quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Ex-presidente de Israel Shimon Peres morre aos 93 anos

O ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Israel Shimon Peres morreu hoje aos 93 anos. Era o último líder da geração que fundou o Estado de Israel, em 1948. Foi um dos principais defensores das negociações de paz com os palestinos. Peres ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1994, mas jamais venceu uma eleição, talvez por nunca ter sido militar e não ser considerado suficientemente linha dura.

Shimon Peres nasceu em Wiszniew, na Polônia, hoje parte da Bielorrússia, em 2 de agosto de 1923. Sua pai era comerciante de madeira e a mãe, bibliotecária. A família falava hebreu, iídiche e russo em casa. Na escola, aprendeu polonês e mais tarde inglês e francês.

Em 1932, o pai de Peres emigrou para a Palestina e se instalou em Telavive. O resto da família se juntou a ele em 1934. Os parentes que ficaram na Polônia foram mortos no Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial.

Na juventude, Peres aderiu ao movimento trabalhista, decisivo na criação de Israel, em 1948. Aos 29 anos, foi nomeado ministro da Defesa pelo fundador e primeiro primeiro-ministro israelense, David ben Gurion. Ele negociou a compra de aviões de guerra franceses e instalou a central atômica de Dimona, essencial para o desenvolvimento das armas nucleares de Israel.

Como diplomata, Peres negociou o apoio do Reino Unido e da França a Israel na Guerra de Suez, em 1956, tornando a França na principal aliada de Israel. Na Guerra dos Seis Dias, quando a Força Aérea de Israel destruiu as aviações inimigas em terra, os bombardeios foram realizados por jatos Mirage franceses.

Só a partir da Guerra do Yom Kippur, em 1973, sob a influência de Henry Kissinger, os Estados Unidos se tornaram o principal aliado de Israel.

Em 1977, o partido conservador Likud derrotou o Partido Trabalhista, que voltaria ao poder com Peres por dois anos (1984-86) numa grande aliança e como partido dominante em 1992 sob a liderança de Yitzhak Rabin, que junto com Peres resolveu negociar a paz com os palestinos nos Acordos de Oslo, que criaram a Autoridade Nacional Palestina (ANP) em 1994.

Peres, Rabin e o líder palestinos Yasser Arafat foram agraciados com o Prêmio Nobel da Paz em 1994. Quando um terrorista israelense de extrema direita matou o primeiro-ministro Rabin, em novembro de 1995, Peres voltou à chefia do governo, mas perdeu as eleições do ano seguinte para o atual primeiro-ministro, o linha dura Benjamin Netanyahu, que paralisou o proceso de paz.

A próxima tentativa de negociar a paz coube ao primeiro-ministro trabalhista Ehud Barak (1999-2001), em 2000, no fim do governo Bill Clinton. Sua queda levou ao poder o arquilinha dura Ariel Sharon, que decidiu abandonar o Likud e criar um partido mais ao centro chamado Kadima (Avante) para negociar a paz, com o apoio de Peres, que aderiu ao novo partido.

Vítima de um acidente vascular cerebral, Sharon ficou inconsciente em 4 de janeiro de 2006. Seus sucessores no Kadima, Ehud Olmert e Tzipi Livni, não conseguiram apoio eleitoral para levar a frente o plano de paz de Sharon. O atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e seus atuais aliados não mostram interesse real em negociar a paz com os palestinos.

Em 2007, Peres foi eleito presidente de Israel, um cargo decorativo de chefe de Estado que ocupou até 2014. Ele sofreu um acidente vascular cerebral em 13 de setembro de 2016, dia do histórico aperto de mão entre Rabin e Arafat no jardim da Casa Branca, em Washington, em 1993, e não se recuperou.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Jihadista pega 9 anos de prisão por destruir mausoléus no Mali

Em decisão histórica, o Tribunal Penal Internacional (TPI) condenou hoje pela primeira vez um acusado de crimes contra o patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. 

O jihadista arrependido Ahmad al-Faki al-Mahdi foi condenado a nove anos de prisão por destruir mausoléus e a porta de uma mesquita do século 14 no Mali, um país do Leste da África.

"Considerando especialmente sua participação direta em numerosos incidentes e seu papel de porta-voz" de grupos extremistas muçulmanos que ocuparam o Norte do Mali em 2012, o júri presidido pelo juiz Raul Pangalangan o declarou culpado.

De 30 de junho a 11 de julho de 2012, Al-Mahdi liderou ataques contra nove mausoléus e contra a porta da mesquita de Sidi Yahia. O salafismo, a base ideológica da "guerra santa islâmica", considera idolatria qualquer obra de arte que tenha imagens de homens e animais, assim como a veneração de mortos, daí a destruição dos túmulos sufistas.

Timbuktu era um importante centro comercial na rota das caravanas que circulavam entre o Egito e o Golfo da Guiné. Tem uma das mais importantes bibliotecas da Idade Média, manuscritos que foram ameaçados pelos jihadistas que dominaram o Norte do Mali até uma intervenção militar da França no início de 2013.

Até republicanos admitem vitória de Hillary no primeiro debate

Depois de avançar nas pesquisas nas últimas seis semanas, o bilionário Donald Trump tinha a chance de virar o jogo ontem à noite, mas foi amplamente derrotado pela ex-secretária de Estado Hillary Clinton no primeiro debate dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Até os republicanos reconhecem a vitória de Hillary, como indicam pesquisas e grupos de eleitores indecisos.

