quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Justiça da Coreia do Sul nega prisão de herdeiro da Samsung

Um tribunal distrital do centro de Seul rejeitou hoje um pedido do Ministério Público da Coreia do Sul, para prender Lee Jae Yong, herdeiro e principal executivo da empresa de eletroeletrônicos Samsung, acusado de pagar propina, mentir sob juramento e apropriação indébita.

Em sua decisão, o juiz disse ter dificuldade em "ver a razão, a necessidade e a adequação de uma prisão nesta etapa". Assim, Lee vai continuar solto durante a investigação.

A Samsung é acusada de pagar 43 bilhões de wons, a moeda sul-coreana, cerca de US$ 36 milhões, dentro do escândalo de corrupção que levou ao pedido de impeachment da presidente Park Geun Hye. Sua amiga e confidente usou a intimidade com a presidente para extorquir dinheiro das grandes empresas sul-coreanas.

Depois da aprovação do impeachment na Assembleia Nacional, no mês passado, o Supremo Tribunal da Coreia do Sul tem seis meses para confirmar ou não o afastamento da presidente.

Parlamento prorroga mandato do presidente da Gâmbia

Em mais um agravante para a crise política no país, que está sob ameaça de intervenção militar dos países da Comunidade Econômica da África Ocidental (ECOWAS), o Parlamento da Gâmbia decretou estado de emergência e aprovou hoje a prorrogação por 90 dias do mandato do presidente Yahya Jammeh, que terminaria amanhã.

As forças de segurança foram orientadas a "manter a paz, a ordem e a segurança totalmente".

Depois de reconhecer a derrota para o empresário Adama Barrow na eleição presidencial de 1º de dezembro de 2016, Jammeh voltou atrás e se nega a deixar o poder, que ocupa desde um golpe militar em 1994.

Até agora, todas as tentativas de mediação fracassaram. A ECOWAS, o bloco regional liderado pela Nigéria. pode intervir na Gâmbia a pedido da União Africana com mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Barrow fugiu para o Senegal, onde declarou que pode voltar a qualquer momento para tomar posse.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Divórcio Reino Unido-UE será submetido ao Parlamento Britânico

A primeira-ministra conservadora Theresa May anunciou hoje em discurso a diplomatas estrangeiros na sede do Ministério do Exterior, o rompimento total dos laços entre o Reino Unido e a União Europeia. Ela propôs um acordo de livre comércio com o bloco europeu e prometeu submeter o acordo final ao Parlamento Britânico.

A libra esterlina subiu 2%, depois de cair abaixo de US$ 1,20 nos últimos dias com a expectativa de uma saída dura em que o RU deixe o mercado único europeu, com o qual tem hoje a maior parte de seu comércio exterior.

O mercado aposta assim numa possível reversão do resultado plebiscito de 23 de junho de 2016, quando 52% dos votantes optaram pela saída do Reino Unido da UE.

Para evitar a fragmentação do bloco, os líderes da UE pretendem jogar duro. Se quiser ficar na UE, o RU terá de aceitar a livre circulação de pessoas dos países-membros. Como o controle da imigração foi tema central da campanha vitoriosa no referendo, isso é praticamente impossível.

Sob o argumento de que o centro financeiro de Londres seria abalado, o ministro das Finanças, Philip Hammond, defendeu a permanência no mercado comum. Foi voto vencido. A primeira-ministra rejeitou uma associação parcial em que o país fique "meio dentro, meio fora" do projeto de integração da Europa.

A dívida a ser cobrada do Reino Unido pode chegar de 40 a 60 bilhões de euros. Será um processo longo e doloroso. Na minha opinião, tende a acentuar o declínio e até dividir o país se a Escócia convocar novo plebiscito sobre a independência.

O processo de divórcio deve durar pelo menos dois anos a partir do momento em que a primeira-ministra recorrer ao artigo 50 do Tratado de Lisboa, um dos tratados constitutivos da UE. May deve fazer isso no fim de março.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Libra cai abaixo de US$ 1,20 com expectativa de ruptura Reino Unido-UE

A moeda britânica caiu abaixo de US$ 1,20 hoje diante da expectativa de que a primeira-ministra Theresa May anuncie nesta terça-feira uma ruptura total com a União Europeia e a saída do Reino Unido do mercado único europeu. Depois, subiu um pouco, para US$ 1,2055, mas ainda está no menor nível desde 1985.

