segunda-feira, 27 de março de 2017

Líder da oposição na Rússia é condenado a 15 dias de prisão

Apesar dos protestos internacionais, a Rússia condenou hoje o líder da oposição, Alexei Navalny, a 15 dias de prisão por liderar uma manifestação não autorizada ontem em Moscou e outras cidades russas para denunciar a corrupção governamental e pedir a demissão do primeiro-ministro Dimitri Medvedev.

Mais de mil pessoas foram presas em toda a Rússia, a maioria em Moscou, onde Navalny liderava uma marcha para Rua Tverskaya quando a polícia atacou os manifestantes e prendeu seu líder. Ele é o principal adversário em potencial do presidente Vladimir Putin, candidato à reeleição em 2018.

As manifestações de ontem foram as maiores desde o início de 2012, quando a oposição russa protestava contra fraude nas eleições parlamentares. Desde então, Putin trava uma guerra ideológica contra o Ocidente, tentando desmoralizar a democracia liberal e quem a apoia na Rússia.

No mês passado, Navalny foi condenado por desvio de fundos. É suficiente para torná-lo inelegível.

domingo, 26 de março de 2017

Bulgária elege centro-direita pró-Europa

O partido de centro-direita Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB) venceu hoje por pequena margem as eleições parlamentares búlgaras com 33% dos votos contra 27,2% dos socialistas, apoiados pela Rússia, indicam as projeções dos primeiros resultados, citados pela agência Reuters.

A se confirmarem esses resultados, o ex-primeiro-ministro Boyko Borissov, que caiu em novembro, terá a oportunidade de formar um novo governo.

Acima de tudo, as eleições na Bulgária foram consideradas em teste de lealdade entre duas potências que tentam atrair o país para sua órbita: a Rússia, que dominou a Bulgária durante a Guerra Fria como União Soviética até a queda do regime comunista, em 1989; e União Europeia, da qual faz parte desde 2004.

Mais uma vez, a exemplo do que fez até nos Estados Unidos, a Rússia de Putin tentou manipular as eleições na Bulgária para favorecer o partido mais próximo do Kremlin. Os socialistas perderam, mas praticamente dobraram sua votação.

Partido de Merkel vence eleições estaduais na Alemanha

A União Democrata-Cristã (CDU), o partido conservador da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, venceu as eleições no estado do Sarre, com 40,7% dos votos, um bom avanço em relação aos 35,% das eleições anteriores, noticiou a agência Reuters.

O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) ficou em segundo, com uma pequena queda de 30,6% para 29,6%, numa derrota para o novo líder do partido. Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, é o principal adversário de Merkel, que tenta o quarto mandato consecutivo nas eleições nacionais de 24 de setembro de 2017.

Em terceiro lugar, com 12,9%, ficou o partido A Esquerda, uma fusão da ala mais esquerdista do SPD, que rejeitou as reformas econômicas liberalizantes do então chanceler Gerhard Schröder (1998-2005), com o antigo partido comunista da Alemanha Oriental.

À ultradireita, o novo partido Alternativa para a Alemanha (AfD), anti-imigração e antimuçulmano, conseguiu 6,2% dos votos. Os Verdes não superaram a cláusula de barreira, que exige um mínimo de 5% dos votos. Ficam fora da Assembleia Legislativa Estadual do Sarre.

Até 24 de setembro, haverá mais duas eleições estaduais. Servirão como prévias das eleições federais.

Rússia prende mais de mil militantes e o líder da oposição

Durante manifestações de protesto de milhares de pessoas contra a corrupção realizadas em várias cidades, a polícia da Rússia prendeu mais de mil ativistas e o principal líder da oposição, Alexei Navalny. Maior ameaça ao presidente e protoditador Vladimir Putin na eleição presidencial de 11 e 18 de março de 2018, Navalny deve ser condenado para se tornar inelegível.

Navalny e cerca de 500 militantes foram presos quando a marcha seguia pela Rua Tverskaya, no centro de Moscou, sob a acusação de participar de uma manifestação não autorizada. Outros foram detidos no interior do país.

