sábado, 3 de dezembro de 2016

Força-tarefa da Lava Jato ganha Prêmio Anticorrupção 2016

A Força-Tarefa da Operação Lava Jato vai receber o Prêmio Anticorrupção 2016, anunciou hoje a organização não governamental de combate à corrupção Transparência Internacional. A investigação sobre lavagem de dinheiro desvendou um megaescândalo de corrupção na Petrobrás e em outras empresas estatais.

Desde 2014, os procuradores federais estão na linha de frente das investigações sobre um dos maiores escândalos de corrupção no mundo inteiro. Foram mais de 240 denúncias que levaram a 118 condenações somando 1.256 anos de prisão, inclusive de membros da elite política e econômica, justifica a Transparência.

"Bilhões de dólares foram perdidos com a corrupção no Brasil. Os brasileiros estão fartos com a corrupção que está arrasando seu país. A Força-Tarefa da Operação Lava Jato está fazendo um grande trabalho para garantir que os corruptos, não importa quão poderosos sejam, sejam responsabilizados e  que seja feita justiça", declarou a presidente do Comitê do Prêmio Anticorrupção da Transparência Internacional, Mercedes de Freitas.

E acrescentou: "Temos a satisfação de dar aos procuradores brasileiros da Força-Tarefa da Lava Jato o Prêmio Anticorrupção de 2016 por seu esforço incansável para acabar com a corrupção endêmica no Brasil."

China protesta contra conversa de Trump com presidente de Taiwan

A República Popular da China protestou formalmente hoje contra a conversa telefônica entre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. Foi o primeiro contato oficial de chefes de Estado desde que os EUA romperam com a ilha que a China considera uma província rebelde, em 1979.

O ministro do Exterior chinês, Wang Yi, condenou Taiwan por fazer a ligação, que chamou de manobra "mesquinha" sem acusar diretamente a equipe de transição de Trump. Ele reafirmou que o princípio de que só existe uma China é a base das relações entre os dois países.

Por força deste princípio, a China não mantém relações diplomáticas com países que reconhecem Taiwan. Os EUA não reconhecem Taiwan, mas mantém o compromisso de garantir sua segurança, aceitam a política de uma única China, só rejeitam o uso da força para reunificar o país.

Ao comentar o telefonema, um porta-voz do presidente eleito declarou que Trump e Tsai "discutiram os laços econômicos, políticos e de segurança entre os EUA e Taiwan".

A reação do regime comunista chinês foi cautelosa. O telefonema foi uma amostra de como será o relacionamento EUA-China. Nos seus comícios de agradecimento pela vitória, nesta semana, Trump voltou a citar o enorme déficit comercial dos EUA. A maior parte é com a China.

No Twitter, seu meio de comunicação favorito, Trump ironizou as críticas: "Interessante que os EUA vendam de bilhões de dólares em equipamentos militares a Taiwan e eu não deva aceitar um telefonema de congratulação."

O presidente eleito adotou estratégias do mundo de negócios para vencer a eleição presidencial americana. Intimida e assusta para depois apresentar sua proposta. A China é seu maior desafio. O relacionamento começa tempestuoso.

Estupro é aceito por 27% dos europeus em certas condições

Se a vítima estava bêbada, usava roupas provocantes e não disse não claramente, cerca de 27% dos habitantes da União Europeia consideram que manter relações sexuais é "justificável ou aceitável", indica uma pesquisa realizada pelo instituto TNS a pedido da Comissão Europeia nos 28 países-membros do bloco, noticiou a televisão francesa.

A pesquisa foi realizada de 4 a 13 de junho e divulgada ontem. A Romênia e a Hungria são os países onde proporcionalmente mais entrevistados consideraram o estupro "aceitável", enquanto na Suíça e na Espanha houve maior rejeição.

Os entrevistados responderam a várias perguntas. A central era: "As pessoas pensam que manter relações sexuais sem consentimento pode ser justificado com certas situações. Você pensa que isso se aplica às circunstâncias seguintes?"

Outras questões sondaram a percepção sobre violência sexual, assédio sexual e violência ligada ao sexo. Pelo menos 70% consideraram a violência e o assédio sexuais contra mulheres comuns em seus países. Um terço disseram que os homens também são vítimas de violência sexual.

Na França, a cada ano, em média 223 mil mulheres sofrem violência conjugal, 84 mil são violentadas, vítimas de tentativa de estupro ou de agressão sexual. Um número de telefone para ligações de emergência por violência social recebe 50 mil chamadas por ano.

Fillon lidera pesquisa sobre eleição presidencial na França

Depois de ganhar a eleição primária da centro-direita, o ex-primeiro-ministro conservador François Fillon desponta como favorito à eleição presidencial de 2017 na França. A seis meses da eleição, Fillon tem 32% das preferências contra 22% para a líder da neofascista Frente Nacional, Marina Le Pen, indica uma pesquisa divulgada pela televisão francesa.

Em terceiro lugar, aparece o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron (13%), que lançou uma candidatura independente, seguido pelo candidato de ultraesquerda, Jean-Luc Mélenchon (12%) e pelo presidente François Hollande (8%).

O presidente anunciou dia 1º de dezembro que não será candidato à reeleição, abrindo espaço para uma eleição primária competitiva da esquerda em 22 e 29 de janeiro..