Em pesquisa da rede de televisão CNN, 62% deram a vitória a Hillary e 27% a Trump. De acordo com o instituto de pesquisas Public Policy Polling, a democrata venceu por 50% a 41%.

Em um painel de especialistas da revista Politico.com, 99% dos democratas e 57% dos republicanos viram vantagem para a ex-secretária de Estado.

Na Flórida, de um grupo de 20 indecisos convidados pela CNN, 18 gostaram mais da democrata.

O pesquisador republicano Frank Luntz reuniu um grupo de indecisos em outro estado decisivo na eleição presidencial de 8 de novembro, a Pensilvânia. Só cinco preferiram Trump contra 15 para Hillary.

Em Ohio, de um grupo de 29 indecisos, 11 declararam uma tendência de votar em Hillary em 8 de novembro e o resto continua sem saber. Ninguém decidiu votar em Trump. Há décadas, nenhum republicano chega à Casa Branca sem vencer em Ohio.

O Partido Republicano espera que a vitória da democrata no primeiro debate não tenha grande impacto nas pesquisas e que seu candidato se recupere nos outros dois.

Hillary tem ampla vitória no primeiro debate com Trump

Com firmeza, segurança, bom humor e domínio dos fatos, evitando um tom professoral, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, do Partido Democrata, teve nítida superioridade sobre o bilionário Donald Trump, do Partido Republicano, no primeiro debate dos principais candidatos eleição presidencial de 8 de novembro de 2016 nos Estados Unidos, realizado ontem à noite.

Trump não começou mal. No início, se controlou e parecia presidenciável. Atacou Hillary por acordos comerciais que acusou de destruir empregos nos EUA e tentou caracterizá-la como uma política tradicional distante do dia a dia do cidadão comum. Mas mentiu ao dizer que a Ford está se mudando para o México. A empresa vai produzir carros compactos no México, mas promete não reduzir nem um emprego nos EUA.

Logo a candidata democrata conseguiu explorar as vulnerabilidades de Trump, sua recusa em divulgar sua declaração de renda, perguntando "o que ele tem a esconder?" Numa de suas tiradas que funcionaram nos debates da eleição primária do Partido Republicano, ele afirmou que apresentaria sua declaração se Hillary revelasse as 33 mil mensagens de correio eletrônico do tempo em que era secretária de Estado que foram apagados.

Numa irresponsabilidade capaz de comprometer segredos da segurança nacional dos EUA, Hillary usou uma conta pessoal de e-mail quando chefiava a diploma americana. Ela admitiu o erro e pediu desculpas.

O republicano não insistiu no assunto, uma das grandes vulnerabilidades da adversária. Também não explorou o financiamento da Fundação Clinton, que recebeu doações de monarquias petroleiras nada democráticas do Oriente Médio.

Hillary atacou-o na questão da declaração de renda, lembrando que em alguns anos Trump não pagou impostos ao governo federal. Ele foi obrigado a revelar isso quando tentava conseguir licença para um cassino em Atlantic City, observou a democrata.

Ao não revelar sua declaração de renda, Trump esconde sua participação em empresas e negócios capazes de criar conflitos de interesses com a Presidência dos EUA. Em uma das muitas interrupções indevidas, ele atropelou a fala de Hillary dizendo que é "esperto".

Depois do debate, em entrevista, Trump alegou que não gosta da "maneira como o governo gasta nossos impostos" para justificar suas manobras de evasão fiscal na esperança de sensibilizar o eleitor conservador que acha excessiva o peso da máquina do Estado sobre o cidadão comum. Mas esse é um eleitor que provavelmente já votaria nele. O resto deve ter se indignado com a "esperteza" de um bilionário para não pagar impostos.

Em segurança nacional e defesa, a ex-secretária de Estado também ganhou pontos, lembrando que os acordos internacionais assinados pelos EUA precisam ser mantidos, especialmente na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, base da política externa americana no pós-guerra.

Entre suas tiradas irresponsáveis, Trump ameaçou não defender os aliados, rompendo a regra básica da aliança atlântico de que "um ataque contra um é um ataque contra todos". Hillary lembrou que este princípio só foi invocado uma vez, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

Hillary também cutucou Trump na questão nuclear. Ela destacou que a não proliferação nuclear é política dos EUA há décadas para tentar reduzir o número de armas atômicas e evitar que mais países tenham acesso à bomba. Em declaração recente, o republicano disse que não teria problemas com uma guerra nuclear na Ásia.

Quando o republicano criticou o acordo nuclear com o Irã, a democrata perguntou: "Qual a alternativa? Iniciar uma nova guerra."

O apelo de Trump à Rússia para que pirateasse o correio eletrônico da secretária de Estado foi apresentado por ela como uma traição aos interesses dos EUA e uma aproximação com o presidente russo, Vladimir Putin, que tomou várias medidas para prejudicar os interesses americanos.

Entre outras mentiras, o republicano afirmou que Hillary passou a vida inteira combatendo o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que existe desde 2013. Trump argumentou que o Estado Islâmico está mais forte do que nunca. Ela não explorou o fato de que a organização terrorista está perdendo territórios na Síria e no Iraque.