Como o controle total da imigração foi um dos temas centrais da campanha pela saída da UE e o mercado único impõe a livre circulação de mercadorias, capital e pessoas, May não tem alternativa e já afirmou que a decisão do plebiscito de 23 de junho de 2016 será mantida.

No pronunciamento de hoje para diplomatas e embaixadores estrangeiros na Lancaster House, sede do Ministério do Exterior, May vai declarar que vai negociar um acordo que não deixe o país "meio dentro, meio fora". Ao mesmo tempo, em tom conciliatória, vai defender a necessidade de "uma parceria positiva e construtiva entre o Reino Unido e a UE."

"Queremos uma parceria entre um Reino Unido global, independente e que se autogoverne e nossos amigos e aliados da UE", diz um trecho do discurso divulgado pelo gabinete da primeira-ministra. "Mas não será com uma associação parcial, como membro associado ou qualquer coisa que nos deixe meio dentro e meio fora."

Trump ataca OTAN e UE em entrevistas a jornais europeus

Em mais um sinal de ruptura com a política externa dos Estados Unidos e a ordem internacional liberal do pós-guerra, o presidente eleito, Donald Trump, declarou em entrevista publicadas domingo na Europa que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é obsoleta e que a União Europeia é um instrumento da Alemanha.

A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, repudiou as alegações e seu ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, advertiu Trump para os riscos do protecionismo e de ser condescendente com a agressividade da Rússia de Vladimir Putin.

MP da Coreia do Sul pede prisão de herdeiro da Samsung

Como parte do escândalo de corrupção que gerou um processo de impeachment contra a presidente Park Geun Hye, o Ministério Público da Coreia do Sul pediu hoje a prisão do herdeiro e presidente na prática da Samsung, Lee Jae Yong.

Os procuradores especiais encarregados do caso investigam se a Samsung, hoje a maior fibricante de produtos eletroeletrônicos do mundo, pagou propina para obter o apoio do governo para a fusão de duas subsidiárias, em 2015.

Lee Jae Yong é acusado de pagar propina, apropriação indébita e de mentir sob juramento. O pedido de prisão será examinado pela Justiça sul-coreana na quarta-feira. Deve ser seguido de uma denúncia com acusações formais.

Ao admitir que a prisão terá impacto sobre a economia do país, um porta-voz do procurador especial argumentou que "é mais importante obter justiça". A Samsung é responsável por cerca de um terço do valor das ações negociadas na Bolsa de Valores de Seul.

Em sua defesa, a empresa negou "ter feito contribuições para receber favores" e rejeitou "o argumento do procurador especial de que a Samsung fez pedidos indevidos relacionados à fusão de subsidiárias da Samsung."

No mês passado, a Assembleia Nacional da Coreia do Sul aprovou o impeachment da presidente por causa de sua amiga e confidente Choi Soon Sil, acusada de usar a intimidade com Park Geun Hye para tomar dinheiro de grandes empresas sul-coreanas para projetos pessoais. O Supremo Tribunal tem seis meses para confirmar ou não o afastamento da presidente.

A Samsung é suspeita de ter pago suborno no valor de 43 bilhões de wons sul-coreanos, cerca de US$ 36 milhões ou R$ 116 milhões.

"Acreditamos que a propina esteja ligada à presidente", declarou o porta-voz do procurador especial, afirmando ter provas de que Park e a amiga de beneficiaram do dinheiro.

Para a Samsung, maior fabricante mundial de telefones celulares, é mais um golpe. No momento, a empresa tenta se recuperar do abalo sofrido com a retirada de circulação do Galaxy S7, proibido de entrar nos aviões de várias companhias aéreas depois de explosões de bateria capazes de provocar incêndios.

Além de ser o principal executivo e fazer o microgerenciamento da empresa, Lee é o grande estrategista e a imagem pública da companhia. Sua eventual condenação criaria um problema sucessório.

O MP sul-coreano denunciou hoje o presidente do Serviço Nacional de Pensões, Moon Hyung Pyo, acusado de abuso de autoridade e de mentir sob juramento por supostamente ter ordenado que o terceiro maior fundo de pensão do mundo, de US$ 430 bilhões (R$ 1,116 trilhão), aprovasse a fusão. O SNP tem uma participação de 11% na Samsung C&T Corporation e não comentou a denúncia.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Presidente eleito da Gâmbia foge para o Senegal

O empresário Adama Barrow, eleito presidente da Gâmbia, fugiu para o vizinho Senegal, no Leste da África, noticiou hoje a agência Reuters. Depois de reconhecer a derrota, o atual presidente, Yahya Jammeh, voltou atrás e se nega a deixar o poder, que ocupa desde um golpe militar em 22 de julho de 1994.