Foram os maiores protestos na Rússia desde as manifestações do fim de 2011 e início de 2012 denunciando fraude nas eleições parlamentares. Putin foi eleito presidente pela terceira vez em março de 2012.

O alvo declarado agora é a corrupção no governo do primeiro-ministro Dimitri Medvedev, fiel escudeiro de Putin. Mas o objetivo maior é atingir o homem-forte do Kremlin ao denunciar a corrupção em meio a uma crise econômica.

sábado, 25 de março de 2017

Integração da Europa faz 60 anos em meio à sua maior crise

A União Europeia festeja hoje os 60 anos do Tratado de Roma, que criou a Comunidade Econômica Europeia, em meio às maiores ameaças à sua sobrevivência, com a crise econômica dos países da periferia da Zona do Euro, a onda de refugiados das guerras do Grande Oriente Médio, o terrorismo dos extremistas muçulmanos, o ressurgimento da extrema direita e a saída do Reino Unido.

O processo de integração europeia foi lançado em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, pelo Plano Schuman, iniciativa do então ministro do Exterior da França, Robert Schuman, para evitar novas guerras na Europa a partir de uma reconciliação entre França e Alemanha.

No ano seguinte, o Tratado de Paris, assinado por Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, criou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. O objetivo era controlar o comércio destas matérias-primas para impedir o rearmamento da Alemanha.

Em 25 de março de 1957, os mesmos seis países pioneiros assinaram o Tratado de Roma, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1958 fundando a CEE, e dois dias depois a Comunidade Europeia da Energia Atômica (Euratom). A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entraram nos anos 1970s. Grécia, Espanha e Portugal, nos anos 1980s.

A União das Comunidades Europeias ganhou este nome no Tratado de Maastricht, em 1991. Com o fim da Guerra Fria no mesmo ano, em 1995, entraram países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia.

A grande expansão veio em 2004, com o ingresso de três ex-repúblicas soviéticas (Estônia, Letônia e Lituânia), quatro países do antigo Bloco Soviético (Eslováquia, Hungria, Polônia e República Tcheca), uma ex-república da Iugoslávia (Eslovênia) e duas ilhas do Mar Mediterrâneo (Chipre e Malta).

A Bulgária e a Romênia entraram em 2007 e a Croácia, em 2013. Montenegro, Sérvia e Turquia negociam a associação. A ex-república soviética da Ucrânia gostaria de entrar, mas enfrenta forte oposição da Rússia

No caso da Turquia, com o autoritarismo crescente do presidente Recep Tayyip Erdogan, a adesão está cada vez mais distante. A Grécia veta a Macedônia para evitar reivindicações territoriais sobre a região grega do mesmo nome.

Hoje, 27 países festejam os 60 anos. Deveriam ser 28, se 52% dos britânicos que foram às urnas em 23 de junho de 2016 não tivessem votado a favor da saída do país da UE. A primeira-ministra Theresa May não foi convidada para a festa.

Daqui a quatro dias, ela vai acionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que regulamenta a saída de países da UE, deflagrando um processo de negociação que deve durar dois anos. Como uma das principais razões da vitória do não à Europa foi reassumir o controle da imigração, é provável que o Reino Unido deixe também o mercado comum europeu.

Uma regra básica do processo de integração da Europa é a livre circulação de mercadorias, pessoas e capitais. Assim, o Reino Unido deve deixar o segundo maior mercado do mundo, depois dos Estados Unidos e ainda corre o risco de perder a Escócia, que vai convocar novo plebiscito sobre a independência para tentar ficar na Europa.

Com a vitória da Brexit (British exit = saída britânica, em inglês), os movimentos nacionalistas e antieuropeus de ultradireita cresceram. O Partido da Liberdade, neonazista, quase venceu a eleição presidencial na Áustria. Na Holanda, o Partido da Liberdade liderado por Geert Wilders levou apenas 13% e ficou longe do poder.