Tanto Hillary quanto o mediador desmentiram Trump quando ele alegou que ter sido contra a invasão do Iraque em 2003. Ela também lembrou que o republicano atribuiu a tese de que o homem é responsável pelo aquecimento global a uma "fraude" criada pela China para minar a economia dos EUA.

No debate econômico, a democrata ironizou a proposta de Trump de corte de impostos no valor de US$ 10 trilhões, alegando que seria uma repetição das políticas neoliberais que levaram à Grande Recessão de 2008-9. Sua proposta é aumentar impostos para os ricos e lançar um grande programa de obras de infraestrutura para preparar um país para novo ciclo de crescimento. Ela não se esqueceu de elogiar a recuperação econômica e a geração de empregos no governo Barack Obama.

Favorito dos brancos sem curso superior abalados diretamente pela globalização da economia, Trump também fracassou em sensibilizar os eleitores de minorias raciais. Sobre a violência de polícia contra negros, revelada em várias mortes filmadas por telefones celulares, limitou-se a dizer que é um problema de "segurança pública".

Para Hillary, há um "racismo institucional" que torna os negros suspeitos. Foi a primeira vez que um candidato usou a expressão num debate nacional. Isso foi muito elogiado por entidades que lutam pelos direitos da minoria negra. Ela defendeu a criação de uma polícia comunitária, que estabeleça uma relação direta com o cidadão para evitar mortes de negros inocentes.

A imigração e a situação dos latino-americanos praticamente ficaram fora do debate. Hillary não defendeu o México, mas admitiu renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), negociado por seu marido, o então presidente Bill Clinton, descrito por Trump como "um dos piores acordos comerciais da história".

Em outro duro golpe, Hillary acusou Trump de chamar uma vencedora de um concurso de beleza que ele patrocinou de Miss Faxineira porque Alicia Machado tem origem latino-americana. No seu estilo rasteiro, ele respondeu hoje que "ela foi a pior de todas as misses" que conheceu.

Por fim, a candidata também o atacou por ter chamado mulheres de "cachorras" e "porcas", tentando sedimentar sua ampla vantagem no eleitorado feminino. Sem argumentos, o magnata imobiliário alegou que Hillary não tem a energia necessária para ser presidente.

"Viaje para mais de cem países, negocie acordos de paz e libertação de reféns, e enfrente um depoimento de 11 horas no Congresso antes de dizer que não energia", reagiu Hillary.

Foi uma ampla vitória. Não deve mudar a opinião do eleitor decidido a votar em Trump, mas certamente deve pesar na decisão dos indecisos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Colômbia e FARC assinam acordo de paz histórico

Depois de 52 anos de guerra civil e quatro de negociações, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assinaram hoje à noite na cidade de Cartagena um acordo de paz histórico, pondo fim a um conflito que matou cerca de 300 mil pessoas.

"Sejam bem-vindos à democracia", declarou o presidente Juan Manuel Santos depois de assinar o acordo juntamente com o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelos nomes de guerra de Timoleón Jiménez ou Timochenko, diante de 15 presidentes latino-americanos e do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon.

O acordo precisa agora ser referendado nas urnas numa consulta popular convocada para o próximo domingo, 2 de outubro de 2016.

Bogotá está em festa. Pelo menos 13 mil pessoas se reuniram na Praça de Bolívar, no centro da capital colombiana, para acompanhar a assinatura do acordo de paz e festejar ao som de rock, rap, reggae e música caribenha.

O acordo prevê a concentração dos cerca de 8 mil guerrilheiros das FARC em zonas determinadas para entrega das armas, sua desmobilização e integração à vida civil. Quem cometeu crimes contra a humanidade não terá direito a anistia. Terá de responder a processo em tribunais especiais.

Para a Colômbia chegar à paz depois de décadas de guerra civil, falta agora o Exército de Libertação Nacional (ELN), outro grupo guerrilheiro marxista. Como o ELN reluta em negociar, há o temor de que alguns rebeldes das FARC simplesmente mudem para outro grupo.

A guerra civil colombiana começou em 9 de abril de 1948, com o assassinato do advogado Jorge Eliécer Gaitán, candidato do Partido Liberal à Presidência. Sua morte deflagrou uma explosão de violência, o Bogotaço. Mais de 2 mil pessoas foram mortas em 24 horas.

Era o início de um período de uma década conhecido na história da Colômbia como La Violencia, em que 200 mil pessoas foram mortas em conflitos políticos entre o Partido Conservador e o Partido Liberal que reviveram o conflito social histórico da Colômbia, que inclui a Guerra dos Mil Dias. Naquela década, liberais e esquerdistas foram para a clandestinidade.

As FARC nasceram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano, de orientação soviética. Com o declínio do comunismo e o fim da União Soviética, a guerrilha passou a recorrer a sequestros, extorsão e tráfico de drogas para se financiar.

Diretores-gerais cogitam tirar sede de empresas do Reino Unido

Em consequência do plebiscito que decidiu retirar o Reino Unido da União Europeia, cerca de 76% de 100 diretores-gerais consideram a possibilidade de mudar a sede das companhias para outro país, indica uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria e auditoria KPMG, citada pelo jornal Financial Times.