Ao virar a mesa, o ditador jogou o país numa crise, diminuindo a expectativa de democratização numa região marcada pelo autoritarismo.

Barrow tem o apoio do Ocidente e da União Africana. Ele deveria tomar posse em 19 de janeiro de 2017. Jammeh recorreu ao Supremo Tribunal alegando fraude eleitoral.

Uma missão de mediadores da África Ocidental liderada pelos presidentes da Nigéria, Muhammadu Buhari, e da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, não conseguiu negociar uma solução. O diálogo dentro da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas, do inglês) também fracassou.

Se o ditador se negar a deixar o cargo, o grupo deve pedir autorização formal à União Africana e às Nações Unidas para intervir militarmente na Gâmbia, revelou na semana passada o enviado especial da onu para a África Ocidental e o Sahel,.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Forças especiais do Iraque avançam na Universidade de Mossul

Comandos de operações especiais das forças de segurança do Iraque expulsaram hoje os milicianos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante da maior parte do campus da Universidade de Mossul, noticiou a agência Reuters.

Com a cobertura de bombardeios aéreos da coalizão de 65 países liderada pelos Estados Unidos, unidades especiais da polícia e da 9ª Divisão Blindada do Exército do Iraque avançaram pela margem sudeste do Rio Tigre, tomando a região de Yarimja.

O diretor do Serviço Antiterrorismo declarou que as forças governamentais vão logo assumir o controle de toda a margem oriental do rio.

Também hoje, a polícia reassumiu o controle da rodovia Mossul-Kirkuk. Pelo menos 30 civis teriam sido mortos numa tentativa da coalizão aérea liderada por Washington de matar um líder do Estado Islâmico.

Desde o inicio da ofensiva para retomar Mossul, o Exército do Iraque e milícias aliadas enfrentam feroz resistência dos terroristas, que conquistaram a segunda maior cidade iraquiana em 10 de junho de 2014.

Canceroso desafia republicano e elogia plano de saúde de Obama

Durante um debate público no formato de assembleia de cidadãos organizado pela TV americana CNN, um sobrevivente de câncer enfrentou quinta-feira à noite o presidente da Câmara dos Representantes, o deputado ultradireitista Paul Ryan, e elogiou o presidente Barack Obama, afirmando que o programa de cobertura universal de saúde do atual governo salvou sua vida.

O Partido Republicano fez oposição sistemática nos oito anos de governo Obama. Seu programa de saúde foi aprovado nos primeiros anos de governo, quando o Partido Democrata tinha maioria nas duas casas do Congresso. Desde então, os republicanos tentam revogá-lo sem apresentar uma proposta alternativa.

Pelo menos 20 milhões de americanos passaram a ter seguro-saúde com base no programa de saúde que Ryan chamou de "fracassado", informou o boletim de notícias PoliticusUSA. Sem maioria suficiente no Senado para revogar a lei, os republicanos pretendem esvaziar o financiamento do programa.

Jeff Jeans declarou que foi republicano a vida inteira, participou das campanhas presidenciais de Ronald Reagan e George H. W. Bush, o pai, e era contra o programa de saúde de Obama. Aos 49 anos, foi diagnosticado com câncer. Os médicos lhe deram seis semanas de vida.

"Graças à Lei de Cobertura de Saúde Acessível, eu estou vivo hoje aqui", disse Jeans. "Precisei da Lei de Cobertura de Saúde Acessível para comprar meu próprio seguro-saúde. Como vocês pretendem acabar  com a lei sem encontrar uma substituição?"

Visivalmente constrangido, o presidente da Câmara, principal líder do Partido Republicano depois do presidente eleito, Donald Trump, respondeu: "Não vamos fazer isso. Queremos substituí-la por algo melhor. Em primeiro lugar, estou feliz porque você está aqui de pé.

Jeans fez questão de voltar ao microfone para elogiar o programa de cobertura universal de saúde de Obama: "Eu queria agradecer ao presidente Obama do fundo do coração porque eu estaria morto se não fosse ele."

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Bandeira do Iraque tremula na sede do governo provincial em Mossul

O Exército do Iraque e milícias aliadas retomaram hoje a sede do governo da província de Nínive, na cidade de Mossul, e hastearam a bandeira do país, noticiou a televisão saudita Al Arabiya citando como fonte um alta funcionária do Departamento da Defesa dos Estados Unidos. Mossul estava sob o controle da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante desde 10 de junho de 2014.