Na França, a candidata da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, chegou a liderar as pesquisas sobre o primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 23 de abril de 2017. No momento, está em segundo, atrás do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, que concorre como independente e é favorito para vencer no segundo turno, em 7 de maio.

Se vencer, Le Pen promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e convocar um plebiscito para tirar a França da UE. Ontem, foi a Moscou, receber o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que trabalha ativamente para destruir a UE e sabotar a democracia liberal do Ocidente. A saída da França seria o fim do processo de integração da Europa.

A UE é uma experiência inédita na história da humanidade. É uma entidade supranacional, um grupo de países que se associaram para resolver seus conflitos pacificamente e garantir a paz através da superação dos nacionalismos extremados que destruíram o continente em duas guerras mundiais e do desenvolvimento econômico integrado.

No modelo europeu, a economia social de mercado, os países mais ricos financiam o desenvolvimento dos países e das regiões mais pobres. Teve extraordinário sucesso na integração de países como Grécia, Irlanda e Portugal, depois atingidos pela crise do euro.

Esse modelo foi abalado pela entrada de países muito mais pobres da Europa Oriental, mas ainda é o melhor modelo para uma globalização social-democrata, essencial para evitar ondas de refugiados e imigrantes de países pobres e falidos onde o Estado entrou em colapso.

Aos 60 anos, a Europa unida mas nem tanto discute um futuro em "velocidades diferentes" ou geometria variável para dar flexibilidade ao bloco de 28 países. Na prática, já existe um núcleo central, os agora 19 países que adotaram o euro como moeda comum.

Durante cinco séculos, a Europa dominou o mundo a partir da expansão colonial marítima, da Revolução Comercial e da Revolução Industrial, antes de quase se suicidar em duas guerras e perder a supremacia. Os mesmos nacionalismos que causaram duas guerras mundiais voltam a mostrar as caras.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Republicanos abandonam projeto contra programa de saúde de Obama

Um Partido Republicano dividido causou a primeira grande derrota do presidente Donald Trump no Congresso ao abandonar o projeto do presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, para acabar com o programa de universalização da saúde pública do governo Barack Obama.

Visivelmente irritado, Trump falou em deixar o programa de Obama implodir, sob o argumento de que as prestações do seguro-saúde vão aumentar muito nos próximos anos. Acabar com o programa de saúde de Obama era uma promessa de campanha de Trump e da maioria dos republicanos.

O projeto retirado de votação deixaria em dez anos mais 24 milhões de americanos sem seguro-saúde, advertiu o bipartidário Escritório de Orçamento do Congresso. Isso colocou republicanos moderados na defensiva, não querendo pagar o preço nas próximas eleições.

Ao mesmo tempo, a ala mais direitista do partido, chamava o projeto de Obamacare light, acusando o projeto republicano de criar um Estado de bem-estar social nos EUA, o que para a ultradireita é uma espécie de socialismo.

Com o partido dividido, ficou evidente que não haveria votos suficientes para aprovar o projeto, apesar do patrocínio de Ryan e do apoio de Trump, os dois grandes perdedores.

Líder da extrema direita francesa pede apoio à Rússia

A candidata à Presidência da França pela neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, visitou hoje em Moscou o presidente Vladimir Putin, noticiou o jornal internacional The Moscow News. As duas partes negaram que a Rússia tenha oferecido ajuda financeira para a candidata, uma grande ameaça à União Europeia, mas a realidade deve ser outra.

Le Pen acenou com a possibilidade de suspender as sanções impostas à Rússia depois da intervenção militar na Ucrânia e da anexação da Crimeia. Putin prometeu não interferir na eleição de 23 de abril e 7 de maio de 2017 na França.

Provavelmente a verdade seja exatamente o contrário do que declarado publicamente. A polícia federal dos Estados Unidos (FBI) investiga a interferência da Rússia na eleição presidencial americana através de pirataria cibernética e de contatos diretos da campanha do atual presidente Donald Trump com o Kremlin.

A Rússia de Putin trava uma guerrinha fria com o Ocidente, contra os valores da sociedade aberta, liberal e democrática. Com pirataria cibernética, ajudou Trump a derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que Putin acusa por uma onda de protestos contra fraude nas eleições parlamentares russas de 2011.

