quinta-feira, 23 de novembro de 2017

ONU convida Brasil para missão de paz na República Centro-Africana

As Nações Unidas convidaram ontem oficialmente o Brasil a integrar a força internacional de paz na República Centro-Africana, um país sem governo estável, que fica no coração da África, na região do Sahel, ao Sul do Deserto do Saara, onde há atividade de extremistas muçulmanos da Mauritânia à Somália, passando pelo Mali, Nigéria, Níger, Chade, Camarões, Etiópia e Somália, e armas em abundância da guerra civil na Líbia.

"Será muito mais difícil", admitiu hoje o general Ajax Porto Pinheiro, último comandante da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), chefiada pelo Brasil desde seu início, em 2004, até seu encerramento, em outubro de 2017. Ele fez um balanço da operação hoje na sede da ONU, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro.

Com entusiasmo e olhar no futuro, o general declarou que "o Haiti é passado". Pinheiro chegou ao país como coronel no pior momento da história recente do país, logo depois de terremoto de 12 de janeiro de 2010, que matou de 200 a 300 mil pessoas. O país virou uma "república das organizações não governamentais", comentou o general Pinheiro. "Eram 300 antes do terremoto, 20 mil depois."

Apesar da promessa de ajuda de US$ 10 bilhões para a reconstrução do Haiti depois do terremoto, mais uma vez a sociedade internacional ficou devendo. "O país melhorou muito. A capital, Porto Príncipe, é um exemplo: ruas asfaltadas, canais drenados, a economia reagiu, há novos hotéis turísticos, mas não foi o que foi prometido", constatou.

"No primeiro impacto, todos querem ajudar. Surgem outros problemas e os recursos não chegam. Depois do furacão Matthew, no ano passado, não houve a mesma ajuda. O centro da cidade, já degradado, continua abandonado. O aeroporto melhorou e o porto é melhor do que antes", avaliou.

Na sua opinião, "o Haiti precisa de um projeto socioeconômico com energia, reflorestamento e controle da natalidade, um verdadeiro Plano Marshall", referência à reconstrução da Europa financiada pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial.

Sua missão inicial, em 2010, era colaborar na realização de eleições. Com a tragédia, em que morreram soldados e oficiais brasileiros, a tropa precisou prestar ajuda humanitária. "As eleições duraram um ano e meio. Passei por quatro eleições, dois furacões e um terremoto", recordou.

"O Exército não foi para o Haiti para controlar a Cité Soleil", uma favela de Porto Príncipe, para treinar para ocupar favelas na periferia das grandes cidades brasileiras. "Fomos pacificar o país e evitar uma guerra civil", enfatizou o ex-comandante da missão da ONU no Haiti

Para ser um soldado da ONU, é preciso respeitar rigorosamente as regras da organização. Em seu preparo, o general e toda a tropa tiveram de estudar a trágica e tumultuada história do Haiti, uma colônia francesa onde os escravos se revoltaram em 1791, dois anos depois da Revolução Francesa de 1789. Depois que Napoleão assumiu o poder, em 1803, a França entrou em guerra com o governo revolucionário.

Os haitianos ganharam, mas logo começaram a brigar entre si pelo poder. "Jean-Jacques Dessalines se proclamou imperador. O país foi dividido em dois: Henri Christophe, no Norte, e Alexandre Pétion, no Sul." Isolado pelo resto do mundo, o país destruiu seus recursos naturais, suas florestas e fontes de água doce.

É hoje o país mais pobre da América, com produto interno bruto de US$ 9 bilhões, assolado por secas, enchentes, furacões e terremotos, "sem água, sem energia, sem infraestrutura e sem empregos", observou o ex-comandante da Minustah.

Num paralelo com a República Centro-Africana, o ditador Jean-Bédel Bokassa se coroou imperador com uma pompa napoleônica. De 1965 até uma intervenção militar da França, em 1979, o país se chamou Império Centro-Africano.

Durante a Guerra Fria, o Haiti foi governado pelo ditador François Duvalier (1957-71), o Papa Doc, e suas gangues de assassinos os Tontons Macoutes. Ele foi sucedido pelo filho Jean-Claude Duvalier (1971-86), o Baby Doc. Desde 1986, o Haiti teve 15 presidentes.

Em fevereiro de 1991, o padre Jean-Baptiste Aristide assumiu como primeiro presidente eleito da história do país. Seu governo durou sete meses. Foi derrubado pelo comandante das Forças Armadas, general Raoul Cédras, hoje exilado no Panamá.

Sob pressão dos EUA, os militares devolveram o poder a Aristide em 1994. Ele presidiu o Haiti até 1996. Foi sucedido por René Préval (1996-2001), na primeira transição de poder democrática da história do país.

Reeleito em 2001, Aristide governou até 2004. Caiu sob pressão dos Estados Unidos e da França, em meio a uma rebelião de paramilitares liderada por Guy Philippe. Aristide havia dissolvido as Forças Armadas em 1995, mas os ex-militares continuavam conspirando.

