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou hoje a autoria do atentado, mas costuma cantar vitória sempre. Pode ter inspirado o ato sem ter relações operacionais com o homem-bomba.

Com uma população de 3 milhões de muçulmanos, na maioria descendentes de imigrantes de antigas colônias do Império Britânico, muitos dos quais se sentem marginalizados, o Reino Unido tem 3 mil suspeitos de ligações com o extremismo muçulmano. É gente demais para os serviços secretos vigiarem.

Assim, novos atentados no Reino Unido e na Europa são inevitáveis. À medida que o Estado Islâmico é derrotado nos campos de batalha do Oriente Médio e vê o sonho de recriar o califado ser adiado, resta o terrorismo para mostrar que está vivo e manter a propaganda para atrair novos recrutas. A maioria dos atentados acontece no Oriente Médio, mas ações contra alvos ocidentais têm muito mais impacto.

Dois ministros do Tribunal Supremo rejeitam Constituinte de Maduro

Dois ministros do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela são contra a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte sem voto popular, proposta do presidente Nicolás Maduro para tentar sair da crise política que ameaça o regime chavista.

Em declaração divulgada pela Telecaribe, o ministro Danilo Mojica declarou que o projeto deve ser submetido a um "mecanismo de democracia direta" como um referendo para receber o aval do eleitorado. "Caso contrário, seria uma Constituinte absolutamente espúria por vir do fruto de um árvore envenenada", o que "compromete a soberania popular e a aniquila", acrescentou, de acordo como jornal venezuelano El Nacional.

Mojica apoiou a posição da procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz. Há uma semana, ela repudiou a Constituinte de Maduro lembrando que a Constituição da República Bolivarista da Venezuela "foi elaborada por um Assembleia Nacional Constituinte convocada através de um referendo consultivo e ratificada mediante um referendo constitucional", e é "a maior herança do presidente Hugo Chávez".

Horas mais tarde, em entrevista à rádio Éxitos FM, a ministra Marisela Godoy se associou à procuradora-geral e a seu colega de TSJ dizendo não "importa" ser criticada: "Neste momento, apoio sem nenhum temor à procuradora-geral, que não é uma funcionária qualquer."

Maduro está pressão das ruas e de uma Assembleia Nacional dominada pela oposição. No ano passado, o Conselho Nacional Eleitoral e o TSJ, subservientes ao regime, vetaram a convocação de um referendo para revogar o mandato.

Desde o início do mês passado, ao menos 47 pessoas foram mortas em manifestações de protesto, saques e confrontos com a polícia, em meio à pior crise econômica da história independente da Venezuela.

Depois do fracasso da tentativa do TSJ de anular os poderes da Assembleia Nacional, sob pressão das ruas, Maduro decidiu convocar uma Constituinte formada por entidades e movimentos sociais controlados pelo regime chavista.

A Venezuela marcha rumo a um golpe militar ou uma guerra civil. As divisões internas do regime refletidas na dissidência da procuradora-geral e de dois ministros do STJ dão a esperança de um afastamento de Maduro pelos próprios chavistas, com a ascensão do ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, o atual homem-forte, ou de um político mais moderado, capaz de negociar a transição política e a saída da crise econômica.

Polícia britânica identifica autor do atentado em Manchester

A Scotland Yard, polícia do Reino Unido, identificou hoje Salman Abedi, um britânico de de 22 anos e origem líbia, como o terrorista suicida responsável pelo atentado que matou 22 pessoas e deixou outras 59 feridas ontem em Manchester, no Noroeste da Inglaterra, na saída de um show da cantora pop americana Ariana Grande.

O chefe de polícia de Manchester, Ian Hopkins, declarou que o atentado foi cometido por um homem só com "um artefato explosivo improvisado". A polícia tenta descobrir se ele tinha uma rede de apoio ou qualquer contato direto com algum grupo terrorista. Um homem de 23 anos foi preso

Hoje a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumiu a responsabilidade pelo atentado através de sua agência de propaganda Amaq, mas sempre faz isso. Nos casos mais recentes, pode ter inspirado os terroristas, mas não tinha relações operacionais com ele.

A Arena de Manchester, com capacidade para 21 mil espectadores, estava lotada por um público predominantemente infanto-juvenil. A vítima mais jovem tinha apenas oito anos.

Cristina Serra, mulher do treinador do Manchester City, Pepe Guardiola, e suas duas filhas, María e Valentina, estavam no show, mas não foram feridas. O Ministério das Relações Exteriores informou que não há brasileiros entre as vítimas.