No segundo turno, Fillon teria uma vitória esmagadora com 79% dos votos válidos contra 21% para Marine Le Pen. A pesquisa foi realizada via Internet em 25 de novembro, dois dias antes da eleição primária do partido Os Republicanos, de centro-direita, vencida por Fillon.

Diante de surpresa não detectadas nas pesquisas, como a vitória da saída do Reino Unido da União no referendo de 23 de junho e o triunfo de Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos, aumentou o temor de ascensão da extrema direita na Europa.

Há um risco de que o candidato neonazista seja eleito presidente da Áustria. Uma vitória da antieuropeia Marine seria um terremoto capaz de destruir a União Europeia.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Trump fala com presidente de Taiwan em desafio à China

Numa medida sem precedentes desde que os Estados Unidos restabeleceram relações diplomáticas com a República Popular da China, em 1979, o presidente eleito, Donald Trump, falou por telefone com a presidente Tsai Ing-wen, de Taiwan, que a China considera uma província rebelde e ameaça invadir se declarar independência, noticiou o jornal britânico Financial Times.

Os EUA romperam relações diplomáticas com Taiwan em 1979, como precondição para o reatamento com a China, reconhecendo que só existe uma China e que o governo comunista de Beijim é seu único representante legítimo. Mas mantêm o compromisso histórico de defender a ilha para onde os nacionalistas do Kuomintang fugiram quando a revolução liderada por Mao Tsé-tung tomou o poder no continente, em 1º de outubro de 1949.

Desde o rompimento, nenhum presidente dos EUA havia mantido contato oficial direto com um presidente taiwanês. A China ainda não reagiu oficialmente.

De acordo com um porta-voz da equipe de transição do presidente eleito, Trump e Tsai "discutiram os laços econômicos, políticos e segurança estreitos" entre os dois países.

O partido da presidente taiwanesa é a favor da independência, o que pode gerar retaliação de Beijim. Desde sua eleição, o regime comunista cortou as comunicações porque a líder taiwanesa não proclamou oficialmente sua adesão ao princípio de que só existe uma China, pedra fundamental da política externa de Beijim.

"A ligação coloca em dúvida se Trump aceita ou não o princípio básico das relações EUA-China", comentou Evan Medeiros, ex-assessor do governo Barack Obama especialista em China, hoje na consultoria Eurasia Group. "É uma garantia de que as relações EUA-China sob Trump terão um início muito tumultuado."

Em 1979, quando do reatamento, a China era responsável por 2% do produto mundial bruto. Hoje, produz 16% da riqueza. É a segunda maior economia do mundo e uma superpotência em ascensão.

Taxa de desemprego nod EUA cai para 4,6%

A economia dos Estados Unidos gerou 178 mil vagas de emprego a mais do que fechou em novembro de 2016, anunciou hoje o Departamento do Trabalho. A taxa de desemprego caiu de 4,9% para 4,6%. É a menor em nove anos, desde agosto de 2007, antes do início da Grande Recessão (2008-9).

Os analistas esperavam 180 mil empregos e 4,9%. Em outubro, o saldo foi de 142 mil postos de trabalho. Houve uma pequena queda de 0,1% na média dos salários, que cresceu 2,5% na comparação anual.

A queda na taxa de desemprego indica ao mesmo tempo avanço no emprego e que cerca de 400 mil desempregados desistiram de procurar emprego, saindo da força de trabalho. O índice de desemprego amplo, incluindo o subemprego (trabalho temporário e bicos), caiu de 9,5% para 9,3%. Nos dois anos anteriores à crise, 2006 e 2007, ficou na média de 8,3%.

A participação das pessoas em idade de trabalhar no mercado de trabalho baixou de 62,8% para 62,7%. Na faixa etária mais produtiva, de 25 a 54 anos, a queda foi de 81,6% para 81,4%.

O setor com maior aumento de empregos nos últimos 12 meses foi o de serviços profissionais e empresariais, com 571 mil vagas, seguido de saúde, com 407 mil. A indústria manufatureira fechou 54 mil postos de trabalho e a mineração, 87,3 mil. O presidente eleito, Donald Trump, promete restaurar o emprego na indístria.

"Este relatório de emprego abre caminho para aumento nas taxas de juros", comentou Jason Schenker, diretor-presidente da consultoria Prestige Economics. "É a coroação de uma série contínua de dados econômicos positivos."

Para o jornal inglês Financial Times, a aposta do mercado financeiro numa alta de juros na próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed), o comitê de política monetária do banco central dos EUA, em 13 e 14 de dezembro, se aproxima dos 100%.

Seria o segundo aumento em uma década, desde junho de 2006. Em dezembro de 2008, o Fed praticamente zerou sua taxa básica para 0-0,25% ao ano. Há um ano, fez um pequeno aumento para uma faixa de 0,25%-0,5% ao ano.

No início do ano, a expectativa era de até quatro altas de juros nos EUA em 2016. Os problemas da China e outros sinais de fraqueza da economia mundial reduziram a aposta para duas altas. Esta agora é dada como certa.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Hollande desiste da reeleição à Presidência da França

Em uma decisão inesperada, o presidente François Hollande anunciou hoje que não será candidato à reeleição à Presidência da França na eleição de 23 de abril e 7 de maior de 2017. O primeiro-ministro Manuel Valls passa a ser o favorito para ser o candidato do Partido Socialista.

Com a queda da popularidade do presidente abaixo de 10%, até um mínimo de 4%, a esquerda francesa se inquieta com as pesquisas que apontam um segundo turno entre a ultradireita e a centro-direita no próximo ano.