"Os diretores-gerais estão reagindo à incerteza com planos de contingência", observou Simon Collins, presidente da KPMG, lembrando que as empresas querem certezas.

A pesquisa mostra que, de modo geral, os dirigentes empresariais são otimistas quanto ao crescimento futuro de suas empresas, para o Reino Unido e para a economia global em 2017. Mas mais da metade pensa que o ambiente de negócios no país será prejudicado pela saída da UE.

De acordo com a pesquisa, 72% dos diretores-gerais entrevistados votaram a favor da permanência na UE. Foram ouvidos 100 CEOs de grandes empresas dos setores industrial, comercial e de telecomunicações com faturamento anual entre 100 milhões e 1 bilhão de libras.

Hillary chega ao primeiro debate com pequena vantagem

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, chega hoje ao primeiro debate com o bilionário republicano Donald Trump com uma vantagem de 2,1 pontos percentuais na média das pesquisas calculada pelo sítio RealClear Politics. Um mês atrás, tinha oito pontos de frente.

Na média, a democrata tem 45,9% das preferências contra 43,9% para o republicano. Desde que recebeu um impulso ao ser oficializada como candidata, Hillary perdeu a vantagem que tinha nos estados da Flórida, Carolina do Norte e Ohio.

Se a eleição presidencial fosse hoje, Hillary teria uma vantagem de 21 votos no Colégio Eleitoral que escolhe o presidente dos EUA com base no voto popular de cada estado. Suas chances de vitória caíram de 80% para 57%. Nos últimos dias, recuperou-se um pouco e hoje está em torno de 60%.

Nas bolsas de apostas, Hillary tem 70% de chances. Já teve 81%. Os candidatos fazem hoje à noite na televisão americana CNN o primeiro de três debates antes da eleição de 8 de novembro.

domingo, 25 de setembro de 2016

Trump é o pior candidato da história dos EUA, adverte NY Times

Depois de apoiar a candidata democrata Hillary Clinton, seguindo sua tradição liberal, o jornal The New York Times, um dos mais influentes do mundo, acusou, em editorial intitulado Por que Donald Trump não deve ser presidente, o bilionário de ser o pior candidato de um grande partido à Presidência dos Estados Unidos na história moderna.

Quando lançou sua candidatura à Casa Branca há um ano e três meses, Trump, um magnata imobiliário, se apresentou como um empresário bem-sucedido e um apresentador de televisão conhecido, e atacou os mexicanos como contrabandistas, assassinos e estupradores. Desde aquele momento, ficou claro que as visões de Trump estão mais para impulsos perigosos e tiradas cínicas para agradar à plateia do que políticas coerentes, alerta o editorial.

No momento em que a campanha eleitoral entra na fase decisiva, com o primeiro debate entre os candidatos marcado para amanhã na rede de televisão CNN às 22h, o New York Times entende que chegou a hora, especialmente para os indecisos, de examinar as ideias e propostas de Trump.

"Apesar de suas propriedades em forma de torres, o Sr. Trump tem um histórico de falências e apostas arriscadas como a Universidade Trump, que está sendo investigada depois de inúmeras reclamações de fraude", lembra o jornal.

Trump se recusa a divulgar suas declarações de renda, uma tradição entre candidatos à Casa Branca. Apesar de bilionário, em alguns anos ele declarou prejuízos e aproveitou furos na lei para não pagar impostos. Ele usou US$ 258 mil da Fundação Trump para pagar dívidas de suas empresas e despesas pessoais.

Sem experiência em questões de segurança nacional, Trump afirma que sabe mais sobre a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante do que os generais do Pentágono. Ele também propôs proibir "total e completamente" a entrada da muçulmanos nos EUA e deportar 11 milhões de imigrantes ilegais.

"Por mais reviravoltas que dê, o Sr. Trump sempre deixa claro onde está seu coração - com os signos racistas, nativistas e anti-imigrantes que empregou grosseiramente para construir sua base", acusou o New York Times.

O jornal lembra que Trump esteve a frente do movimento que levantou dúvidas sobre a nacionalidade do presidente Barack Obama, alegando que ele nasceu na África ou na Indonésia, numa jogada para negar legitimidade ao primeiro presidente negro da história do país.

De acordo com levantamento da rede de televisão NBC, Trump mudou de políticas 117 vezes em 20 questões importantes, do aborto à imigração. Quando os repórteres apontam suas contradições, ele ameaça afrouxar as leis para processar organizações jornalísticas que o desagradem.

Seus planos econômicos são igualmente catastróficos, alerta o New York Times, do repúdio a acordos comerciais a cortes de de impostos de US$ 10 trilhões. A conta não fecha.

Além de flertar perigosamente com o presidente autoritário da Rússia Donald Trump, ao ameaçar não socorrer países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Trump coloca em risco a aliança atlântica, base da política de defesa e segurança externa dos EUA no pós-guerra, criando um grande problema diplomático e de segurança.

O candidato republicano, jogando para o eleitorado mais conservadores e as empresas mais poluentes, nega que a atividade industrial humana seja responsável pelo aumento da temperatura média do planeta, agravando o efeito estufa e provocando o aquecimento global, embora um campo de golpe que ele tem na Irlanda queira fazer uma muralha para conter a elevação do nível do mar. Trump quer "cancelar o Acordo de Paris".