O salafismo, a corrente ultrapuritana do Islã seguida pelos jihadistas, prega o retorno aos valores e hábitos da Arábia no século 7, quando o profeta Maomé fundou o islamismo. É contra a música, a dança e a exposição do corpo.

Estado Islâmico reivindica autoria do atentando em Manchester

Através de sua agência de propaganda na Internet, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante afirmou hoje que o atentado cometido ontem em Manchester, na Inglaterra, foi obra de um de seus "soldados", mas não revelou detalhes sobre a identidade ou tipo de explosão.

Eram 22h35 (18h35 em Brasília), quando um terrorista suicida se detonou na saída de um concerto da cantora pop americana Ariana Grande na Arena de Manchester. Vinte e duas pessoas foram mortas e 59 hospitalizadas. A polícia já identificou o homem-bomba, mas ainda não revelou seu nome para não prejudicar a investigação.

Foi o maior atentado terrorista no Reino Unido desde um ataque coordenado contra o sistema de transporte de Londres, em 7 de julho de 2005, quando 52 pessoas foram mortas.

O Estado Islâmico costuma assumir a autoria de todos os ataques cometidos por jihadistas. A maioria dos casos recentes pode ter sido inspirada pelo grupo, mas não foram detectadas relações operacionais, que incluiriam treinamento, ajuda financeira e na fabricação de bombas.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Irã acusa Trump de iranofobia

A República Islâmica do Irã reagiu hoje ao discurso do presidente Donald Trump em Riade, na Arábia Saudita, convocando 50 países de maioria muçulmana sunita a formar uma aliança antiterrorista com os Estados Unidos. 

Foi um "encontro teatral", ironizou o presidente reeleito, Hassan Rouhani, enquanto o Ministério do Interior do Irã acusava o presidente americano de "iranofobia", noticiou a televisão americana CNN.

"Você não pode resolver o problema do terrorismo simplesmente dando o dinheiro do povo a uma superpotência", declarou Rouhani hoje em entrevista em Teerã, referindo-se à compra de US$ 110 bilhões em armas dos EUA pela monarquia saudita.

Mais cedo, o porta-voz da chanceleria iraniana, Bahram Kassemi, criticou Washington por suas políticas, que descreveu como "belicismo, intervenção, iranofobia e venda de armas inúteis e perigosas aos maiores patrocinadores do terrorismo".

Em seu discurso, Trump acertou ao alertar os países muçulmanos sunitas que precisam combater o terrorismo para garantir um futuro de paz e prosperidade, mas culpou isoladamente o Irã por apoiar e fomentar o terrorismo no Oriente Médio.

"Desafortunadamente", lamentou o porta-voz iraniano, "estamos sob políticas agressivas e hostis do estadista americano, estamos assistindo a um renovado fortalecimento dos grupos terroristas na região e um erro de cálculo das ditaduras que apoiam estes grupos."

Embora o Irã apoie grupos como a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e o Movimento de Resistância Islâmica (Hamas) palestino, a maior ameaça hoje vem do salafismo jihadista, que tem sua origem no wahabismo, a corrente do islamismo seguida e incentivada pela Arábia Saudita.

Desde que o embargo ao Ocidente multiplicou os preços do petróleo, em 1973, a monarquia saudita faz um proselitismo político para difundir sua corrente fundamentalista do Islã. Suspeita-se que muitos príncipes das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico financiem grupos salafistas jihadistas como a rede terrorista Al Caeda e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Ataque terrorista mata 22 pessoas em show em Manchester

Uma explosão durante um show da cantora americana Ariana Grande em Manchester, no Reino Unido, causou 22 mortes e deixou mais de 60 feridos. A polícia britânica está tratando o caso como terrorismo, informou a televisão americana CNN.

Cerca de 20 mil pessoas assistiram ao concerto na Arena de Manchester, no centro da cidade de 500 mil habitantes situada no Noroeste da Inglaterra. Ariana, de 23 anos, atrai um público adolescente.

Testemunhas disseram que houve uma grande explosão na entrada do ginásio esportivo logo depois do final do show, quando as pessoas estavam deixando o local, às 22h35 pela hora local (18h35 em Brasília). Todos saíram correndo e gritando.