Em plena invasão do Iraque por ordem do presidente George W. Bush, os EUA pediram ao Brasil que assumisse o comando da missão de estabilização do Haiti. Uma das primeiras preocupações dos militares brasileiros foi fazer um plano para impedir um assalto das forças de Philippe à capital haitiana.

As eleições que Pinheiro ajudaria a organizar, previstas para 28 de fevereiro de 2010, foram realizadas em 28 de novembro, e o segundo turno em 20 de março de 2011. A vitória do cantor pop Michel Martelly foi anunciada em 21 de abril.

Ao todo, mais de 27 mil militares brasileiros estiveram no Haiti, mais do que os 25 mil que participaram da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. "Foi o maior envio de tropas ao exterior desde a Guerra da Tríplice Aliança", mais conhecida como Guerra do Paraguai (1864-70). Vinte e cinco brasileiros morreram, inclusive dois generais; 18 mortes foram no terremoto.

No comando da missão, cargo que ocupou de outubro de 2015 até outubro de 2017, "não tem com quem compartilhar os erros. É um risco diário, o medo de falhar, o medo de Ruanda, onde a ONU ficou devendo."

A missão de paz na República Centro-Africana ocorre sob o espectro da Síndrome de Ruanda, onde um batalhão da ONU não foi capaz de impedir o genocídio de 800 mil pessoas de abril a junho de 1994.

Depois do Haiti, Pinheiro acredita que o Brasil está preparado: "É precisa ser adaptável. Os soldados  brasileiros se integram bem, são adaptáveis, estão sempre de bom humor e não cometemos nenhum abuso sexual, o que desmoraliza a tropa."

O comandante, acrescentou, precisa de liberdade para agir, tem de ter iniciativa, não pode consultar a ONU a cada decisão: "É preciso passar do planejamento à execução em pouco tempo."

Ajax Pinheiro gostaria de aumentar o período de permanência dos soldados no exterior de seis para nove meses: "Quando as tropas estão preparadas, conhecem o Sistema ONU, têm de voltar."

"A profissão militar é arriscada. Exige grande motivação. Na República Centro-Africana, eles podem ficar 4 a 6 meses longe da base, como uma tropa expedicionária, como fazemos na Amazônia", ponderou o ex-comandante da Minustah.

"Os soldados brasileiros vão desembarcar na República de Camarões, viajar mais mil quilômetros por terra até a República Centro-Africana e mais 400 km até a base. Vão atuar no campo. Vai ter pane. Vai haver ataques. Eles vão ficar sem comunicações. Vai morrer gente", previu o general.

"Soldado de força de paz tem ser bom atirador", advertiu. "Não pode errar o primeiro tiro. Tem de ter bom condicionamento físico. Não pode ter problema de saúde. Não cheguem como salvadores da pátria. Tenham menos impulsividade no início."

À espreita, estarão grupos rebeldes como a Séléka, uma aliança de milícia e grupo terrorista majoritariamente muçulmano formado em agosto de 2012. Isso envolve a República Centro-Africana no movimento jihadista num momento de competição entre a rede terrorista Al Caeda e o grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Segundo grupo extremista muçulmano mais assassino, depois do Estado Islâmico, a milícia nigeriana Boko Haram, que jurou lealdade ao Estado Islâmico, age na Nigéria, no Níger, em Camarões e no Chade, enquanto Al Caeda no Magreb (a região muçulmano do Norte da África) atua no Mali e a milícia somaliana Al Chababe ataca na Somália e na Etiópia.

Do outro lado, estão as milícias cristãs conhecidas como Anti-Balaka (Anti-Espada ou Anti-Machete), formadas durante o governo golpista de Michel Djotodia, entre março de 2013 e janeiro de 2014. A Presidência foi entregue à presidente do Parlamento, Catherine Samba-Panza. Depois das eleições de dezembro de 2015 e fevereiro de 2016, venceu o ex-primeiro-ministro Faustin-Archange Touadéra, atual presidente.

No fim de 2014, a República Centro-Africana estava literalmente dividida entre a ex-Séléka (oficialmente dissolvida em 2013), no Nordeste, e a Anti-Balaka, no Sudoeste. Com a desmobilização inicial da Séléka, a Anti-Balaka ficou mais forte. A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional denunciou em 2014 vários massacres que deflagaram a fuga em massa de milhares de muçulmanos.

Em dezembro de 2015, os líderes da ex-Séléka declararam a independência da República de Logone.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Primeiro-ministro Saad Hariri volta ao Líbano e suspende demissão

Dezoito dias depois de anunciar sua demissão pela TV na Arábia Saudita denunciando tentativas de assassinato, o primeiro-ministro Saad Hariri anunciou hoje que suspende sua decisão para discutir o futuro do Líbano com outros líderes políticos.