New York Times apoia Hillary Clinton

Além de descrever o magnata imobiliário Donald Trump como o pior candidato de um grande partido na história moderna dos Estados Unidos, o jornal The New York Times, um dos mais influentes do mundo, anunciou em editorial publicado hoje apoio à ex-secretária de Estado Hillary Clinton por seu "intelecto, experiência e coragem".

O editorial explica que seu objetivo é "persuadir aqueles que estão hesitando em votar na Sra. Clinton - porque vocês estão relutando em votar numa democrata, ou noutro Clinton, ou numa candidata que pode parecer, na superfície, não oferecer uma mudança em relação a um estabelecimento que parece indiferente e a um sistema político que parece quebrado."

Na opinião do New York Times, "o melhor argumento em defesa de Hillary Clinton não pode ser, e não é, que ela não é Donald Trump. O melhor argumento é falar dos desafios que este país enfrenta e a capacidade da Sra. Clinton de enfrentá-los.

"O próximo presidente vai assumir o cargo numa era de movimentos tribais e intolerantes e seus líderes em marcha. No Oriente Médio e através da Ásia, na Rússia e na Europa Oriental, mesmo no Reino Unido e nos EUA, a guerra, o terrorismo e as pressões da globalização estão erodindo os valores democráticos, enfraquecendo alianças e desafiando ideias de tolerância e caridade", observa o editorial.

Esta campanha, admite o editorial, "trouxe para a superfície o desespero e a raiva das classes média e baixa que dizem que seu governo tem feito pouco para aliviar o peso da recessão, da mudança tecnológica, da competição externa e da guerra".

Em 40 anos de vida pública, Hillary se preparou para responder a esses problemas, num trabalho mais caracterizado por avanços incrementais do que por grandes mudanças. Seus erros ocasionais e ataques em sua falta de confiabilidade "distorcem as percepções sobre seu caráter. Ela é uma das políticas mais tenazes da sua geração, com uma vontade de estudar e corrigir o curso rara numa época de um radicalismo bipartidário que não cede."

Presidente do Peru critica inação da Unasul na crise da Venezuela

O novo presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, criticou ontem a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) por sua incapacidade de negociar uma solução para a "crise humanitária" na Venezuela.

Durante uma parada militar comemorativa do Dia das Forças Armadas do Peru, Kuczynski anunciou que vai tratar do assunto quando se encontrar com outros presidentes da região amanhã em Cartagena, na Colômbia, durante a assinatura de um acordo de paz histórico entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o governo colombiano.

Kuczynski vai falar sobre a crise venezuelana com os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos; do México, Enrique Peña Nieto; e do Chile, Michelle Bachelet; entre outros líderes: "Temos uma crise na região com a situação na Venezuela. Espero que possamos promover uma transição ordeira nos próximos meses ou pelo menos até 2019, com a colaboração destes chefes de Estado."

Com as crises política e econômica, acrescentou o presidente peruano, "há também uma crise humanitária a ser resolvida porque não há nem comida nem medicamentos".

A oposição venezuela apostou no referendo revogatório para tirar o poder legalmente o catastrófico presidente Nicolás Maduro, mas, na semana passada, o Conselho Nacional Eleitoral, dominado pelo regime chavista, indicou que a consulta popular só poderá ser efetuada "em meados do primeiro trimestre de 2017". Se o referendo for realizado depois de 10 de janeiro, não haverá eleição presidencial; assume o vice-presidente, nomeado por Maduro.

No poder desde 28 de julho de 2016, Kuczynski confirmou as presenças dos presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Barack Obama, na 24ª reunião de cúpula do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífica (APEC), a ser realizada em Lima em 19 e 20 de dezembro.

Obama quer visitar as ruínas de Machu Picchu, a cidade inca mais preserva, nos Andes peruanos.

sábado, 24 de setembro de 2016

Mujica: se disser não à paz, Colômbia será país esquizofrênico

Em entrevista ao jornal colombiano El Tiempo, o ex-presidente do Uruguai José Mujica afirmou que, "se a Colômbia disser não ao acordo de paz com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), dará a impressão de ser um povo esquizofrênico que se aferra à guerra como forma de vida."

Mujica fará parte da comissão de fiscalização do cumprimento do acordo de paz, que será assinado em 26 de setembro na cidade histórica de Cartagena. Ele lamentou que mais de 3 mil dirigentes sindicais tenham sido mortos na guerra civil colombiana: "Em direitos trabalhistas, a Colômbia parece um país primitivo. É um país riquíssimo e está entre os mais desiguais do mundo."

O ex-presidente uruguaio, hoje senador, um dos ídolos da esquerda latino-americana, convocou os jovens a votar sim no referendo sobre o acordo de paz, marcado para 2 de outubro de 2016. Ele também aconselhou o segundo maior grupo guerrilheiro colombiano, o Exército de Libertação Nacional e abandonar a luta armada e negociar a paz.

"A guerra não pode ser objetivo da vida", raciocinou Mujica. "Nas velhas definições acadêmicas de guerra, esta se faz por uma paz melhor, mas o objetivo não é a guerra, é a paz. Se vamos viver em guerra permanente, estamos locos."