Seria uma repetição do primeiro turno da eleição presidencial de 2002. Em 21 de abril daquele ano, o líder da neofascista Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, bateu o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que adotara medidas econômicas impopulares para enquadrar a França na união monetária que criou o euro, por menos de 200 mil votos (16,86% a 16,18%).

A ultraesquerda negou apoio a Jospin e teve 11%, abrindo caminho Le Pen, que perderia no segundo turno para o presidente Jacques Chirac, que teve 82% dos votos.

Se esse quadro se repetir em 2017, com derrota da esquerda no primeiro turno e união de todas as forçcas democráticas contra o neofascismo no segundo turno, o ex-primeiro-ministro François Fillon, do partido Os Republicanos, herdeiro de Chirac, será o próximo presidente da França.

Para ter uma chance, o PS propôs a realização de uma eleição primária da esquerda. De início, seria apenas uma manobra para legitimar a candidatura de Hollande, quando o presidente seria candidato natural à reeleição.

No fim de semana, o presidente da Assembleia Nacional, o deputado socialista Claude Bortolone, defendeu a ampliação da primária da esquerda e convidou Hollande, Valls, o ex-ministro liberal Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon, líder da Frente de Esquerda, que reúne grupos à esquerda do PS.

A primária está marcada para 22 e 29 de janeiro. É a última esperança da centro-esquerda de ter um candidato forte e competitivo em 2017 na França. O ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg manifestou a intenção de participar. Macron, por enquanto, mantém sua candidatura independente pelo movimento Em Marcha.

Tailândia tem novo rei

O príncipe herdeiro Maha Vajiralongkorn Bodindradebayavarangkun ascendeu hoje ao trono da Tailândia como sucessor do pai, o rei Bhumibol Adulyadej, que morreu em 13 de outubro de 2016 depois de reinar por 70 anos, noticiou o jornal tailandês The Bangkok Post.

A data da coroação ainda não foi marcada. Será realizada no próximo ano, depois da cremação do rei morto;

O convite oficial foi feito pela Assembleia Nacional da Tailândia, dominada pelo Conselho Militar pela Paz e a Ordem, a junta militar que deu um golpe em maio de 2014.

Colômbia volta a negociar paz com ELN em janeiro

Ao mesmo tempo em que o Congresso ratificava o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o governo colombiano anunciou ontem o reinício, em janeiro de 2017, do diálogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN), noticiou o jornal Latin American Herald Tribune.

Em declaração divulgada em Quito, a capital do Equador, onde será realizada a primeira rodada de negociações com o ELN, os representantes do governo manifestaram a esperança de que até lá seja libertado o ex-deputado Odín Sánchez, sequestrado pelo grupo.

O início de negociações de paz entre o governo e o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia foi anunciado em 27 de outubro, em Quito. Por causa do sequestro de Sánchez, o presidente Juan Manuel Santos não viajou ao Equador.

Em 7 de novembro, o comandante supremo do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, de nome de guerra Gabino, perdão para dois rebeldes capturados pelo governo para soltar o ex-deputado. O governo colombiano respondeu que qualquer perdão "deve cumprir a lei em vigor".

A Colômbia agradeceu à colaboração do Equador e ao apoio de Brasil, Chile, Cuba, Noruega e Venezuela às negociações de paz com o ELN.

Com a ratificação pelo Congresso do acordo de paz com as FARC, os cerca de 7 mil homens em armas devem se concentrar em 20 áreas determinadas e entregar as armas sob a supervisão das Nações Unidas nos próximos seis meses. Mas a guerrilha advertiu que só vai depor as armas depois da aprovação de uma anistia para 2 mil guerrilheiros presos. É a próxima batalha legislativa do presidente Santos.

A oposição ao acordo, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, considera uma rendição a garantia de vagas no Congresso para as FARC nas duas próximas eleições, independentemente do resultado das urnas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Congresso aprova novo acordo de paz com as FARC

O Congresso da Colômbia aprovou hoje uma versão revisada do acordo de paz negociado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A versão original foi rejeitada por pequena margem em referendo realizado em 2 de outubro de 2016.

O acordo de paz foi ratificado ontem no Senado e hoje na Câmara, onde o presidente Juan Manuel Santos tem maioria, sem necessidade de nova consulta popular. Santos ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2016 mesmo com a derrota no referendo.

Apesar de algumas mudanças, os adversários do acordo, liderados pelo ex-presidente Álvaro Uribe, denunciam uma suposta impunidade para os guerrilheiros que durante 52 anos tentaram derrubar o governo colombiano.

Avião da Chapecoense teve pane elétrica e falta de combustível

Pouco antes do trágico acidente, o piloto do avião que levava a equipe da Chapecoense para Medelim, na Colômbia, declarou em desespero à torre de controle do aeroporto: "O voo LaMia 2933 tem uma pane elétrica total e está sem combustível", revelaram as gravações de voz de uma das caixas-pretas da aeronave, citadas pelo jornal colombiano El Tiempo.

Setenta uma pessoas morreram no acidente, inclusive a delegação da Chapecoense, que disputaria hoje em Medelim o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana e vários jornalistas que cobririam a partida.

Em entrevista à televisão americana CNN, a ex-inspetora-geral do Departamento de Transporte dos Estados Unidos, Mary Schiavo, descreveu o caso como "negligência criminosa".