Hariri voltou ontem a Beirute para participar hoje das comemorações da independência do Líbano, em 1943. A percepção no Líbano é que ele pediu demissão a pedido do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, para pressionar a milícia extremista muçulmana xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada, armada e treinada pelo Irã.

A demissão aumentou a tensão no Líbano, apesar da luta constante do país para não ser contaminado pela guerra civil na vizinha Síria. O líder do Hesbolá, xeique Hassan Nasrallah, e seu aliado, o presidente Michel Aoun, acusaram o regime saudita de sequestrá-lo.

Antes de voltar, Saad Hariri foi à França, a antiga potência colonial, e ao Egito.

Por um acordo para a divisão do poder no Líbano, o presidente é cristão, o primeiro-ministro muçulmano sunita e o presidente do Parlamento muçulmano xiita.

Carniceiro da Bósnia pega prisão perpétua em tribunal da ONU

O Tribunal Especial das Nações Unidas para a Antiga Iugoslávia, com sede em Haia, na Holanda, condenou hoje à prisão perpétua o ex-comandante militar sérvio na guerra contra a independência da Bósnia-Herzegovina (1992-95), general Ratko Mladic, por genocício, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ele protestou aos gritos e foi retirado do tribunal, revelou o jornal inglês The Independent.

Aos 75 anos, o Carniceiro da Bósnia foi condenado, entre outras razões, por dois episódios marcantes da guerra civil da Bósnia, o cerco da capital, Sarajevo, em que mais de 10 mil pessoas foram mortas, e o Massacre de Srebrenica, o pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Ao todo, 100 mil pessoas morreram na guerra.

Cerca de 8 mil homens e adolescentes foram sumariamente executados depois da queda de Srebrenica, que deveria estar sob proteção de uma missão de paz da ONU a cargo de holandeses, em julho de 1995. Mladic foi considerado culpado de 10 das 11 acusações. Seus advogados prometem recorrer.

O alto comissário da ONU para direitos humanos, Zeid Raad al-Hussein, festejou o resultado como "uma vitória importante da Justiça": "Mladic presidiu aos crimes mais sinistros cometidos na Europpa desde a Segunda Guerra Mundial, levando terror, morte e destruição a milhares de vítimas, e tristeza, tragédia e trauma a tantos mais. Sua condenação é um testamento à coragem e à determinação de vítimas e testemunhas que nunca abandonaram a esperança de levá-lo à Justiça."

A sentença é também uma alerta, acrescentou: "O veredito de hoje é uma advertência a quem comete tais crimes de que não vão escapar da Justiça, não importa quão poderosos sejam nem o tempo que leve para pegá-los. Eles serão responsabilizados."

Mladic foi denunciado criminalmente pelo tribunal em 1996. Ele foi preso 15 anos depois, em maio de 2011, em Lazarevo, na Bósnia. Sua prisão era uma exigência da União Europeia para abrir negociações para a adesão da Sérvia.

A maior de todas as seis repúblicas que formavam a Iugoslávia, a Sérvia tinha o controle do Exército federal e resistiu à tentativa de outras repúblicas de proclamar a independência. A primeira foi a Eslovênia, alvo de uma pequena guerra civil porque não tinha quase população sérvia.

Na Croácia, a guerra civil foi mais brutal. Durou quatro anos (1991-95) e foi marcada por cercos e massacres. Mais de 8 mil sérvios e soldados iugoslavos e pelo menos 11,3 mil croatas morreram.

A Bósnia era multiétnica, com 44% de muçulmanos bósnios, 31% de sérvios e 15% croatas. Em todas as guerras civis, as tropas federais, leais ao presidente iugoslavo e líder sérvio Slobodan Milosevic, usaram armas e arsenais escondidos durante a Guerra Fria para tentar submeter os outros povos iugoslavos.

Milosevic morreu em Haia enquanto esperava o julgamento. O presidente da autoproclamada República Sérvia da Bósnia, Radovan Karadzic, foi condenado no ano passado a 40 anos de prisão por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Com a condenação de Mladic, o tribunal especial encerra suas atividades.

Hoje o atual presidente sérvio, Alexander Vucic, declarou que o país "respeita as vítimas" e pediu um olhar para o futuro: "Gostaria de convocar a todos para olhar para o futuro e não se afogar nas lágrimas do passado. Precisamos olhar para o futuro para finalmente termos um país estável."

Presidente de Angola muda cúpula das Forças Armadas

Em mais uma manobra para se consolidar no poder, o novo presidente de Angola, general da reserva João Lourenço, exonerou 19 generais nomeados pelo ex-presidente José Eduardo dos Santos, inclusive o chefe da Casa de Segurança da Presidência, e nomeou 54 oficiais generais para postos estratégicos, informou a Agência Lusa.