Daqui para a frente, acrescentou, a luta deve ser civil, pacífica e democrática: "Que se insiram na sociedade, que trabalhem, que usem a experiência que tem no campo a favor do desenvolvimento agrário, do campesinato, da inclusão, das escolas, da infraestrutura e muitas coisas mais - e lutem por tudo isso."

Até abril de 2017, Mujica vai fazer parte da comissão que vai acompanhar o desarmento, a reintegração dos guerrilheiros e a instalação do tribunal especial de crimes de guerra para quem não for beneficiado pela anistia por ter cometido crimes contra a humanidade.

"Farei tudo pela construção da paz por três razões: pela Colômbia, pela América e pelo mundo", declarou Pepe Mujica. "O ser humano chegou a um estágio em que precisa se propor a sair da pré-história. Temos de arquivar as armas como recurso para resolver nossas diferenças. Temos de sair disto. Por quê? Porque o homem nunca teve tanta força como hoje em dia.

"Se seguimos nesta lógica de guerra, estaremos expostos a que um dia apareça um louco de merda com possibilidade de apertar o botão e armar um desastre", concluiu Mujica, numa referência ao candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump.

Conferência das FARC aprova acordo de paz com governo

A 10ª Conferência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) aprovou ontem à noite o acordo de paz negociado nos últimos quatro anos com o governo colombiano para pôr fim a mais de 50 anos de guerra civil.

A decisão unânime foi tomada no fim da conferência convocada para preparar os guerrilheiros das FARC para entregar as armas e se reintegrar à vida civil como um partido político de esquerda com uma anistia parcial que levará alguns a tribunais especiais e à prisão. O encontro foi realizado na planície de Yari, um dos redutos dos guerrilheiros no Sul da Colômbia.

O acordo de paz será assinado em 26 de setembro de 2016 na cidade histórica de Cartagena pelo presidente Juan Manuel Santos e o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelo nomes de guerra de Timoleón Jiménez e Timochenko.

Em 2 de outubro, o acordo será submetido a um referendo popular. O governo Santos e a oposição de esquerda apoiam o voto sim, enquanto a oposição conservadora linha-dura liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe defende a rejeição ao acordo, alegando que faz concessões demais aos guerrilheiros.

As pesquisas dão mais de 60% para o sim. Se o não ganhar, o governo adverte que o conflito armado pode se arrastar por mais uma década.

Jeremy Corbyn é releeito líder do Partido Trabalhista britânico

Com 62% dos votos dos filiados, o deputado Jeremy Corbyn foi reeleito ontem líder do Partido Trabalhista do Reino Unido com amplo apoio nas bases sindicais e na ala jovem. Como 75% dos deputados trabalhistas rejeitam sua liderança, é provável uma divisão no partido, que não tem a menor chance de vencer eleições gerais com o atual líder, um esquerdista radical com ideias atrasadas dos anos 1960s.

Corbyn convocou hoje os deputados descontentes a se unirem sob a liderança dele. No discurso da vitória, afirmou que é sua responsabilidade unir o partido, mas é dever dos deputados aceitar o resultado da votação e concentrar energias na oposição governo da primeira-ministra conservadora Theresa May.

"Eleições são passionais e com frequência são ditas coisas no calor do debate que às vezes mais tarde lamentamos, mas temos de lembrar sempre que em nosso partido temos muito mais em comum do que o que nos divide", declarou o líder reeleito.

O desafiante, Owen Smith, era um dos membros do governo paralelo da oposição que se demitiram no fim de junho de 2016 para pressionar Corbyn a renunciar depois da derrota do partido no plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia.

O líder trabalhista é um eurocético. Em 1975, votou contra a adesão à então Comunidade Econômica Europeia, que considerava um clube de países capitalistas. Desta vez, não teria se empenhado suficientemente, facilitando a vitória dos conservadores mais à direita e de grupos neofascistas como o Partido da Independência do Reino Unido.

Do ponto de vista eleitoral, o Partido Trabalhista perdeu quase todas as cadeiras da Escócia na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico nas eleições de 2015 depois de fazer campanha contra a independência da Escócia no plebiscito realizado em 2014. Sem uma bancada escocesa forte, fica difícil para os trabalhistas conseguirem maioria.

Uma das razões do repúdio da maioria dos deputados a Corbyn é a expectativa de perda de cem cadeiras nas próximas eleições. Neste caso, haveria um sério risco de que o Reino Unido se torne um país com um partido dominante, o Partido Conservador.

Assim, há uma grande possibilidade de que deputados descontentes deixem o Partido Trabalhista e se aproximem do Partido Liberal-Democrata, arrasado nas últimas eleições depois de ser o sócio menor no governo de coalizão do primeiro-ministro conservador David Cameron, para formar um novo partido.

Supremo Tribunal do Gabão confirma reeleição de Ali Bongo

O Supremo Tribunal do Gabão confirmou o resultado da eleição presidencial, vencida pelo presidente Ali Bongo Ondimba com 50,66% dos votos válidos contra 47,24% para o oposicionista Jean Ping. 

Ali Bongo está desde junho de 2009 no poder, que herdou com a morte do pai, Omar Bongo Ondima, ditador desde 1967 deste pequeno país da costa atlântica da África Central, rico em petróleo, com apenas 1,5 milhão de habitantes e a terceira maior renda per capita da África subsaariana.