"As regulamentações internacionais e da maioria dos países exigem que um avião leve combustível suficiente para mais do que sua viagem, para chegar a um aeroporto próximo do destino e fazer um pouso de emergência em caso de necessidade e para mais meia hora de viagem", declarou Schiavo.

Na gravação de 12 minutos, a controladora de voo do aeroporto de Medelim fala com o voo da companhia boliviana LaMia e outro da colombiana Avianca. No primeiro momento, o piloto do avião da Chapecoense não informa a torre sobre a gravidade da situação, tanto que a controladora dá prioridade de pouso para um terceiro avião, da empresa Viva Colombia.

Depois de sete minutos de conversa, o piloto Miguel Quiroga alerta o controle de voo que está em situação de emergência:

- O voo LaMia CP-2933 está em aproximação. Pedimos prioridade para aproximação porque se apresentou um problema com combustível - apelou o piloto.

- Entendo. Solicita prioridade para sua aterrissagem igualmente por problema de combustível, certo? - responde a torre.

- Afirmativo - falou Quiroga.

- Ok. Atento, lhe darei os vetores para proceder ao localizador e efetuar a aproximação. Em aproximadamente sete minutos, iniciarei a confirmação - acrescenta a controladora de voo.

Em seguida, a torre pede ao piloto que notifique o rumo e mantenha o rumo para a descida. Minutos depois, Quiroga volta a pedir os vetores para a aterrissagem, sinal de que não sabia onde estava.

A operadora avisa então que há um avião abaixo do avião da LaMia que iria aterrissar antes, assim que os funcionários do aeroporto examinassem se havia combustível derramado na pista de pouso.

- Que tempo tem para permanecer em aproximação? - quis saber a controladora de voo.

- Com emergência de combustível, senhorita. Por isso, estabelecemos de uma vez um curso final - informou o piloto com a voz embargada pela dramaticidade da situação.

O controle de voo insiste para que o Avro RJ85 da LaMia faça algumas manobras porque há outros aviões nos arredores do aeroporto. Tarde demais.

Quiroga havia iniciado a descida e notificado a torre de controle. Duas aeronaves foram orientadas a sair do caminho.

- O voo tem uma pane elétrica total e está sem combustível - afirmou o piloto em tom dramático.

A torre avisa ao piloto que o voo desapareceu dos radares e pedem que ele dê sua localização. A resposta do piloto é seu último contato:

- A dez mil pés. Vetores, vetores, senhorita, vetores da pista... Estamos a nove mil pés. Vetores, vetores...

Conselho de Segurança aprova novas sanções à Coreia do Norte

Por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou hoje novas sanções ao regime comunista da Coreia do Norte por violar resoluções anteriores e ter feito em setembro seu quinto teste de armas nucleares, noticiou a agência Reuters.

O principal foco das novas sanções é a exportação de carvão norte-coreana. O país fica proibido de vender ao exterior cobre, níquel, prata e zinco. As exportações de carvão do regime stalinista de Pionguiangue terão um limite de 7,5 milhões de toneladas ou US$ 400,9 milhões, um corte estimado em cerca de 60%.

Desde o fim da União Soviética, em 1991, quando perdeu seu maior patrocinador, a Coreia do Norte, o país mais fechado do mundo, faz uma chantagem atômica, ameaçando os países vizinhos e os Estados Unidos com o desenvolvimento de armas nucleares.

Esta opção nuclear foi reforçada pela ascensão ao poder do jovem e inseguro Kim Jong Un, o terceiro na dinastia que governa o último país a manter todos os rituais do stalinismo, censura, tortura, perseguição implacável a dissidentes, campos de concentração, paradas militares e civis monumentais, julgamentos e assassinatos políticos.

Como a Coreia do Norte faz cada vez mais testes nucleares e de mísseis, parece que a estratégia de contenção adotada pelos EUA com a colaboração parcial da China não está funcionando. O regime comunista chinês não têm o menor interesse em desestabilizar a região.

Na prática, Beijim sustenta a ditadura de Pionguiangue, mas não quer a instalação de um sistema de defesa antimísseis americano na Coreia do Sul e do Japão. Isso daria uma vantagem estratégica aos EUA num possível conflito futuro com a China.

Carter aconselha Obama para reconhecer a Palestina

Ainda existe uma chance escassa para uma paz no Oriente Médio baseada na coexistência pacífica de dois estados no território histórico da Palestina. Diante das tentativas do governo linha-dura de Israel de anexar a Cisjordânia, o ex-presidente Jimmy Carter recomendou ao presidente Barack Obama que os Estados Unidos reconheçam a independência da Palestina antes da posse de Donald Trump, em 20 de janeiro de 2017.

Em artigo no jornal The New York Times, Carter aconselha Obama a seguir o exemplo de outros 137 países que reconheceram a independência da Palestina, entre eles o Brasil, para que o país passe a ser membro pleno das Nações Unidas.

"Lá em 1978, durante meu governo, o primeiro-ministro de Israel, Menachen Begin, e o presidente do Egito, Anuar Sadat, assinaram os acordos de paz de Camp David", lembrou Carter. "Os acordos foram baseados na Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967.

"As palavras-chaves foram 'a inadmissibilidade de conquista de território através da guerra e a necessidade de trabalhar por uma paz justa e duradoura no Oriente Médio na qual todo estado da região possa viver em segurança' e 'na retirada das Forças Armadas de Israel dos territórios ocupados no conflito recente'."

