quinta-feira, 27 de julho de 2017

Estado-Maior reage a veto de Trump a transgêneros nas Forças Armadas

O Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos declarou hoje que a política em relação a transgêneros não vai mudar enquanto o presidente Donald Trump não enviar ordens diretamente ao Departamento da Defesa, o Pentágono.

"Não haverá mudanças na atual política até que a ordem do presidente seja recebida pelo secretário da Defesa e que o secretário dê as orientações para implementá-la", afirmou o comandante do Estado-Maior, general Joseph Dunford.

Ontem, o presidente Trump anunciou no Twitter o veto à participação de transgêneros nas Forças Armadas, rompendo uma promessa de campanha de proteger a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros)da discriminação e do preconceito. Ele alegou que a medida tem alto custo e afeta a disciplina dos militares. Não há nenhum estudo que corrobore essa ideia.

É mais uma iniciativa de Trump para destruir o legado do governo Barack Obama, que acabou com uma política hipócrita conhecida como "não pergunte, não conte". Ela permitia a presença de LGBTs nas Forças Armadas dos EUA desde que não assumissem publicamente sua homossexualidade ou bissexualidade.

Assim, se um militar voltando de uma frente de guerra fosse recebido na volta por seu parceiro, não poderia abraçar nem fazer gestos efusivos de carinho e afeto. Obama acabou com isso.

Sob pressão de sua base conservadora, contrária ao uso de dinheiro público para financiar cirurgias de mudança de sexo, Trump foi muito além do esperado.

O senador republicano John McCain, veterano da Guerra do Vietnã, onde foi prisioneiro de guerra, criticou o presidente dizendo que todo cidadão americano que quiser servir às Forças Armadas e for considerado apto nos testes deve ter esse direito e ser considerado um patriota.

Há estimativas do total de transgêneros militares que vão de 2,5 mil a 16 mil. O dinheiro gasto pelo Pentágono com cirurgias para mudar de sexo é cinco vezes menos do que a despesa com medicamentos contra a impotência sexual.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Senado rejeita revogar programa de saúde de Obama sem substituição

Em mais uma derrota do presidente Donald Trump, o Senado dos Estados Unidos rejeitou uma proposta para acabar com o programa de universalização da cobertura de saúde do governo Barack Obama sem substituí-lo por outro, noticiou o jornal The New York Times.

Sete senadores do Partido Republicano se uniram aos 48 da bancada do Partido Democrata para votar contra a "rejeição limpa" defendida pelo senador libertário Rand Paul, que é contra a participação do Estado na cobertura de saúde.

O fracasso da proposta reflete a divisão na bancada republicana. Enquanto a maioria quer reduzir a participação do Estado no sistema de saúde, alguns senadores temem a reação popular ao fim da Lei de Atendimento de Saúde a Preços Acessíveis, o que pode deixar 20 milhões de americanos sem cobertura.

A reforma da saúde continuará em debate até o fim da semana. Os republicanos cogitam rejeitar apenas partes do programa de Obama, como a obrigação de ter seguro-saúde e de que as grandes empresas ofereçam cobertura a seus empregados.

Mesmo assim, o impacto no sistema de saúde seria enorme, advertiu o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), bipartidário, com risco de deixar mais 15 milhões de pessoas sem seguro-saúde.

O chamado Obamacare impôs a obrigação de ter plano de saúde, obrigou empresas a financiar a cobertura de seus funcionários, proibiu os planos de saúde de excluir doenças preexistentes, criou um imposto sobre lucros financeiros para aumentar o orçamento do Medicaid, o programa de saúde para os pobres.

Ao cortar o orçamento do Medicaid em US$ 900 bilhões e reduzir impostos sobre aplicações financeiras que beneficiam os ricos, e especialmente os muito ricos, o Partido Republicano corre o risco de perder a maioria na Câmara e no Senado nas eleições intermediárias de 2018.

Se com maioria o governo Donald Trump não conseguiu fazer nada além de aprovar a nomeação do juiz conservador Neil Gorsuch para a Suprema Corte, sem maioria o risco de impeachment de Trump seria muito maior.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Trump frita ministro da Justiça e procurador-geral dos EUA

Insatisfeito com a investigação sobre um possível conluio de sua campanha com o governo da Rússia, o presidente Donald Trump está hostilizando publicamente o ministro da Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions.

Sessions foi o primeiro senador a apoiar a candidatura Trump. Se for demitido, as relações do presidente com a bancada do Partido Republicano no Senado serão sensivelmente abaladas. O presidente o humilha publicamente para forçar a demissão

O problema de Sessions é que ele admitiu ter se encontrado com o embaixador russo em Washington, depois de ter omitido isso no primeiro momento. Por essa razão, ele se declarou impedido de presidir o inquérito sobre a interferência indevida da Rússia na eleição presidencial americana.