A atual secretária adjunta da Defesa para questões internacionais, Elissa Slotkin, acrescentou em entrevista coletiva realizada hoje no Pentágono, na Virgínia, que uma equipe de ligação das Forças Armadas dos EUA está em contato com a Turquia.

O Exército da Turquia invadiu o Norte da Síria a pretexto de combater o Estado Islâmico, mas também quer evitar a união de territórios curdos da Síria e do Iraque para criar o Curdistão, que reivindicaria soberania sobre a região Sudeste da Turquia, de maioria curda.

"Estamos engajados em bases permanentes, hora a hora, com os turcos na campanha contra o Estado Islâmico na Síria", declarou Slotkin. "Temos uma equipe de ligação residente em Ancara. Eles estão totalmente engajados na coalizão de 65 países liderada pelos EUA na guerra contra o Estado Islâmico."

Com a derrota inevitável em Mossul, o Estado Islâmico perde na prática sua base territorial no Iraque, enquanto a ofensiva na Síria se aproxima de Rakka, a capital do Califado proclamado pelo líder Abu Baker al-Baghdadi em junho de 2014, depois da conquista de Mossul.

Sem território, o Estado Islâmico deixa de ser um protoestado e volta a ser apenas um grupo terrorista, o que não o torna menos perigoso.

Grupos armados tomam ministérios na Líbia

Grupos armados ocuparam vários ministérios, entre eles Defesa, Economia e Justiça, ontem em Trípoli, a capital da Líbia, informou a televisão saudita Al Arabiya. São milícias ligadas do Congresso Nacional Geral, o primeiro parlamento eleito depois da queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011.

Com três governos rivais disputando o poder, o Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente vai perdendo força diante das milícias da cidade de Missurata que apoiam o CNG e do Exército Nacional da Líbia que o marechal Khalifa Hifter tenta criar.

A Líbia pós-Kadafi é um país dividido em estado de anarquia, um foco de instabilidade no Norte da África com grandes repercussões em países miseráveis mais ao sul e no Oriente Médio.

Vários países do Sahel enfrentam rebeliões lideradas por extremistas muçulmanos com armas e treinamento líbios. Sob pressão no Oriente Médio, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante tentou instalar uma base em Sirte, a cidade natal de Kadafi.

Obama acaba com direito automático de asilo para cubanos nos EUA

Em mais um passo para normalizar as relações com Cuba, o presidente Barack Obama revogou ontem com efeito imediato uma política de imigração de mais de duas décadas conhecida como pé molhado, pé seco, que garantia automaticamente o direito de asilo nos Estados Unidos para cubanos que pisassem em solo americano.

O fim da medida era uma antiga reivindicação do regime comunista de Cuba e também da comunidade asilada nos EUA, que não quer ser confundida com os atuais migrantes, que considera migrantes econômico e não refugiados políticos.

Só em 2016, mais de 50 mil cubanos que chegaram sem visto foram admitidos nos EUA, informou o jornal The Washington Post. Desde a vitória da revolução liderada por Fidel Castro, em 1º de janeiro de 1959, cerca de 2 milhões de cubanos fugiram para os EUA

Sob o pretexto de que era uma política "formulada para outra era", a Guerra Fria, Obama tenta consolidar o reatamento das relações com Cuba, anunciado em dezembro de 2014, que está sob a ameaça.

A equipe de segurança nacional linha-dura do presidente eleito, Donald Trump, que assume o cargo em 20 de janeiro, promete revisar os acordos com Cuba e o Irã, este último para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano, evitando que o país desenvolva armas atômicas.

O atual presidente também acabou com a tramitação rápida de pedidos de entrada de pessoal médico cubano em missões internacionais interessado em se refugiar nos EUA.

"A mudança na política essencialmente acaba com a Lei de Ajuste em Cuba, de 1966, que presumia que os cubanos eram refugiados políticos que precisavam de proteção e permitia aos que permanecessem nos EUA por mais de um ano o direito de pedir de residência legal", observaram Julie Hirschfeld Davis e Frances Robles no jornal The New York Times.

Como o reatamento com Cuba não foi aprovado pelo Congresso, onde o Partido Republicano tinha e manteve a maioria na Câmara e no Senado, o presidente Trump está numa posição que lhe permite anular os acordos se o regime comunista cubano rejeitar sua proposta de renegociação. Basta revogar os decretos de Obama.