João Lourenço, de 62 anos, foi eleito em 23 de agosto. É o terceiro presidente da história de Angola, depois do herói da independência, Agostinho Neto (1975-79), e de seu antecessor, José Eduardo dos Santos (1979-2017), que estava no poder há mais tempo do que o recém-deposto Robert Mugabe, no Zimbábue. Ele continua liderando o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência.

Desde que tomou posse, em 26 de setembro, o novo presidente mudou as direções de empresas estatais de diamantes, minerais, petróleo, comunicação social, bancos comerciais e o Banco Nacional de Angola.

A exoneração mais notória foi de Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 3 bilhões, filha do ex-presidente, da presidente do Conselho de Administração da Sonangol, a estatal de petróleo.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ditador Mugabe renuncia à Presidência do Zimbábue após 37 anos

Seis dias depois do golpe militar que o tirou do poder depois de 37 anos, o ditador Robert Mugabe, de 93 anos, cedeu à pressão das Forças Armadas e do partido do governo e renunciou hoje à Presidência do Zimbábue, noticiou a televisão pública britânica BBC

Em seu lugar, assume o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, o Crocodilo, que há duas semanas o velho ditador tentou trocar por sua mulher, Grace Mugabe.

É o fim melancólico de um herói da independência que virou um ditador, exerceu o poder com crueldade e arrasou a economia, levando o país conhecido como celeiro da África a uma inflação de 500 bilhões por cento ao ano e à miséria generalizada ao armar gangues para tomar à força as propriedades dos brancos.

Na prática, foi um desfecho para a luta pelo poder em torno da sucessão de Mugabe dentro do partido dominante, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF). Mnangagwa teve o apoio decisivo do comandante das Forças Armadas, general Constantino Chiwenga, o homem-forte por trás do trono.

O golpe de 15 de novembro consolidou o poder do grupo dominante no ZANU-PF e afastou os aliados de Grace Mugabe. O ditador foi poupado como uma figura histórica. Em prisão domiciliar, Mugabe recebeu a visita dos generais.

No domingo, o partido tirou o herói da independência da liderança e expulsou sua mulher. Havia a expectativa de que Mugabe anunciaria a renúncia em pronunciamento em rede nacional de televisão. Ele não renunciou e deu a entender que participaria do próximo congresso do partido.

Para aumentar a pressão, os militares e aliados do regime mobilizaram a população, que saiu às ruas para pedir a queda do odiado Mugabe. Semanas antes, a multidão teria sido metralhada pelo Exército.

Diante da resistência do ditador, o ZANU-PF iniciou a abertura de um processo de impeachment. Um grande guerreiro não se entrega. Provavelmente Mugabe sonhasse em morrer no poder. A tentativa de indicar a mulher como sucessora e o afastamento do vice-presidente foram os últimos abusos de poder.

A dúvida agora é se a massa mobilizada para afastar o ditador vai voltar para casa ou vai aderir à campanha da oposição, surpreendida pelo golpe, por eleições antecipadas. Um memorando interno do Departamento de Estado americano vazado anos atrás pelo sítio de pirataria cibernética WikiLeaks expressava o temor de que Mnangagwa fosse ainda mais repressivo do que Mugabe.

Paris e Amsterdã ganham agências europeias pós-Brexit no sorteio

Com a saída do Reino Unido da União Europeia em março de 2017, duas agências europeias deixam Londres e vão para o continente. A Agência Europeia de Medicamentos irá para Amsterdã, a capital da Holanda, e a Agência Bancária Europeia para Paris, na França, noticiou ontem a agência Reuters.

Na votação, Amsterdã empatou com a favorita Milão, a cidade mais rica da Itália. O mesmo aconteceu com Paris e Dublin, a capital da Irlanda, bem votada numa compensação por causa do forte impacto da Brexit (saída britânica) neste país. A decisão foi para sorteio.

A grande derrotada foi Frankfurt, na Alemanha. A cidade-sede do Banco Central Europeu (BCE) sonha em ser o principal centro financeiro do continente com o esvaziamento de Londres. Ficou em terceiro lugar.

O empate em 13-13 entre Amsterdã e Milão se deveu à abstenção da Eslováquia em protesto porque nenhuma agência europeia tem sede nos antigos países comunistas da Europa Oriental, que entraram na UE a partir de 2004.

"É como perder uma final nos pênaltis, lamentou o ministro italiano para a Europa, Sandro Gozi. Deixa "um gosto amargo na boca".

Governo Trump retira proteção temporária a imigrantes do Haiti

O governo Donald Trump deu ontem um ano e meio para saírem do país 50 mil haitianos que vivem nos Estados Unidos sob "proteção temporária" por causa do Terremoto de Porto Príncipe, noticiou o jornal The Washington Post. Mais de 200 mil pessoas morreram no tremor 7 graus na Escala Richter que arrasou a capital do Haiti em 12 de janeiro de 2010.