O processo de paz no Oriente Médio iniciado pela Conferência de Madri, em 1991, usaria nos acordos de Oslo a mesma fórmula de devolução dos territórios ocupados em troca de paz e segurança. Mas o processo foi interrompido pelo assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, em novembro de 1995, e a ascensão do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, no ano seguinte.

Carter elogia declaração de Obama em 2009 exigindo o congelamento total da colonização dos territórios árabes ocupados, sem mudar o comportamento do governo israelense. Em 2011, o atual presidente afirmou que os dois estados deveriam ter como base as fronteiras anteriores à guerra de 1967.

Hoje são 4,5 milhões de palestinos vivendo sob a ocupação militar de Israel, sem qualquer direito à cidadania, enquanto 600 mil colonos gozam de plenos direitos garantidos pela legislação israelense. O risco, adverte Carter, é que essa discriminação mine a democracia em Israel.

Com o reconhecimento da independência da Palestina pelos EUA, acrescenta o ex-presidente, o Conselho de Segurança da ONU estabeleceria os parâmetros para um acordo de paz definitivo, "reafirmando a ilegalidade de todos os assentamentos israelenses além das fronteiras de 1967

Estado Islâmico reivindica ataque a campus nos EUA

A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou ontem a responsabilidade pelo ataque que deixou onze pessoas feridas num campus da Universidade Estadual de Ohio em Columbus, nos Estados Unidos, cometido por um estudante somaliano morto pela polícia.

A tentativa de assumir a autoria apareceu na agência de propaganda do Estado Islâmico. Foi detectada pelo centro americano de vigilância de sítios jihadistas, SITE. Mas não há qualquer indicação de que a relação com o grupo terrorista vá além da inspiração ideológica.

Depois de jogar seu carro contra um grupo de estudantes, Abdul Razak Ali Artan desceu com um facão e continou atacando até ser baleado e morto pela polícia. No relato dos jihadistas, ele "realizou sua operação em resposta aos apelos para alvejar os cidadãos dos países da coalizão internacional" que luta contra o Estado Islâmico no Oriente Médio.

Na madrugada desta terça-feira, quatro feridos continuavam hospitalizados, em condições estáveis. Abdul Razak Artan deu entrevista ao jornal estudantil The Lantern em agosto reclamando da falta no campus de uma sala para os muçulmanos fazerem suas orações.

O terrorista foi descrito como um estudante reservado, que tinha receio sobre a maneira como os outros o percebiam e lamentava que os meios de comunicação produzam o que na sua opinião é uma imagem distorcida dos muçulmanos.

EUA cresceram mais do que estimado no terceiro trimestre

O ritmo de crescimento da economia dos Estados Unidos de julho a setembro de 2016 superou a expectativa do mercado e a estimativa oficial, de 2,9%, avançando 3,2%, o melhor desempenho em dois anos, anunciou a agência Reuters citando como fonte o Departamento do Comércio. Em média, os analistas previam 3%.

A maior economia do mundo avançou num ritmo anual de 0,8% no primeiro trimestre, 1,4% no segundo e 3,2% no terceiro. A aceleração é atribuída ao consumo doméstico e às exportações.

Foi o crescimento mais forte desde o terceiro trimestre de 2014. As exportações tiveram o maior avanço desde o quarto trimestre de 2013.

Outra pesquisa indicou uma alta em setembro de 5,5% num ano nos preços das casas, um sinal de plena recuperação do setor habitacional do mercado imobiliário, onde começou a Grande Recessão de 2008-9.

Uma terceira sondagem apontam um aumento da confiança do consumidor americano em novembro para o maior nível em nove anos, apesar das incertezas ao redor das políticas do presidente eleito, Donald Trump.

Com a delegacia regional da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, em Atlanta prevendo uma expansão de 3,6% ao ano no quarto trimestre, aumenta a expectativa de aumento nas taxas básicas de juros na próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed, marcada para 13 e 14 de dezembro.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Presidente da Coreia do Sul admite renunciar

Em meio a um escândalo de corrupção e tráfico de influência, com milhões protestando há um mês e meio nas ruas das grandes cidades da Coreia do Sul, a presidente Park Geun Hye admitiu hoje deixar o poder e pediu à Assembleia Nacional que encontre uma solução constitucional para a mudança de governo.

Num pronunciamento surpreendente em rede nacional de televisão, Park pediu desculpas, mas não renunciou, numa manobra para ganhar tempo, na opinião de seus acusadores. Mas deixou claro que não tem mais condições de governar o país.

"Vou entregar meu futuro ao Parlamento, inclusive uma redução do meu mandato",  declarou a presidente sul-coreana. "Se os partidos do governo e da oposição fizerem um plano para minimizar a confusão na administração pública e transferência segura do poder, vou deixar a Presidência, de acordo com os devidos procedimentos legais."

Seu discurso desestabilizou momentaneamente a oposição, que pretende iniciar um processo de impeachment na Assembleia Nacional. O julgamento político pode durar meses. Para destituir a presidente, são necessários 200 votos, dois terços do parlamento sul-coreano.

Park é acusada de favorecer uma amiga e confidente que usou a intimidade com a presidente para pedir dinheiro de grandes empresas sul-coreanas como a Samsung para seus projetos pessoais.