Trump quer se livrar não apenas de Sessions, mas principalmente do procurador especial Robert Mueller, ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA. Quando demitiu o procurador independente Archibald Cox, em 1973, o então presidente Richard Nixon deixou clara sua culpabilidade no escândalo de Watergate, que o levou a renunciar em 1974.

Em 9 de maio, Trump demitiu o diretor-geral  James Comey, depois que este se recusou a encerrar o inquérito. Só um diretor-geral do FBI fora demitido no meio do mandato, por corrupção. Comey foi o primeiro afastado por investigar um presidente. Mas demitir o ministro da Justiça e procurador-geral é um desafio muito maior para um presidente que não respeita a liturgia do cargo e se considera melhor do que seus antecessores.

Nesta semana, Trump chegou a tuitar sobre seu "poder total" para perdoar, como se pudesse indultar a si mesmo. Hoje, acusou Sessions de ser "fraco" por não reabrir a investigação sobre o uso de correio eletrônico privado por Hillary Clinton quando secretária de Estado. O FBI encerrou o inquérito.

Três desafios aguardam Trump: o fracasso de mais uma votação da reforma de saúde para acabar com a cobertura universal do governo Obama; o inquérito sobre a Rússia, que se aproxima da família dele, nesta semana um filho e o genro depõe no Congresso; e a aprovação pelo Congresso de novas sanções à Rússia, que vão testar as relações de Trump com o Kremlin.

Senado rejeita proposta republicana para reformar sistema de saúde

Por 57 a 43 votos, o Senado dos Estados Unidos derrubou há pouco a proposta do Partido Republicano para revogar e substituir o programa de universalização da cobertura de saúde do governo Obama. O debate continua e novas votações devem ser realizadas ainda nesta semana.

Todos os senadores democratas e nove republicanos votaram contra o plano apresentado pelo líder da maioria, Mitch McConnell, o que dificulta a rejeição do programa de saúde de Obama.

O vice-presidente Mike Pence, que no sistema constitucional americano preside o Senado, deu o voto de minerva para que a questão fosse colocada em debate. Mais uma vez, é possível que o governo Donald Trump fracasse em sua tentativa de destruir o legado de Obama.

Hesbolá toma vale estratégico na fronteira da Síria com o Líbano

A milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá anunciou ontem a retomada de um vale estratégico que era o último reduto da Frente pela Conquista do Levante, braço da rede terrorista Al Caeda, na fronteira da Síria com o Líbano, informou o jornal conservador israelense The Jerusalem Post.

Ao lado do Exército da Síria, o Hesbolá reconquistou o vale de Wadi al-Kheil, em Juroud Arsal, uma zona de fronteira montanhosa que foi esconderijo para jihadistas da rede Al Caeda e da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Pelo menos 19 milicianos do Hesbolá e 130 jihadistas sunitas morreram na batalha. O Hesbolá, financiado e treinado pelo Irã, é a principal força terrestre de apoio do Exército na guerra civil da Síria.

Como os xiitas dominam hoje o governo de Bagdá e milícias xiitas, inclusive iranianas, participam da guerra contra o Estado Islâmico no Iraque, o Irã está criando um Crescente Xiita, um arco que vai do território iraniano até o Mar Mediterrâneo passando pelo Iraque, a Síria e o Líbano.

Carro-bomba dos Talebã mata 35 pessoas em Cabul

Pelo menos 35 pessoas foram mortas e outras 40 feridas na explosão de um carro-bomba detonado por um terrorista suicida na Zona Oeste de Cabul, a capital do Afeganistão, noticiou a agência Reuters. A polícia cercou a área, próxima à residência do vice-governador Mohammad Mohakik, onde a maioria da população é xiita hazara.

Três veículos civis e 15 lojas foram destruídos. "Estava na minha loja quando se repente ouvi um barulho horrível e as janelas se quebraram", declarou Ali Ahmed, um comerciante do bairro.

Mais de 1,7 mil civis foram mortos desde o início do ano pela violência da guerra civil afegã, onde a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) enfrenta o governo instaurado depois da invasão americana de outubro de 2001 para vingar os atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante também tenta instalar uma base no país.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Genro e assessor de Trump nega conluio com a Rússia

Em depoimento na Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos, o genro e assessor especial do presidente Donald Trump, Jared Kushner, negou hoje ter participado de um conluio com o governo da Rússia para ajudar o candidato republicano a vencer a eleição presidencial do ano passado.