A polícia encontrou um pacote suspeito nos arredores e acabou de destruí-lo numa explosão controlada, mas depois disse que eram apenas roupas, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A principal linha de investigação é de um atentado terrorista suicida cometido por um homem só, que seria confirmado horas mais tarde. Resta saber quem é ele, como virou um radical, qual é sua rede de apoio, quem o treinou, financiou ou forneceu os meios para praticar o crime.

Os partidos políticos deploraram o ataque e suspenderam a campanha para as eleições parlamentares de 8 de junho. A primeira-ministra Theresa May decretou luto nacional e convocou uma reunião de emergência do ministério para amanhã de manhã.

Em 22 de março deste ano, Londres foi alvo de um ataque terrorista. Um homem atropelou mais de 50 pessoas na ponte de Westminster, matando quatro, e tentou invadir o Parlamento Britânico. Khalid Masood, de 52 anos, ainda matou um policial antes de ser morto.

O atentado em Manchester foi o pior ato terrorista no Reino Unido desde que uma série de explosões coordenadas matou 52 pessoas no sistema de transportes da capital britânica, em 7 de julho de 2005.

Vantagem conservadora cai para nove pontos no Reino Unido

Depois da divulgação de um manifesto com forte guinada à esquerda, o Partido Trabalhista, o maior da oposição, reduziu para nove pontos percentuais a vantagem do Partido Conservador em pesquisas sobre as eleições parlamentares de 8 de junho no Reino Unido, informou hoje o jornal britânico The Independent.

De acordo com a pesquisa do instituto Survation, os conservadores da primeira-ministra Theresa May tem 43% das preferências do eleitorado contra 34% para os trabalhistas, liderados por Jeremy Corbyn, considerado um radical de esquerda.

No manifesto, além do aumento dos gastos sociais, Corbyn promete estatizar os correios, o sistema ferroviário, a rede de distribuição de energia elétrica e as empresas de água e esgotos.

Os trabalhistas cresceram por serem considerados mais confiáveis em educação e apoio a famílias com filhos pequenos, enquanto os conservadores são considerados melhores para administrar a economia e negociar a saída da União Europeia, aprovada em referendo em 23 de junho de 2016.

A pesquisa ouviu  1.034 adultos em 19 e 20 de maio.

Outra pesquisa, do instituto YouGov, apresentou mais ou menos o mesmo resultado. Os conservadores tiveram o apoio de 44% e os trabalhistas conseguiram o melhor resultado até agora, 35%.

"Com os manifestos lançados oficialmente e o debate aberto entre os partidos nos meios de comunicação, é possível que isso tenha algum efeito sobre as intenções de voto", comentou o instituto Survation ao divulgar seus últimos números.

domingo, 21 de maio de 2017

Coreia do Norte testa míssil de médio alcance

Uma semana depois de anunciar que conseguiu desenvolver um míssil nuclear de longo alcance, a ditadura comunista da Coreia do Norte testou neste domingo um míssil balístico de médio alcance. O foguete teleguiado foi lançado da base de Pukchang e voou 500 quilômetros até cair no Mar do Japão.

"Este míssil, testado em fevereiro, tem alcance menor do que os dos três testes anteriores", comentou a assessoria da Casa Branca.

O regime stalinista de Pionguiangue descreveu o teste como um sucesso e declarou estar pronto para iniciar a fabricação em larga escala do míssil de médio alcance.

Depois de cinco testes nucleares e dezenas de testes de mísseis balísticos, onze só neste ano, violando resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Coreia do Norte aumentou a tensão com seus inimigos históricos, os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão, e entre os EUA e a China.

"A Coreia do Norte está muito perto de desenvolver a tecnologia que necessita para miniaturizar armas atômicas para instalar numa ogiva de míssil", comentou recentemente em Seul o Ministério da Defesa sul-coreano.

No Japão, o ministro-chefe da Casa Civil, Yoshihide Saga, lamentou o que chamou de "ações provocativas repetidas" e "inaceitáveis". Para o novo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae In, é mais um desafio à sua tentativa de reabrir o diálogo com o Norte.

O desenvolvimento de um míssil nuclear balístico de longo alcance é uma ameaça direta aos EUA, como o presidente Barack Obama advertiu o sucessor Donald Trump durante o período de transição entre a eleição e a posse. Trump pressiona a China a enquadrar o regime stalinista de Pionguiangue.

A China, por sua vez, pressiona a Coreia do Sul, insatisfeita com a instalação de um sistema americano de defesa antimísseis capaz de ser usado contra mísseis chineses no futuro, em caso de conflito entre as superpotências.