Depois do anúncio inicial da vitória, a oposição saiu às ruas. Houve tumultos e saques. Agora, a polícia promete dispersar qualquer manifestação.

Boko Haram destruiu 910 escolas e matou 611 professores

Pelo menos 611 professores foram mortos e 19 mil obrigados a fugir do Nordeste da Nigéria pela revolta da milícia extremista muçulmana Boko Haram, que significa repúdio à educação ocidental. Desde que o grupo aderiu à luta armada para impor a lei islâmica, em 2009, mais de 910 escolas foram destruídas e 1,5 mil fechadas, indicam dados das Nações Unidas.

"No início de 2016, 952.029 crianças em idade escolar fugiram da violência do Boko Haram", que há um ano e meio se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental, declarou Oluseyi Soremekum, assessor do escritório da ONU na Nigéria.

O novo Relatório de Monitoramento da Educação Global da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) adverte que, "ritmo anual, a universalização do ensino básico na África subsaariana só será atingida em 2080. A universalização do ensino secundário será atingida em 2099."

Assim, o subcontinente estará 70 anos atrasado em relação as metas de desenvolvimento sustentável para 2030.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Indonésia apreende barcos pesqueiros da China

A Guarda Costeira da Indonésia capturou ontem dois barcos pesqueiros chineses perto do Arquipélago de Riau, no Mar do Sul da China, anunciou o ministro do Mar e da Pesca indonésio, Susi Pudjiastuti, citado pela agência de notícias japonesa Kyodo.

Foi o primeiro incidente desde 12 de julho de 2016, quando a Corte Permanente de Arbitragem, um tribunal internacional com sede em Haia, na Holanda, ignorou os "direitos históricos" reivindicados pelo regime comunista chinês sobre 90% do Mar do Sul da China.

No início da semana, a Indonésia revelou a intenção de realizar patrulhas navais conjuntas com os Estados Unidos e o Japão em seu mar territorial para combater ameaças como pirataria e pesca ilegal.

O regime comunista chinês tem disputas territoriais no Mar do Sul da China com Brunei, as Filipinas, a Malásia, Taiwan e o Vietnã. A Indonésia não reivindica a soberania sobre ilhas ou recifes, mas o mapa com a "linha de nove traços" usada pela China invade a zona econômica exclusiva indonésia ao redor das Ilhas Riau.

Hillary tem ampla vantagem entre eleitores de origem latino-americana

A ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, tem ampla vantagem entre o eleitorado de origem latino-americana. É o segmento que mais cresce, onde o magnata imobiliário Donald Trump, candidato do Partido Republicano, sofre forte rejeição por causa de suas políticas anti-imigração.

Na pesquisa da rede de televisão NBC e do jornal The Wall Street Journal, incluindo os outros candidatos, Hillary tem 65% dos votos de latinos que pretendem votar em 8 de novembro, enquanto apenas 17% apoiam Trump - uma diferença de 48 pontos percentuais.

Em 2012, Obama venceu o ex-governador Mitt Romney por 44 pontos entre os latinos.

Entre o eleitorado negro, Trump oscila de 0 a 3% contra mais de 70% para Hillary.

Apesar dos problemas recentes, a pesquisa indica que Hillary mantém forte apoio entre segmentos importantes da coalizão democrata que elegeu Barack Obama nas duas últimas eleições, enquanto luta para conquistar os jovens seduzidos pela campanha do senador socialista Bernie Sanders nas eleições primárias.

Oito em cada dez latinos tem uma impressão negativa de Trump e 70% têm sentimentos "muito negativos". Só 15% tem uma imagem positiva do candidato republicano.

Quando lançou sua campanha, no ano passado, Trump acusou os mexicanos de serem traficantes, estupradores e assassinos. Ele prometeu deportar os imigrantes ilegais e construir um muro na fronteira e mandar a conta para o México pagar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Palestinos vão ao Conselho de Segurança da ONU contra colônias

Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, anunciou planos para apresentar um projeto de resolução ao Conselho de Segurança das Nações Unidas contra as colônias israelenses instaladas na Cisjordânia, ocupada na Guerra dos Seis Dias, em 1967. 

Abbas manifestou a esperança de que nenhuma potência vete a proposta. Os Estados Unidos costumam vetar resoluções capazes de prejudicar Israel. Diante do péssimo relacionamento entre o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro linha-dura israelense Benjamin Netanyahu, depois das eleições de 8 de novembro os EUA poderiam não vetar a resolução.

Netanyahu sabotou todas as tentativas do governo Obama de retomar o processo de paz árabe-israelense, especialmente por ampliar os assentamentos de colonos israelenses na Cisjordânia, contrariando a Carta da ONU e o direito internacional, que proíbem a guerra de conquista e a expansão territorial à força.

Sem sucesso nas negociações diretas, nos últimos anos, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) resolveu apelar às organizações internacionais para obter o pleno reconhecimento de seu Estado Nacional na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Em 2012, a Palestina passou de observadora a "Estado observador não membro" da ONU.

No seu pronunciamento, o primeiro-ministro Netanyahu convidou Abbas para discursar no Parlamento de Israel e se ofereceu para falar no Parlamento palestino em Ramalá, na Cisjordânia.