Se a presidente for impedida, o primeiro-ministro assume interinamente até a eleição de um novo presidente, em 60 dias.

Avião da Chapecoense pode ter ficado sem combustível

O avião fretado para Associação Chapecoense para o trecho final da viagem para Medelim, na Colômbia, onde disputaria a primeira final da Copa Sul-Americana, não tinha autonomia de voo suficiente para cobrir a distância e pode ter ficado sem combustível, declarou a especialista americana Mary Schiavo, ex-inspetora-geral do Departamento de Transportes dos Estados Unidos.

À uma hora da madrugada de hoje, o piloto entrou em contato com a torre de controle do aeroporto de Medelim para avisar sobre uma pane elétrica e pedir autorização para fazer um pouso de emergência. Quinze minutos depois, o avião desapareceu dos radares e caiu, matando 71 pessoas.

Só seis pessoas sobreviveram, três jogadores da Chapecoense, dois tripulantes e um jornalista. A aeromoça boliviana sobrevivente Ximena Suárez disse à televisão americana que o problema foi falta de combustível.

Em entrevista à CNN, Mary Schiavo observou que a autonomia de voo da aeronave era um pouco maior do que a distância a ser percorrida. Isso pode ser um problema caso o avião tenha de fazer manobras extras ou mudar de rota por qualquer razão. Na realidade, a autonomia era menor. O avião deve ter sido reformado para aumentar a capacidade de combustível.

O Avro RJ85 ou BAe 146, fabricado pela companhia britânica British Aerospace (BAe), é um avião para curtas distâncias, com autonomia de voo de até 3 mil quilômetros. Parou de ser produzido em 2002. Como a distância em linha reta entre Santa Cruz de la Sierra e Medelim é de 3.015 km, para fazer a viagem o aparelho precisava ter sido reformado para ampliação do tanque de combustível.

Outro especialista ouvido pela CNN afirmou que a investigação deve focar na companhia aérea boliviana Lamia. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) do Brasil não autorizou um voo fretado da Lamia do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, até Medelim, na Colômbia, porque a empresa é boliviana e a Bolívia não era origem nem destino do voo.

A solução foi levar a equipe até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, de onde saiu o voo rumo à tragédia.

Jovenel Moïse é eleito presidente do Haiti no primeiro turno

O candidato apoiado pelo ex-presidente Michel Martelly, Jovenel Moïse, de centro-direita, venceu a eleição presidencial de 20 de novembro no Haiti no primeiro turno com 55,67% dos votos, apontam os resultados oficiais. Observadores nacionais e internacionais declararam que a votação foi realizada em condições satisfatórias.

Em segundo lugar, ficou Jude Célestin, da Liga Alternativa pelo Progresso e a Emancipação Haitiana (LAPEH), com 19,52% dos votos, seguido por Moïse-Jean Charles com 11,04%, Maryse Narcisse com 8,99%, anunciou Uder Antoine, alto funcionário do Conselho Eleitoral Provisório.

A votação transcorreu sem maiores incidentes, mas a tensão cresceu durante a apuração. Quando o Partido Haitiano Tèt Kale (PHTK) declarou vitória, no dia seguinte, centenas de partidários de Maryse Narcisse reagiram furiosamente. Tèt Kale é cabeça careca no dialeto haitiano creole.

A eleição presidencial anterior, realizada em 25 de outubro de 2015, foi anulada por causa de "fraudes maciças".

Em meio a um processo democrático caótico no país mais pobre da América, que ainda não se reconstruiu depois do violento terremoto de 2010 e foi duramente atingido por um furacão neste ano, a maioria da população do Haiti não foi às urnas. A participação foi de apenas 21,69%.

Quando eu era editor internacional do Repórter Brasil, da TV Brasil, entrevistei o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon. Uma das perguntas foi: "A sociedade internacional vai fracassar mais uma vez no Haiti?"

Ban deu um sorriso amarelo de quem não gostou muito do questionamento à seriedade do compromisso do resto do mundo com o Haiti e garantiu que não. Desta vez, afirmou o secretário-geral da ONU, com promessas de ajuda internacional de US$ 10 bilhões feitas depois do terremoto de Porto Príncipe, os haitianos teriam uma chance de sair da miséria. O mundo continua devendo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fillon venceria primeiro turno hoje na França, indica pesquisa

O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, candidato do partido de centro-direita Os Republicanos venceria hoje o primeiro turno da eleição presidencial na França, batendo a líder da Frente Nacional, de ultradireita, Marine Le Pen, indicou uma pesquisa do instituto Harris Interactive divulgada ontem.

A vantagem é pequena, dentro da margem de erro da pesquisa. Fillon teve 26% das preferências contra 24% para Marine. Ambos ficaram muito à frente do candidato do Partido Socialista. Tanto o presidente François Hollande quanto o primeiro-ministro Manuel Valls ficaram com 9%.

Fillon foi escolhido ontem. Ele venceu o ex-primeiro-ministro Alain Juppé por ampla vantagem, de 66,5% a 33,5%, na eleição primária da centro-direita, que pela primeira vez foi aberta a todos os franceses e não apenas aos filiados ao partido gaulista, herdeiro da tradição política do general Charles de Gaulle, o governador da França no exílio durante a Segunda Guerra Mundial.

Com De Gaulle (1958-69), Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12), é o partido que ficou mais tempo no poder na 5ª República.