Trump propõe a muçulmanos aliança para combater o terrorismo

Em discurso na Arábia Saudita em sua primeira viagem ao exterior como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump fez hoje um apelo aos países muçulmanos para que formem uma nova "coalizão" para combater o jihadismo dos extremistas islâmicos.

Depois de fazer duras acusações ao Islã como um todo durante a campanha eleitoral e de tentar proibir a entrada nos EUA de cidadãos de sete países muçulmanos, proibição rejeitada na Justiça, Trump adotou um tom mais moderado e conciliador.

"Não estamos aqui para dar lições. Não estamos aqui para dizer a outros povos como viver, o que fazer ou como praticar sua fé. Estamos aqui para oferecer uma parceria baseada em interesses e valores comuns", declarou Trump, diante dos líderes de mais de 50 países de maioria muçulmana.

O presidente americano descreveu o desafio como uma luta entre "o bem e o mal" e não um conflito religioso, afirmando que 95% das vítimas do terrorismo são muçulmanos: "Os terroristas não louvam a Deus; louvam a morte."

"Se não nos erguermos numa condenação uniforme a esta matança, seremos julgados não apenas pelo nosso povo, não apenas pela história, mas seremos julgados por Deus", desafiou Trump. "Heróis não matam inocentes, os salvam."

Assim, prosseguiu o presidente dos EUA, combater o terrorismo é de interesse imediato dos países do Oriente Médio: "Um futuro melhor só é possível se nossas nações expulsarem os terroristas e os extremistas. Expulsem-nos. Expulsem dos lugares de oração, de sua terra sagrada e da face da Terra."

Trump evitou a expressão "terrorismo radical islâmico". Durante a campanha, ele acusou repetidamente o presidente Barack Obama e sua adversária, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, de não falarem a expressão por não a considerarem politicamente correta.

Na luta para ser eleito, Trump chegou a dizer: "O Islã nos odeia". Também falou que é impossível distinguir entre seguidores pacíficos e violentos da religião muçulmana.

Suas críticas hoje se dirigiram principalmente ao Irã, que não é um país árabe, é persa, tem maioria xiita e é o maior adversário da Arábia Saudita na disputa pela liderança regional no Oriente Médio: "Durante décadas, o Irã alimentou as chamas do conflito sectário e do terror", acusou Trump.

"Enquanto o regime iraniano não quiser ser um parceiro para a paz, todas as nações com consciência devem trabalhar juntas para isolar o Irã, negar fundos para o terrorismo e rezar pelo dia em que o povo iraniano tiver o governo justo e correto que merece", exortou o presidente.

Ao contrário de Obama, Trump não criticou a falta de democracia e o desrespeito aos direitos humanos no mundo árabe. Em troca, exaltou o Oriente Médio, "rico em belezas naturais, culturas vibrantes e quantidades maciças de tesouros históricos. Deve cada vez mais se tornar um dos grandes centros globais de comércio e oportunidades."

O presidente dos EUA assinou contratos para a venda de armas à Arábia Saudita no valor de US$ 110 bilhões. É a maior venda de armas ao exterior da história dos EUA. Ao todo, a visita a Riade envolve negócios estimados em US$ 380 bilhões.

Ainda hoje, Trump visita o recém-criado Centro Global para Combate a Ideologias Extremistas. A Arábia Saudita é a pátria do wahabismo, a corrente ultrapuritana do Islã que é a base ideológica do salafismo jihadista, seguido por fanáticos que sonham em recriar o mundo no modelo da Arábia no século 7, a época do profeta Maomé, como a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Amanhã, Trump segue para Israel, onde deve visitar Jerusalém e Telavive. Na terça-feira, vai à Cisjordânia encontrar o presidente da Autoridade Nacional Palestina, em seu esforço para reiniciar as negociações de paz árabe-israelenses, à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, construída no local onde Jesus Cristo foi enterrado, e ao Muro das Lamentações, a única parede que resta do Templo de Jerusalém, destruído pelos romanos no ano 70 depois de Cristo.

O papa Francisco recebe Trump no Vaticano na quarta-feira. No mesmo dia, o presidente segue para Bruxelas, na Bélgica, onde na quinta-feira se encontra com dirigentes da União Europeia e participa de uma reunião de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA.

De volta à Itália, Trump participa na sexta-feira e no sábado de uma reunião do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá), as maiores potências industriais capitalistas liberais.