Desde aquele ano, Le Pen visitou a Rússia quatro vezes. Esteve inclusive na Crimeia anexada. Seu partido recebeu um empréstimo de 8 milhões de euros de um banco russo. Moscou ajuda aberta e secretamente forças políticas ultranacionalistas anti-UE, como a Frente Nacional, da França, a Liga Norte e o Movimento 5 Estrelas, na Itália.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Partido Socialista cai para 5º lugar na eleição presidencial da França

Com o avanço de Jean-Luc Mélenchon, candidato da frente de esquerda França Insubmissa, a um mês do primeiro turno da eleição presidencial na França, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, candidato oficial do Partido Socialista, caiu para quinto lugar numa pesquisa de opinião realizada na terça-feira para a televisão BFMTV e a revista L'Express.

O líder na pesquisa sobre o primeiro turno, marcado para 23 de abril de 2017, é o ex-ministro da Economia do atual governo, Emmanuel Macron, considerado liberal demais dentro do PS, com avanço de 0,5 ponto percentual e 26% das preferências. 

Em segundo lugar, vem a chefe da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, com queda de meio ponto percentual e 24,5%. Ela promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e tirar a França da União Europeia.

Marine Le Pen se inspira nas vitórias do plebiscito sobre a saída do Reino Unido do bloco europeu e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Tem o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Um banco russo emprestou 8 milhões de euros a seu partido de ultradireita. É a maior ameaça nesta eleição.

Todos os partidos devem se unir contra Le Pen no segundo turno. Foi que aconteceu com seu pai, Jean-Marie Le Pen, quando ele superou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, em 21 de abril de 2002, e foi para o segundo turno contra o presidente Jacques Chirac, vencedor no final por ampla margem.

De acordo com as pesquisas, Macron e Le Pen devem disputar o segundo turno, em 7 de maio, deixando de fora os grandes partidos que dominaram a 5ª República, o PS e o partido gaulista, herdeiro das ideias do general Charles de Gaulle, grande herói da Segunda Guerra Mundial e principal dirigente do país no pós-guerra, que hoje se chama Os Republicanos.

O candidato gaulista, o ex-primeiro-ministro François Fillon, era o favorito depois de ganhar a eleição primária do partido até a imprensa denunciar que ele empregou a mulher os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Apesar do escândalo e de estar sendo processado, Fillon se recusa a abandonar a candidatura. Está em queda e perdeu mais 0,5 ponto desde a pesquisa anterior. Tem 17%.

Mélenchon é o quarto, com um avanço de meio ponto e 13,5% do total, ultrapassando o socialista Hamon, que caiu 2 pontos para 11,5%, o pior resultado da história do PS.

Por causa de sua impopularidade, o presidente François Hollande desistiu de concorrer e o ex-primeiro-ministro Manuel Valls foi derrotado pela esquerda, que optou por Hamon. Mas cada vez mais os socialistas embarcam na candidatura Macron. O próprio presidente Hollande pediu outro dia a desistência de Fillon, numa clara jogada para beneficiar a candidatura de seu jovem ex-ministro.

Polícia britânica identifica terrorista que atacou Parlamento Britânico

A polícia do Reino Unido identificou hoje como Khalid Masood, de 52 anos, nascido condado de Kent, na Inglaterra, revelou o jornal The Guardian

Masood era conhecido da Scotland Yard e dos serviços secretos, mas era considerado uma "figura periférica". O nome é diferente do apontado ontem por meios de comunicação de outros países europeus.

Hoje a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a responsabilidade pelo atentado, mas não apresentou qualquer prova.

Como em casos anteriores, Masood tinha várias passagens pela polícia sem qualquer ligação com fanatismo religioso. Foi condenado pela primeira vez em 1983 por "danos criminosos". A última vez foi em 2003 por posse de faca.

Isso mostra um padrão que se repete desde os atentados terroristas contra o jornal Charlie Hebdo, em 7 de janeiro de 2015, em Paris, na França.