O PS convocou uma eleição primária para legitimar a candidatura do presidente Hollande. Com sua popularidade abaixo de 10%, o presidente da Assembleia Nacional, Claude Bortolone, defendeu a ampliação da primária, com a participação do primeiro-ministro Valls, do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e até mesmo do líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que no fim de semana recebeu o apoio do Partido Comunista Francês (PCF).

A primária da esquerda será realizada em 22 e 29 de janeiro. A esperança é que produza uma candidatura competitiva para a esquerda não ficar fora do segundo turno da eleição presidencial, marcada para 23 de abril e 7 de maio de 2017.

No fim de semana, Valls manifestou a intenção de ser candidato e criticou Hollande. Como não foi demitido hoje, o presidente começa a aceitar a possibilidade de não ser candidato à reeleição.

Trump alega fraude para justificar derrota no voto popular

Em mais uma declaração sem precedentes para um presidente eleito dos Estados Unidos, o magnata imobiliário Donald Trump afirmou ontem que perdeu a eleição no voto popular para a ex-secretária de Estado Hillary Clinton por causa de "milhões de pessoas que votaram ilegalmente".

Sem apresentar qualquer prova, Trump disparou no Twitter: "Além de ganhar no Colégio Eleitoral numa avalanche, eu também ganhei no voto popular se forem descontados os votos de milhões de pessoas que votaram ilegalmente."

O candidato do Partido Republicano venceu no Colégio Eleitoral, que reúne um número de delegados representantes dos estados igual ao número de deputados federais e senadores daquele estado. Com duas exceções, quem ganha no voto popular num estado leva todos os delegados do estado no Colégio Eleitoral. Assim, os votos no candidato derrotado não contam.

A vantagem de mais de 2 milhões de votos da candidata democrata, Hillary Clinton, no voto popular se deve à Califórnia, o maior e mais rico dos estados americanos.

Enquanto isso, a candidata do Partido Verde, Jill Stein, anunciou ter arrecadado dinheiro suficiente para pedir uma recontagem dos votos. Já fez o pedido formal em Wisconsin e pode fazer o mesmo em Michigan e na Pensilvânia. A vitória nesses três estados foi decisiva para o triunfo do candidato republicano. O presidente eleito reagiu furiosamente, acusando Hillary de não reconhecer a derrota.

Quem esperava que o presidente Trump seria diferente do candidato Trump pode se preparar para um período turbulento. O presidente eleito usa a Teoria dos Jogos numa lógica transacional, jogando uns contra os outros para manter o controle. É um presidente aprendiz, nome do programa em que Trump massacrava candidatos a emprego como um tubarão da indústria.

domingo, 27 de novembro de 2016

Líder do PS quer Hollande, Valls e Macron na primária da esquerda

O presidente da Assembleia Nacional da França, o deputado socialista Claude Bartolone, defendeu no fim de semana a participação do presidente François Holande, do primeiro-ministro Manuel Valls, do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron e do líder da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, na eleição primária da esquerda, marcada para 22 e 29 de janeiro. O objetivo é ter uma candidatura forte, capaz de chegar ao segundo turno.

Com a impopularidade de Hollande pouco acima de 10%, as pesquisas indicam que o Partido Socialista pode perder a eleição presidencial de 2017 no primeiro turno, marcado para 23 de abril. Marine Le Pen, da neofascista Frente Nacional, disputaria o Palácio Eliseu com o ex-primeiro-ministro François Fillon, consagrado ontem como o candidato de centro-direita.

Em condições normais, não haveria uma eleição primária do PS. O presidente seria candidato natural à reeleição, mas a expectativa de uma derrota esmagadora assusta o partido. Com um debate entre presidente e primeiro-ministro, argumentou Bortolone, haveria um "eletrochoque" numa esquerda que parece aceitar a derrota como inevitável.

"Eu não sei em que votar, mas sei uma coisa: não será uma pequena primária que pode nos salvar", declarou no sábado o presidente da Assembleia Nacional. "Gostaria que Macron participasse da primária, que Valls participasse da primária, que Hollande participasse da primária, que Mélenchon venha exprimir suas diferenças no seio da primária."

Hollande prometeu anunciar sua decisão até 15 de dezembro. Ele apostava numa queda do desemprego para turbinar sua candidatura. O anúncio do primeiro-ministro Valls de que vai participar da primária da esquerda é de certa forma uma traição ao chefe, mas dá um alívio ao partido, que pode assim ter um candidato mais competitivo.

Dificilmente Mélenchon vai se aproximar de um PS que usou um mecanismo excepcional para reformar a lei do trabalho sem votação na Assembleia Nacional, reduzindo direitos, algo inaceitável para a ultraesquerda. No fim de semana, 54% do Partido Comunista Francês (PCF) preferiram apoiar Mélenchon e sua Frente de Esquerda em vez de lançar seu próprio candidato ao Palácio do Eliseu.

Fillon será o candidato de centro-direita na França

O ex-primeiro-ministro François Fillon venceu hoje a eleição primária para escolher o candidato do partido Os Republicanos, de centro-direita, à Presidência da França por ampla vantagem. Com 90% das urnas apuradas, tinha 66,5% contra 33,5% para o ex-primeiro-ministro Alain Juppé.

Vitorioso em apenas dois departamentos, Juppé logo reconheceu a derrota. No primeiro turno, realizado no domingo passado, Fillon obteve 44,1% dos votos (1,89 milhão) contra 28,6% (1,22 milhão) para Juppé e 20,7% (880 mil) para o ex-presidente Nicolas Sarkozy, que apoiou Fillon no segundo turno.