A decisão anunciada pelo Departamento de Segurança Interna por causa do fim das "condições extraordinárias" que a justificavam agrada ao eleitorado e aos políticos anti-imigração. Eles alegam que o objetivo nunca foi dar residência permanente aos refugiados do terremoto do Haiti.

"Desde o terremoto de 2010, o número de pessoas desalojadas no Haiti caiu 97%", declarou a secretária interina de Segurança Interna, Elaine Duke. "Foram dados passos significativos para melhorar a estabilidade e a qualidade de vida dos cidadãos haitianos, e o Haiti é capaz de receber com segurança o retorno de seus cidadãos."

O Brasil liderou a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), que garantiu a segurança do país de 2004 até outubro de 2017. Depois do terremoto, a sociedade internacional prometeu US$ 10 bilhões ao Haiti.

Quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, esteve no Rio de Janeiro, em junho de 2010, participando do Terceiro Fórum da Aliança de Civilizações, perguntei, em entrevista à TV Brasil, se mais uma vez o mundo iria falir o Haiti.

"Não, de jeito nenhum", reagiu o então secretário-geral. "A paz, a reconstrução e o desenvolvimento do Haiti são prioridades da ONU. Mais uma vez, o Brasil está na vanguarda, liderando esta campanha não apenas financeiramente, mas fornecendo soldados, policiais e o comandante da força de paz da ONU no Haiti. O ex-presidente Bill Clinton e o primeiro-ministro haitiano, Max Bellerive, são co-presidentes da comissão de reconstrução. Vamos construir um Haiti melhor. É nosso compromisso."

Mais uma vez, a sociedade internacional ficou devendo, a julgar pelo número de haitianos que entraram no Brasil e não têm a menor intenção de voltar a seu país de origem.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Chefe do Comando Estratégico dos EUA ameaça recusar ordem de ataque nuclear

O chefe do Comando Estratégico, responsável pelas armas nucleares dos Estados Unidos, general-brigadeiro John Hyten, admitiu no sábado que pode rejeitar uma ordem de ataque de Donald Trump ou outro presidente, se esta ordem for "ilegal".

"Se for ilegal, adivinhem o que vai acontecer. Vou dizer: 'Senhor Presidente, isto é ilegal.' Ele vai perguntar o que seria legal. E eu vou apresentar opções, com base em múltiplas capacidades para responder a qualquer situação. É desse jeito que funciona", declarou o brigadeiro Hyten no Fórum de Segurança Internacional de Halifax, a capital da província da Nova Escócia, no Canadá.

A questão está na ordem do dia por causa das ameaças de um bombardeio nuclear da Coreia do Norte contra os EUA e seus aliados no Leste da Ásia. Hyten revelou ter discutido com Trump possíveis respostas às provações norte-coreanas.

No início do mês, ao depor diante da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o general-brigadeiro Robert Kehler, chefe do Comando Estratégico e 2011 a 2013, afirmou que as Forças Armadas dos EUA tem a obrigação de cumprir apenas da ordens legais.

"Eu penso que algumas pessoas pensam que somos estúpidos. Não somos pessoas estúpidas. Pensamos muito sobre essas coisas. Quando você tem esta responsabilidade, como não pensar a respeito?", comentou Kehler, acrescentando que não obedeceria a uma ordem ilegal: "Você pode ir para a cadeia pelo resto de sua vida." Ou explodir o mundo num holocausto nuclear.

STF do Iraque anula plebiscito sobre a independência do Curdistão

O Supremo Tribunal Federal do Iraque considerou inconstitucional hoje o plebiscito sobre a independência do Curdistão realizado em 25 de setembro de 2017 na região autônoma curda no Norte do país, com 93% de votos a favor, noticiou o canal de notícias francês France 24.

O primeiro-secretário do governo regional curdo, Nechirvan Barzani, prometeu acatar a decisão da Justiça. Seu pai, Massoud Barzani, considerado o principal responsável pela realização do plebiscito, deixa o cargo de governador regional.

Além do governo central do Iraque, o Irã e a Turquia também repudiaram a realização o plebiscito. Um Curdistão independente iria reivindicar mais cedo ou mais tarde a soberania sobre as regiões de maioria curda nestes países.

Uma das missões do STF iraquiano é arbitrar os conflitos entre as regiões do país.

Trump declara Coreia do Norte patrocinadora do terrorismo

Em mais uma medida para isolar o regime comunista de Kim Jong Un, o presidente Donald Trump acaba de anunciar que os Estados Unidos vão incluir a Coreia do Norte na lista de países que patrocinam o terrorismo.

Trump havia indicado que faria isso durante a recente visita à Ásia, ao acusar o ditador norte-coreano pela morte do meio-irmão Kim Jong Nam, assassinado com seringas envenenadas no aeroporto de Kuala Lumpur, a capital da Malásia, em 13 de fevereiro de 2017. Hoje, também citou o estudante americano Otto Wambier, que morreu nos EUA depois de ser torturado na Coreia do Norte e devolvido inconsciente.