A maioria dos terroristas que atacaram a Europa era de marginais que haviam cometido pequenos delitos como agressões, roubos, assaltos e tráfico de drogas. Na cadeia, foram radicalizados. São marginais e não fanáticos religiosos. Usam o salafismo jihadista, uma ideologia assassina, para justificar seus crimes.

Estado Islâmico reivindica atentado terrorista em Londres

Através de sua agência de propaganda Amaq, a milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante tentou assumir hoje a responsabilidade pelo ataque terrorista de ontem na Ponte de Westminster e contra o Parlamento Britânico, em Londres, noticiou o jornal The Guardian. O total de mortos foi reduzido hoje para três, além do terrorista, com 40 sobreviventes feridos.

Em nota, a agência o chamou de "soldado do Estado Islâmico", sem dar detalhes sobre quais seriam suas ligações com o grupo nem qualquer prova de autoria.

A polícia britânica já identificou o terrorista morto, mas não revelou sua identidade para não prejudicar as investigações. A primeira-ministra Theresa May informou que ele era conhecido da polícia e dos serviços secretos do Reino Unido. Era considerado uma "figura periférica".

Oito pessoas foram presas hoje em operações de busca e apreensão em seis locais de Londres e Birmingham, a segunda maior cidade do país.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Total de mortos pelo terror em Londres sobe para 5 com 40 feridos

Mais uma pessoa morreu, elevando para cinco o total de mortos pelo ataque terrorista da tarde de hoje na Ponte de Westminster e no Parlamento Britânico. Outras 40 pessoas saíram feridas, revelou o último balanço comandante das operações anterrorismo da Polícia Metropolitana da Grande Londres.

A primeira-ministra Theresa May convocou para esta noite uma reunião de emergência do gabinete de crise e anunciou que amanhã o Parlamento se reúne normalmente. No fim da reunião de emergência, fez um pronunciamento.

"O lugar deste ataque não foi escolhido por acaso. É o coração da nossa capital, onde pessoas de todas as nacionalidades, religiões e culturas se reúnem para celebrar os valores da liberdade, da democracia e da liberdade de expressão. Estas ruas de Westminster - sede do Parlamento mais antigo do mundo - estão entranhadas pelo espírito de liberdade que ecoa pelos cantos mais distantes do globo.

"São os valores que nosso Parlamento representa - democracia, liberdade, direitos humanos e estado de direito - merecem o respeito e a admiração das pessoas livres em toda parte. Por isso, é um alvo para quem rejeita estes valores. Deixem-me dizer claramente hoje como disse antes: qualquer tentativa de derrotar estes valores pela violência e o terror está destinada ao fracasso", acrescentou a primeira-ministra.

Depois de afirmar que amanhã a vida volta ao normal, May concluiu: "Vamos avançar juntos, nunca cedendo ao terror. E nunca permitindo que as vozes do ódio e do medo nos dividam."

O terrorista foi descrito pela televisão francesa como um britânico de origem jamaicana convertido ao islamismo. O jornal italiano La Stampa, de Turim, disse que é Abu Izzadeen, um britânico de 42 anos.

A polícia britânica, a Scotland Yard, não confirma para não prejudicar as investigação. O policial morto foi identificado como Keith Palmer, de 48 anos, com 15 anos de serviço.

NOTA: No dia seguinte, a polícia britânica reduziu o número de mortos para três, além do terrorista. Horas mais tarde, morreu um homem de 75 anos que estava gravemente ferido.

Ataque terrorista fecha o Parlamento Britânico

Um carro atropelou pedestres intencionalmente na ponte de Westminster, um homem saiu do carro, esfaqueou um policial e foi morto por agentes a paisana hoje às 14h40 (11h40 em Brasília) na entrada do Parlamento Britânico, em Londres, informou a televisão pública britânica BBCO Palácio de Westminster e as ruas próximas foram fechados. A polícia está tratando o caso como terrorismo.