"É uma vitória de fundo baseada nas minhas convicções depois de três anos apresentando meu projeto e meus valores", declarou Fillon, considerado moderado politicamente e ultraliberal em economia, a ponto de ser comparado com a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher (1979-90).

Fillon é desde já o candidato favorito à Presidência da França em 2017. Por causa da impopularidade do presidente François Hollande, as pesquisas indicam que o Partido Socialista não passe do primeiro turno, em 23 de abril. No segundo turno, em 7 de abril, o candidato republicano enfrentaria a líder da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen.

Se for eleito presidente, Fillon pretende dar um choque de liberalismo na economia francesa. O seguro-desemprego, por exemplo, deve se tornar regressivo, diminuindo depois de alguns meses de inatividade. Hoje o trabalhador tem direito pelo período em que esteve no último emprego até um limite de dois anos ou de três anos para maiores de 50 anos.

"A pobreza aumenta com o desemprego, então a chave para a recuperação da França é o pleno emprego", afirmou na campanha o candidato republicano.

Outra proposta de Fillon é acabar com os empregos subsidiados, contratos com ajuda para quem oferecer trabalho a jovens, especialmente o primeiro emprego. "Os ditos do contratos do futuro ou de geração custam 1,4 bilhão de euros por ano. Com que resultado?", questiona o ex-primeiro-ministro. "Eles não garantem a inserção no mercado de trabalho e distorcem a concorrência."

Para a diretora do Centro de Estudos do Emprego, Christine Erhel, a avaliação do candidato é "totalmente irrealista". Os contratos do futuro, criados em 2012 para combater o desemprego entre os jovens e dar oportunidade a quem não tem experiência, beneficiam hoje 300 mil pessoas.

O ex-primeiro-ministro considera o atual salário mínimo, de 1.173,43 euros, adequado, mas é contra reajustes automáticos, a não ser para compensar a inflação.

No setor público, Fillon quer aumentar a jornada semanal de trabalho de 35 para 39 horas, um aumento de 10% no tempo trabalhado, e cortar 500 mil empregos, duas vezes mais do que Juppé prometia.

No setor privado, o aumento da jornada semanal seria ainda maior, passando das atuais 35 horas para o limite estabelecido na legislação da União Europeia, 48 horas por semana.

A idade mínima para a aposentadoria vai mudar de 62 para 65 anos. Os regimes de aposentadoria de empregados públicos e privados será harmonizado.

O imposto sobre grandes fortunas será abolido. Fillon o acusa de "provocar fuga de capitais".

Além de cortes de impostos, o candidato republicano pretende "simplificar drasticamente" a Lei do Trabalho da França, mais longa do que a Bíblia, e "recentrá-la sobre as normais sociais fundamentais". Ele promete fazer 50% das compras governamentais de pequenas e médias empresas. Em 2013, foram apenas 27%.

Regime sírio retoma distritos-chaves de Alepo

Com o apoio de bombardeios da Rússia e da Síria, forças leais à ditadura de Bachar Assad reassumiram ontem o controle do distrito de Hanano e hoje de Jabal Badro, no Nordeste de Alepo, a maior cidade do país, informou hoje a televisão pública britânica BBC.

Pelo menos 219 civis morreram na ofensiva, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental que monitora a guerra civil. Cerca de 900 civis fugiram de Jabal Badro antes do assalto final, disseram agências de notícias russas. Estima-se que 275 mil pessoas sobrevivam no Leste de Alepo, dominado pelos rebeldes. Alvo de intensos bombardeios, a região está sem água e sem energia elétrica.

O distrito de Hanano foi o primeiro a ser tomado pelos rebeldes na cidade, considerada a capital econômica da Síria, e era o maior ainda dominado por eles. A retomada dos dois distritos vai permitir às tropas do governo dividir a cidade entre Norte e Sul, apertando o cerco sobre os rebeldes entrincheirados na Zona Leste.

A reconquista de Alepo pode ser um movimento decisivo na guerra civil síria. É a última cidade importante com uma área ainda dominada pelos rebeldes. Tanto a Rússia quanto a ditadura de Assad apostam na vitória na Batalha de Alepo como fundamental para convencer o resto do mundo de que os rebeldes não têm a menor chance de tomar o poder. Mas não significa que os rebeldes e os países que o apoiam vão desistir de derrubar o ditador sírio.

Israel bombardeia Estado Islâmico na Síria

A Força Aérea de Israel bombardeou hoje pela primeira vez milicianos ligados à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, matando pelo menos quatro combatentes da Brigada dos Mártires de Yarmouk, noticiou a agência Reuters.

Os milicianos, entrincheirados do lado sírio da fronteira, atacaram tropas israelenses que patrulhavam as Colinas do Golã, um dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. No contra-ataque, Israel destruiu um conjunto de prédios usados como quartel pelo grupo.

Em mais de cinco anos e meio de guerra civil na Síria, poucas vezes Israel teve de responder a ataques lançados do outro lado da fronteira, mas houve casos de mísseis e bombas que erraram o alvo e acabaram em território israelense.

A maior preocupação de Israel na guerra civil da Síria é atacar as linhas de suprimento da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), um inimigo histórico que pode atacar Israel se sair fortalecida do conflito sírio.