Iraque recaptura cidade de Chircate do Estado Islâmico

O Comando Conjunto de Operações do Iraque anunciou hoje a que forças governamentais reconquistaram a cidade de Chircate, que estavam em poder da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informaram a agência de notícias local Al Iraqia e a televisão pública britânica BBC.

A bandeira do Iraque voltou a ser hasteada nos prédios públicos da cidade, anunciou um porta-voz militar. Dezenas de milicianos do Estado Islâmico teriam morrido em bombardeios da coalizão aérea de 65 países liderada pelos Estados Unidos.

Ainda há jihadistas em ação nos arredores da cidade e na província de Saladino, mas a vitória é mais um passo rumo à retomada de Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, conquistada pelo Estado Islâmico em 10 de junho de 2014 e virtual capital no Iraque do califado proclamado pelo grupo.

Centenas de migrantes morrem em naufrágio na costa do Egito

Um barco sobrecarregado com 450 a 600 migrantes afundou ontem no Mar Mediterrâneo a 12 quilômetros do litoral do Egito. Centenas de pessoas morreram afogadas. A Guarda Costeira salvou 163 pessoas e recolheu 51 corpos. Quatro tripulantes foram presos sob a acusação de tráfico de seres humanos, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Os imigrantes vinham da Síria, do Egito e de outros países africanos. Com o acordo entre a União Europeia e a Turquia para contar a onda de migrantes e refugiados que tentam entrar na Europa, a principal rota terrestre está bloqueada.

Assim, o Mediterrâneo voltou a ser principal toda da onda migratória. A Organização Internacional para Migrações estima que mais de 200 mil migrantes tentaram chegar à Europa pelo mar. Cerca de 3 mil morreram afogadas no primeiro semestre de 2016.

Áreas rebeldes de Alepo sofrem maior bombardeio em meses

As áreas dominadas por rebeldes no Leste da cidade de Alepo, no Nordeste da Síria, sofreram na noite de ontem e na madrugada de hoje o maior bombardeio em meses. A maior cidade do país, capital econômica até o início da guerra civil, há cinco anos e meio, está em chamas, informou a televisão pública britânica BBC. Pelo menos 13 pessoas morreram.

O regime sírio usou bombas incendiárias de fósforo, denunciou o Centro de Mídia de Alepo. Uma rua inteira do bairro de Bustan al-Kassar está pegando fogo, revelou um repórter da Agência France Presse (AFP).

Cerca de 2 milhões de pessoas tentam sobreviver em Alepo em meio a uma das batalhas mais intensas da guerra civil síria.

Em entrevista à BBC, o enviado especial das Nações Unidas, Staffan de Mistura, anunciou o reinício da ajuda humanitária no bairro de Muadamia, na capital, Damasco, onde 40 mil pessoas estão numa área rebelde cercada pelo regime. Ele espera entregar ajuda humanitária a Alepo "no futuro próximo".

Ataque aéreo a clínica mata cinco funcionários da saúde na Síria

Um bombardeio aéreo a uma clínica da cidade de Alepo, no Nordeste da Síria, matou um médico, duas enfermeiras e dois motoristas de ambulância, revelou ontem o Sindicato de Organizações de Assistência Médica e Ajuda Humanitária, citado pela televisão pública britânica BBC.

Nove membros do Jaish al-Fatah (Exército da Conquista), uma aliança de grupos rebeldes, foram mortos no bombardeio, informou Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição que monitora a guerra civil na Síria.

Desde o início da guerra civil, em março de 2011, mais de 600 clínicas, centros médicos e hospitais foram bombardeados na Síria.

As maiores suspeitas recaem sobre as forças aéreas da Rússia e da Síria. O ataque aconteceu um dia depois do bombardeio a um comboio de ajuda humanitária para áreas rebeldes sitiadas pela ditadura de Bachar Assad, horas depois que o regime anunciou o fim de uma trégua frágil. Em resposta, as Nações Unidas suspenderam a ajuda humanitária.

Os Estados Unidos e a Rússia, que negociaram o cessar-fogo, se acusaram mutuamente pelo bombardeio ao comboio. Altos funcionários do Departamento da Defesa americano disseram ter imagens que mostram aviões de guerra russos sobrevoando os caminhões no momento do ataque.

Em reunião no Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, responsabilizou aeronaves não tripuladas americanas, denunciou mais de 300 violações do cessar-fogo por grupos rebeldes apoiados pelos EUA, a Europa, a Arábia Saudita e a Turquia, e declarou que "não haverá mais tréguas unilaterais".

Assad defendeu a Rússia em entrevista à agência Associated Press (AP) e acusou os EUA de mentir e não ter credibilidade. O ditador não acredita que o bombardeio americano que matou 90 soldados no fim de semana na cidade de Deir el-Zur tenha sido um erro: "Definitivamente foi intencional. Não foi um erro cometido por um avião isolado. Quatro aviões bombardearam posições do Exército da Síria durante uma hora. Você não comete um erro desses durante uma hora."

A Rússia e Assad apostam numa vitória militar. Nas negociações de paz, o regime e seus aliados russos e iranianos insistem na manutenção do ditador no poder durante um "período de transição" ao fim do qual haveria eleição presidencial com Assad como candidato.

Sem a saída do ditador, não haverá paz na Síria. A guerra civil ainda está longe do fim.