Pelo menos quatro pessoas morreram, inclusive o terrorista, o policial esfaquedo e uma mulher atropelada, e outras 20 pessoas foram feridas no atropelamento, algumas seriamente, declarou a Polícia Metropolitana de Londres. Uma mulher caiu no Rio Tâmisa. Foi resgatada com vida, mas está gravemente ferida. Vários corpos ficaram estendidos sobre a ponte, mostram imagens de helicóptero.

Depois de atropelar os pedestres na ponte, o terrorista teria jogado o carro contra uma barreira que protege a entrada do Parlamento, esfaqueado um policial e corrido rumo à entrada dos deputados. Dois agentes a paisana o mandaram parar. Como o terrorista não respondeu, foi baleado três vezes e morto.

A principal suspeita recai sobre extremistas muçulmanos motivados ou ligados à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O grupo quer contra-atacar todos os países que estão acabando com o califado que seu líder Abu Baker al-Baghdadi proclamou há dois anos e nove meses em Mossul, no Iraque.

Com o apoio aéreo de uma coalizão de 65 países liderada pelos Estados Unidos da qual o Reino Unido faz parte, o Exército do Iraque e milícias aliadas está prestes a retomar Mossul, a segunda maior cidade do país. Na Síria, a capital do Estado Islâmico, Rakka, também está prestes a cair.

Como os veículos não são armas propriamente ditas, "são hoje as armas prediletas dos terroristas jihadistas", observou Paul Cruickshank, na rede de televisão americana CNN. Nos atentados de Nice, na França, em 14 de julho do ano passado, e contra uma feira de Natal em Berlim, na Alemanha, os terroristas usaram caminhões como arma para jogar contra a multidão.

O Reino Unido tem pouco menos de 3 milhões de muçulmanos. Milhares foram para a Síria e o Iraque lutar ao lado do Estado Islâmico. O mais notório era o João Jihadista, que apareceu nos primeiros vídeos de degolas de ocidentais. Pelo menos 400 voltaram para casa e são inimigos internos em potencial.

Em 7 de julho de 2005, quatro atentados contra o sistema de transportes da capital britânicas deixou 52 mortos.

terça-feira, 21 de março de 2017

Morre comandante do IRA que virou vice-primeiro-ministro

O ex-comandante militar do Exército Republicano Irlandês (IRA) e ex-vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte Martin McGuinness, um dos principais negociadores do Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa (1998), morreu hoje aos 66 anos.

McGuinness morreu em Londonderry, que o movimento nacionalista irlandês, católico e nacionalista liderado por ele chama de Derry, semanas depois de deixar a política por causa de uma doença rara chamada amiloidose, uma consequência do acúmulo anormal de proteína em órgãos e tecidos.

Ele era comandante do IRA em Londonderry em 30 de janeiro de 1972, quando o Exército Real britânico disparou contra uma manifestação de protesto de católicos em que temia a infiltração do IRA, matando 14 pessoas no Domingo Sangrento, num dos momentos mais difíceis da guerra civil na Irlanda do Norte.

Quando a República da Irlanda se tornou independente, em 1922, seis condados da província do Úlster, onde os protestantes favoráveis a permanecer no Reino Unido eram maioria, formaram a Irlanda do Norte, uma entidade que o IRA nunca reconheceu.

Para falar da região, McGuinness sempre usou a expressão "no Norte da Irlanda". Fazia parte da guerra retórica que começou a acabar com a Declaração de Downing Street, de 1993, quando os governos do Reino Unido e da Irlanda chegaram a um acordo para iniciar o processo de paz.

Em 1994, o IRA declarou um cessar-fogo suspenso em 9 de fevereiro de 1996 diante da estagnação das negociações. O Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa foi assinado em 9 de abril de 1998, dividindo o poder entre as duas comunidades. A formação do governo ainda levou alguns anos.

Martin McGuinness foi escolhido pelo Sinn Féin, o partido político do IRA, para ser seu representante máximo no governo semiautônomo da Irlanda do Norte. De 8 de maio de 2007 a 9 de janeiro de 2017, o ex-comandante militar do IRA foi vice-primeiro-ministro.