A medida impede qualquer contato de cidadãos, governo e empresas dos EUA com a ditadura stalinista de Pionguiangue até que o regime pare de apoiar atos terroristas. O Departamento do Tesouro está preparando novas sanções.

A Coreia do Norte já esteve na lista de países exportadores de terrorismo feita pelo Departamento de Estado americano.

Em 2008, seis anos depois de colocar a Coreia do Norte num "eixo do mal" ao lado do Irã e do Iraque, o então presidente George W. Bush retirou o país da lista de acusados de patrocinar terroristas, na esperança de retomar as negociações para desarmar o programa nuclear norte-coreano.

Os EUA e a Coreia do Norte iniciaram negociações em 1994, por iniciativa do ex-presidente Jimmy Carter, que foi a Pionguiangue se encontrar com o ditador Kim Il Sung, fundador do país, em 1948, e avô do atual ditador neste bizarro comunismo dinástico.

Merkel fracassa ao formar governo e Alemanha pode ter novas eleições

Com a retirada dos liberais-democratas (FDP) das negociações para formar um novo governo na Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel enfrenta sua crise política mais grave em 12 anos no poder. Depois de um mês, ela não conseguiu promover um acordo entre a aliança da União Democrata-Cristã e com a União Social-Cristã (CDU-CSU), que lidera, o FDP e os Verdes.

Os principais pontos de discórdia foram refugiados, migração e mudança do clima. Sem avanços até sexta-feira passada, prazo fixado pela chanceler para chegar um acerto, o líder do FDP, Christian Lindner, abandonou as negociações.

 "É melhor não governar do que governar insinceramente", declarou Lindner. Na sua opinião, o processo "demonstrou que os quatro parceiros não têm uma visão comum do nosso país nem uma base comum de confiança".

Merkel foi obrigada a formar um governo de coalizão depois que a CDU obteve nas eleições de 24 de setembro seu pior resultado desde 1949, nas primeiras eleições da Alemanha Ocidental. Sob pressão do novo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), a aliança CDU-CSU teve apenas 30,2% dos votos.

No domingo, o presidente da Alemanha, o ex-líder do Partido Social-Democrata (PSD) e ex-ministro do Exterior Frank-Walter Steinmeier advertiu para os ricos de novas eleições, que podem fortalecer ainda mais a extrema direita.

Agora, a primeira-ministra pode formar um governo sem maioria parlamentar, que seria frágil, precisando barganhar apoio a cada votação, tentar rearticular a grande coalizão com o SPD ou convocar novas eleições no início de 2018.

No seu primeiro governo (2005-9) e no terceiro (2013-17), Merkel fez alianças com o SPD para ter maioria no Parlamento. Mas aparentemente o SPD prefere novas eleições. Pode ser o fim melancólico da carreira política da mulher apontada como líder do mundo livre depois da ascensão de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.

domingo, 19 de novembro de 2017

Piñera e Guillier vão para o segundo turno no Chile

O bilionário e ex-presidente Sebastián Piñera, da aliança direitista Chile Vamos, venceu hoje o primeiro turno da eleição presidencial chilena, mas terá de disputar o segundo turno, em 17 de dezembro, com o sociólogo, apresentador de televisão e senador socialista Alejandro Guillier, da coalizão Nova Maioria, de centro-esquerda.

Com 99,6% das urnas apuradas, Piñera lidera com 2,408 milhões de votos (36,6%), seguido de Guillier com 1,491 milhão (22,7%) e da jornalista Beatriz Sánchez, da esquerdista Frente Ampla, que dividiu a coalizão que derrubou a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90).

Mais uma vez as pesquisas erraram. Chegaram a dar até 45% das preferências a Piñera e entre 10% e 15% a Sánchez. Ele ficou bem abaixo disso. Ela supreendeu. Está com 1,332 milhão de votos (20,3%).

Os outros cinco candidatos vêm bem atrás. Com 521 mil votos (7,9%), o direitista independente José Antonio Kast já prometeu apoio incondicional a Piñera no segundo turno. A democrata-cristã Carolina Goic reconheceu o mau desempenho, com 386 mil votos (5,9%), e não quis apoiar ninguém. Marco Enríquez-Ominami, um dia considerado uma jovem promessa da política chilena, está em 375 mil votos (5,7%).

Na ultraesquerda, Eduardo Artés, da União Patriótica (UP), prometeu fazer um governo ainda mais radical do que a Unidade Popular de Salvador Allende (1970-73), derruba no golpe do general Pinochet. Tem até agora 33,6 mil (0,5%), enquanto Alejandro Navarro, a aliança País, fecha a fila com 24 mil votos (0,4%).

Como o voto não é obrigatório desde 2012, o comparecimento às urnas foi de 46,5%, menos da metade dos 14 milhões de eleitores inscritos.