A reforma do regime comunista cubano está em andamento com as políticas de Raúl Castro que autorizaram a criação de pequenos negócios como bares, restaurantes, oficinas mecânicas e outros tipos de serviços.

O futuro de Cuba está numa reforma rumo à economia de mercado mais no estilo da Europa Oriental do que de países como a China e o Vietnã, que mantiveram o modo de governar comunista enquanto adotam a economia de mercado.

Se o governo Trump jogar duro como tudo indica, para agradar a sua base parlamentar de ultradireita, na contramão de Obama, tende a retardar a abertura política e econômica do regime cubano, que terá uma mudança de gerações em 2018, quando Raúl promete entregar o poder depois de 59 anos de ditadura dos irmãos Castro.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Trump começa com apoio de apenas 37%

A dez dias da posse, em 20 de janeiro, o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha o apoio de 37% do eleitorado, indica uma pesquisa divulgada na terça-feira pela Universidade Quinnipiac, enquanto 51% desaprovam a maneira como o magnata imobiliário está conduzindo a transição.

Em comparação, o presidente Barack Obama tinha o apoio de 63,3% dos americanos quando chegou 'a Casa Branca, em 20 de janeiro de 2009.

Ontem à noite, em seu discurso de despedida, em Chicago, onde começou sua carreira política, Obama destacou os sucessos de seu governo: a recuperação da economia e da indústria automobilística americanas, a mais longa sequência de geração de empregos da história, o desemprego de apenas 4,7%, o acesso de mais de 30 milhões de pessoas a seguros de saúde, a morte de Ossama ben Laden, o acordo para desarmar o programa nuclear do Irã sem disparar um tiro e o reatamento com Cuba.

"Se há oito anos, eu tivesse prometido tudo isso, diriam que minhas metas eram altas demais. Mas, sim, nós podemos", afirmou, repetindo o discurso da campanha. "Sim, nós fizemos. Vocês fizeram."

Obama omitiu os fracassos, como a guerra civil na Síria ou a impossibilidade de negociar a paz entre palestinos e israelenses. E advertiu para o risco do radicalismo e do divisionismo na política interna dos EUA. Sem se referir uma única vez a Trump, alertou para a ameaça do racismo e para a guetização provocada pelas redes sociais, onde cada vez mais as pessoas recebem mensagens concordando com o que pensam sem se questionar com posições adversas.

Trump é o anti-Obama. Elegeu-se com um discurso sobre um país decadente assolado pela criminalidade e pela violência muito diferente dos EUA de hoje, Ganhou no Colégio Eleitoral, mas perdeu na votação popular por mais de 2,8 milhões de votos.

O atual presidente fez questão de dizer que as relações raciais são melhores hoje do 10, 20 ou 30 anos atrás, O presidente eleito, que faz da mentira uma de suas armas prediletas, diz que nunca foram tão ruins, esquecendo da escravidão e da segregação existente até os anos 1960s.

Em sua primeira entrevista coletiva como presidente eleito, Trump ficou na defensiva. Teve de responder a mais um escândalo. Um relatório de inteligência produzido por um agente inglês declara que o serviço secreto da Rússia filmou Trump em orgias sexuais com prostitutas num hotel em Moscou para usá-las contra o futuro presidente dos EUA.

O dossiê não foi considerado "substanciando" pelos serviços secretos dos EUA, que mesmo assim apresentaram relatório sobre o caso a Obama e Trump. O sítio Buzzfeed o publicou, enquanto a rede de televisão CNN e outros meios de comunicação mais criteriosos não revelaram o conteúdo por não conseguirem confirmar as alegações.

Mesmo assim, Trump investiu contra um repórter da CNN, em mais um espetáculo de arrogância, prepotência, desrespeito à liberdade de expressão, à Constituição e ao povo dos EUA. Não admira que comece com popularidade tão baixa. A dúvida é se vai conseguir governar com tantos conflitos de interesses e desrespeito pelas regras básicas do jogo democrático.

O bilionário apresentou uma advogada e uma série de documentos transferindo a administração de suas empresas para seus filhos, prometendo demiti-los como no programa de televisão O Aprendiz, que apresentava nos EUA.

É o primeiro presidente da era dos reality shows, um mestre do espetáculo com pouco conteúdo, a ser testado em breve no cargo mais poderoso da Terra.