Kushner admitiu ter mantido contato com funcionários russos em quatro ocasiões durante a campanha, mas negou que tenha havido algo impróprio nesses encontros: "Não participei de nenhum conluio e não sei de ninguém na campanha que tenha feito isso com algum governo estrangeiro."

Ele também negou ter recebido financiamento da Rússia para seus negócios privados: "Não tive nenhum contato impróprio. Não dependi de fundos russos para financiar minha atividades empresariais no setor privado."

O genro do presidente comprou parte do antigo prédio do jornal The New York Times do oligarca russo Lev Leviev, magnata imobiliário e do mercado de diamantes, acusado de lavagem de dinheiro.

Um ponto central de sua defesa foi negar a tentativa de abrir um canal de comunicação direto e clandestino com o Kremlin.

A interferência indevida da Rússia na eleição presidencial americana está sendo investigada pelo Congresso e pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA. O inquérito policial é presidido por Roberto Mueller, ex-diretor do FBI.

domingo, 23 de julho de 2017

Popularidade de Macron cai 10 pontos para 54%

Com uma queda de 10 pontos percentuais em julho, a popularidade do presidente da França, Emmanuel Macron, baixou para 54%, indica uma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop) publicada hoje no Journal de Dimanche.

Desde maio a julho de 1995, quando Jacques Chirac caiu 15 pontos, um presidente francês não sofria uma perda de popularidade tão forte nos primeiros três meses de governo.

"Não é o fim do estado de graça, mas um primeiro alerta muito sério",  advertiu o JDD. Quando foi eleito, no segundo turno, em 7 de maio, Macron tinha o apoio de 62% dos franceses. Em junho, 64% estavam satisfeitos com o presidente.

O general Charles de Gaulle perdeu cinco pontos em três meses em 1966, de 61% para 56%. François Mitterrand recuou sete pontos em 1981, depois de sua primeira eleição, de 54% a 47%.

Entre as razões para a queda na popularidade do jovem presidente da França estão o bate-boca com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Pierre de Villiers, que reclamava dos cortes orçamentários e pediu demissão. Macron passou uma imagem de arrogância e foi comparado a Napoleão Bonaparte.

O aumento da contribuição previdenciária e a expectativa de reformas que aumentem a idade da aposentadoria e simplifiquem a legislação trabalhista preocupam boa parte do eleitorado, além das esperadas demissões e cortes de vagas no serviço público.

Macron perdeu 11 pontos percentuais entre os maiores de 65 anos e 14 pontos na faixa de 50 a 64 anos. Caiu 12 pontos entre os eleitores do Partido Socialista e 18 pontos entre os funcionários públicos.

sábado, 22 de julho de 2017

Estado Islâmico teve acesso a material para fazer bomba radioativa

Quando tomou Mossul, há pouco mais de três anos, diante do colapso do Exército do Iraque, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante teve acesso a uma série de armas americanas de última geração e até mesmo de material radioativo que permite fazer uma bomba nuclear suja, revelou o jornal The Washington Post.

Num campus da Universidade de Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, estavam guardadas duas caixas de cobalto-60, um elemento altamente radioativo. Em medicina nuclear, o cobalto-60 é usado para tratamentos de radioterapia contra o câncer.  Nas mãos dos terroristas, pode ser uma arma perigosa.

A chamada bomba suja não explode como a verdadeira bomba atômica. Espalha no ambiente um material radioativo para matar a causar pânico. Os serviços secretos ocidentais sabiam do cobalto-60. Nos últimos três anos, observaram ansiosamente à espera de sinais de que o Estado Islâmico tentasse usar o material para fabricar armas.

Durante a Batalha de Mossul, no início deste ano, o governo iraquiano conseguiu entrar no campus. As caixas de cobalto-60 estavam no mesmo lugar de antes da invasão. Os especialistas dos Estados Unidos acreditam que os milicianos temeram contaminar a si mesmos ao manipular o cobalto-60. Não tiveram capacidade técnica para produzir um artefato nuclear.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Porta-voz de Trump pede demissão

Insatisfeito com a nomeação do financista Anthony Scaramucci para diretor de comunicação da Casa Branca, o polêmico assessor de imprensa do governo Donald Trump, Sean Spicer, pediu demissão hoje. Spicer estava interinamente no cargo desde a saída de Mike Dubke.

O presidente teria feito um apelo pessoal para manter Spicer. Sua saída abrupta a inesperada surpreendeu os funcionários da Ala Oeste da Casa Branca, onde funciona a Presidência dos Estados Unidos. É mais um sinal do caos que marcou os primeiros seis meses do governo Trump, completados ontem.