Desde a queda da ditadura de Pinochet em 1990, a coalizão liderada por democratas-cristãos e socialistas governou o Chile, com a exceção do primeiro governo Piñera (2010-14). Agora, pela primeira vez, disputou uma eleição presidencial com dois candidatos.

O resultado surpreendente de Beatriz Sánchez fortalece a Frente Ampla, que sextuplicou sua bancada de deputados, e se qualifica para ter uma papel importante no segundo turno. Refazer a aliança anti-Pinochet parece a única maneira de evitar a vitória da direita.

A aliança Chile Vamos obteve 46% das cadeiras na Câmara e as pesquisas sobre o segundo turno apontam a vitória de Piñera.

Mugabe se nega a renunciar e deve sofrer impeachment

Em pronunciamento hoje à noite na televisão, o ex-ditador Robert Mugabe surpreendeu o Zimbábue e não renunciou à presidência do país que governou durante 37 anos até ser deposto num golpe militar na quarta-feira passada.

Mugabe, de 93 anos, foi destituído hoje da liderança da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF). Sua mulher, Grace Mugabe, que pretendia sucedê-lo, foi expulsa do partido.

O ditador tem até amanhã ao meio-dia pela hora local (8h em Brasília) para renunciar. Caso contrário, o Parlamento vai iniciar um processo de impeachment.

O novo líder do partido e do governo é o vice-presidente Emmerson Mnangagwa. Ao afastá-lo, na semana passada, para abrir caminho para sua mulher, Mugabe deflagrou o golpe que o depôs. O outro homem-forte do regime é o ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, que foi a Beijim pedir o aval da China ao golpe branco, sem derramamento de sangue.

Partido tira Mugabe da liderança e o pressiona a renunciar

Depois de uma manifestação de massa organizada ontem pelos militares golpistas, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF) destituiu hoje o ditador Robert Mugabe da liderança do partido e expulsou sua mulher, Grace Mugabe, que pretendia sucedê-lo. O novo líder do partido é o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, afastado na semana passada por Mugabe, o que deflagrou o golpe de Estado.

Mugabe, de 93 anos, estava no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980. Em prisão domiciliar desde quarta-feira, lee negocia seu destino com a mediação da Igreja Católica. Depois de 37 anos no poder, é um líder sem partido e seus principais assessores foram presos pelos militares. Ele faz um pronunciamento pela televisão hoje à noite. A agência Reuters noticiou que ele vai renunciar.

"O partido não pode tirá-lo da Presidência, então o efeito legal da votação é limitado", observou o advogado constitucionalista Fadzayi Mahere.

Se as milhares de pessoas que saíram ontem às ruas de Harare protestassem semanas atrás, provavelmente o Exército abriria fogo contra a multidão. A oposição exige a renúncia de Mugabe e a convocação de eleições antecipadas.

Em 2000, num memorando interno do Departamento de Estado americano vazado posteriormente pelo sítio de pirataria cibernética WikiLeaks, o vice-presidente Mnangagwa foi descrito como "amplamente temido e desprezado através do país", que "pode ser um líder ainda mais repressivo do que Mugabe".

O outro homem-forte do Zimbábue é o ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, que foi a Beijim pedir o apoio da China, maior investidor estrangeiro no país, que sofre boicote das potências ocidentais por causa das violações aos direitos humanos cometidas pela ditadura de Mugabe.

sábado, 18 de novembro de 2017

Divisão da aliança anti-Pinochet ajuda direita a voltar ao poder no Chile

Com o fracasso do segundo governo Michelle Bachelet, assolado pela estagnação econômica e a corrupção, e a divisão da aliança de centro-esquerda que derrubou a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90), o ex-presidente conservador Sebastián Piñera (2010-14) é o favorito na eleição presidencial deste domingo no Chile. Mas terá de disputar o segundo turno em 17 de dezembro.

Pela primeira vez em 30 anos, a coalizão que acabou com a ditadura de Pinochet vai apresentar dois candidatos à Presidência do Chile. O melhor colocado dos dois em pesquisa do instituto Cadem, é Alejandro Guillier (23%), da Nova Maioria. Ele tem a metade das preferências de Piñera (45%), da aliança Vamos Chile, e está bem à frente da esquerdista Beatriz Sánchez (14%), da Frente Ampla.

Ao todo, oito candidatos concorrem à Presidência do Chile. Como o voto não é obrigatório desde 2012, a expectativa é que apenas 6 dos 14 milhões de eleitores chilenos compareçam às urnas amanhã.

Confira os perfis e os programas de cada candidato no jornal chileno La Tercera.

Ex-prefeito de Caracas foge da prisão domiciliar para a Espanha

Depois de uma longa viagem em que fugiu por terra até a Colômbia e de Bogotá tomou um avião para Madri, o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma chegou hoje à Espanha, noticiou o jornal espanhol El País. Ele entrou oficialmente como turista, com o direito de ficar até 90 dias no país.

Logo depois de cruzar a fronteira, da cidade de Cúcuta, Ledezma deu entrevista à Rádio Caracol: "Não dá para perder a esperança. Esta é a grande virtude do povo venezuelano." As autoridades colombianas disseram não haver nenhuma ordem internacional de prisão nem pedido formal de detenção do ex-prefeito.

"Minhas saudações a Antonio Ledezma, referência moral da Venezuela, agora livre para liderar a luta desde o exílio para a instauração de um regime democrático em seu país", escreveu no Twitter o secretário-geral da Organização dos Estados Americano (OEA), Luis Almagro, ex-ministro do Exterior do Uruguai.

Agentes do Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin) cercaram a casa de Ledezma e tentaram invadir a residência durante a madrugada. Tarde demais.

Ledezma, líder da Aliança Povo Bravio, foi preso pela primeira vez em 2015, acusado de incitar à violência durante as manifestações de fevereiro daquele ano, quando pelo menos 43 pessoas foram mortas, a maioria, suspeita-se, devido à ação das forças de segurança governamentais e das milícias populares aliadas ao regime chavista.

Depois de ficar quatro meses na prisão militar de Ramo Verde, por motivos de saúde, o ex-prefeito foi para prisão domiciliar. Foi detido de novo em Ramo Verde por três dias em agosto por defender o boicote à Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo ditador Nicolás Maduro para tirar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem ampla maioria.

Primeiro-ministro demissionário do Líbano chega a Paris

Duas semanas depois de sua surpreendente demissão anunciada pela televisão de Riade, na Arábia Saudita, o primeiro-ministro demissionário do Líbano, Saad Hariri, chegou hoje em Paris, onde foi recebido pelo presidente da França, Emmanuel Macron, informou a televisão France 24.

Antiga potência colonial, a França convidou Hariri, que estaria sendo usado pelo novo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, na sua guerra indireta contra o Irã pela disputa da liderança regional no Oriente Médio.

Ao anunciar sua demissão, em 4 de novembro de 2017, Hariri acusou o Irã e a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus) de tentar matá-lo. Seu pai, Rafik Hariri, foi morto num atentado atribuído aos serviços secretos da Síria em fevereiro de 2005. Ele fez fortuna quando morava na Arábia Saudita, onde nasceu Saad.

O líder do Hesbolá, xeique Hassan Nasrallah, acusou o governo saudita de sequestrar Saad Hariri, que é muçulmano sunita. O presidente libanês, Michel Aoun, um cristão aliado do Hesbolá repetiu a acusação nos últimos dias.

Macron foi a Riade encontrar Hariri e o príncipe MbS. Depois de encontro com o presidente francês em Paris, o primeiro-ministro declarou que vai voltar a Beirute para a festa da independência nacional, em 22 de novembro, e discutir a situação política com Aoun.

"Com respeito à situação política no Líbano, vou a Beirute nos próximos dias, vou participar das celebrações da independência, e é lá que vou tornar conhecidas minhas posição nestas matérias, depois de encontrar o presidente Aoun", anunciou Hariri.

Antes de sair da Arábia Saudita, Hariri negou ter sido mantido no país contra sua vontade.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Aprovação do governo Trump atinge novo recorde de baixa

Depois de três meses seguidos de queda, a popularidade do presidente Donald Trump atingiu novo limite inferior na pesquisa do Instituto Harris e da Universidade de Harvard. Enquanto 41% aprovam, 59% desaprovam o trabalho de Trump na Presidência dos Estados Unidos.

Outra pesquisa, da RealClear Politics, apontou aprovação de apenas 38%. Nesta pesquisa, Trump tinha o apoio de 45% em setembro e 42% em outubro. O presidente obteve o melhor resultado em março: 49%.

Mas o eleitorado que levou Trump à Casa Branca continua fiel. Cerca de 79% dos republicanos e 86% de seus eleitores aprovam o desempenho do presidente. Entre os independentes, a popularidade cai para 38%. Entre democratas, negros e eleitores de Hillary Clinton, a rejeição é quase total.

O prestígio dos republicanos no Congresso é muito pior. Cai para 28% e 52% entre o eleitorado do partido.

Em 301 dias de controle sobre a Casa Branca e o Capitólio, o Partido Republicano não obteve nenhuma vitória legislativa importante. No momento, prepara um megacorte de US$ 1,5 trilhão nos impostos dos ricos e das grandes empresas.

A maioria dos entrevistados (54%) é contra a reforma fiscal republicana e acredita que suas finanças serão prejudicadas. Enquanto 75% dos republicanos apoiam, 77% dos democratas e 56% dos independentes são contra.

Mais da metade é pessimista; 58% veem os EUA indo na direção errada. Mas há otimismo relativo quanto à economia, com 45% achando que vai indo bem enquanto 37% entendem que não está em bom caminho.