quinta-feira, 19 de abril de 2018

Coreia do Norte admite desnuclearização sem retirada das forças dos EUA

O ditador Kim Jong Un não vai exigir a retirada das forças dos Estados Unidos da Coreia do Sul para abrir mão das armas nucleares da Coreia do Norte, afirmou hoje o presidente sul-coreano, Moon Jae In. Era um obstáculo importante. Kim também acenou com a possibilidade de negociar um acordo de paz, 65 anos depois do fim da Guerra da Coreia (1950-53).

Há décadas, o regime comunista norte-coreano exigia a retirada total dos hoje 28,5 mil soldados americanos estacionados na Península Coreana; não reconhecia os governos da Coreia do Sul e do Japão, descritos como "fantoches dos EUA"; reivindicava a soberania sobre toda a Península Coreana; e só aceitava negociar diretamente com Washington.

Desde o fim da Guerra Fria e da União Soviética, em 1991, a ditadura stalinista de Pyongyang faz uma chantagem atômica. Começou usando o programa nuclear para barganhar energia e alimentos para sustentar sua economia falida.

Como os EUA jamais aceitaram a exigência de uma retirada total, as negociações não avançaram. Em décadas de negociações frustradas, a Coreia do Norte chegou a destruir o reator do Centro de Pesquisas Nucleares de Yongbion, mas, desde 2006, fez seis testes nucleares, três desde a ascensão de Kim Jong Un, em dezembro de 2011.

A expectativa de desarmamento da ditadura stalinista é a grande razão para Trump ir à Coreia do Norte. Será o primeiro encontro de cúpula dos dois países. Na Semana Santa, Trump enviou o diretor-geral da CIA (Agência Central de Inteligência) e secretário de Estado designado, Mike Pompeo, a Pyongyang para avaliar o compromisso de Kim com negociações de desarmamento nuclear.

Nos últimos dias, Trump comentou que Pompeo "estabeleceu um bom relacionamento" com o governo norte-coreano. O encontro com Kim está previsto para fim de maio ou início de junho, mas o presidente americano ainda ameaça não ir.

Ao receber ontem o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, na Casa Branca, o presidente Donald Trump ameaçou não realizar e até abandonar a esperada reunião de cúpula com Kim se a questão central da desnuclearização não estiver na mesa.

O Japão não quis ficar de fora de uma negociação que vai definir o futuro geopolítico da região. Abe pediu a Trump que fale dos japoneses sequestrados há décadas pelo regime norte-coreanos, uma questão muito importante e sensível no Japão.

Em Seul, o presidente Moon está otimista: "Os norte-coreanos não apresentaram qualquer condição inaceitável para os EUA, como a retirada das tropas americanas da Coreia do Sul. Eles só falaram sobre o fim das hostilidades contra o país e a necessidade de garantias de segurança. Os planos para o diálogo entre o Norte e os EUA devem avançar porque isto está claro."

Moon se encontra com Kim em 27 de abril. No início do mês passado, quando um enviado especial do Sul esteve com o ditador de Pyongyang, Kim teria dito que a Coreia do Norte não precisaria de armas nucleares se não se sentisse "ameaçada militarmente" e recebesse "garantias de segurança".

Em 2016, o regime norte-coreano reafirmou que os EUA deveria retirar suas tropas da Coreia se quisessem a desnuclearização da península. A mudança de posição é fundamental para o sucesso das negociações. Como lembrou Moon, mantendo a cautela, "o diabo está nos detalhes".

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Ascensão de Díaz-Canel marca fim da era Castro em Cuba

O vice-presidente Miguel Díaz Canel foi eleito hoje pela Assembleia Nacional como candidato único à Presidência de Cuba. Amanhã, será empossado por Raúl Castro, que substituiu o irmão Fidel a partir de 2006. A dinastia dos Castro governou Cuba durante quase 60 anos, desde a vitória da revolução, em 1º de janeiro de 1959.

É também uma mudança de gerações. Díaz-Canel, faz 58 anos amanhã. Não era nascido quando os guerrilheiros tomaram Havana. Como primeiro-secretário do Partido Comunista, Raúl será o poder por trás do trono até 2021.

É o lento adeus da geração revolucionária. Desde a morte de Fidel, Raúl é o último símbolo de uma era que se recusava a passar. Se for escolhido líder do partido, o novo presidente terá então plenos poderes.

Díaz-Canel começa amanhã um mandado de cinco anos, com direito a uma reeleição, uma regra estabelecida por Raúl. É um engenheiro eletrônico que subiu discretamente na hierarquia do partido. Será encarregado de tocar à frente a tímida abertura econômica ensaiada por Raúl na expectativa de manter o poder absoluto do regime comunista, o que é altamente improvável.

Como nunca deu entrevistas a estrangeiros, suas ideias são praticamente desconhecidas. "Não se sabe o que pensa e, além do mais, se em dez anos Raúl Castro não foi capaz de impulsionar as reformas por causa da resistência dos setores conservadores, não sei como poderá fazê-lo Díaz-Canel, que não tem sua legitimidade histórica e provavelmente não terá apoio unânime do Exército e do partido", raciocina o economista cubano Carmelo Mesa-Largo, professor da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

O novo presidente enfrenta grandes desafios econômicos, a começar pela necessidade de unificar o câmbio, observa o cientista político Michael Bustamante, professor da Universidade Internacional da Flórida: "É um risco porque a desvalorização pode afetar muito a população. Mas, se conseguir levar adiante, é uma oportunidade para se legitimar diante da população."

Durante o governo Raúl Castro, depois de negociações mediadas pelo Vaticano e o papa Francisco, em 17 de dezembro de 2014, o ditador cubano e o então presidente americano, Barack Obama, anunciaram o reatamento de relações entre os EUA e Cuba.

Em 20 de junho de 2015, as duas embaixadas foram reabertas. Obama afrouxou alguns aspectos do embargo econômico em vigor desde fevereiro de 1962, facilitando viagens e remessas de dinheiro.

O governo Donald Trump não rompeu relações, mas reduziu o pessoal da embaixada depois que vários diplomatas e funcionários sentiram sintomas atribuído a um suposto ataque com ondas sonoras que não se sabe de quem partiu.

Para agradar a sua base conservadora, o atual presidente praticamente congelou o reatamento com Cuba. Sem uma abertura política, Trump e o Partido Republicano querem manter a linha dura contra o inimigo histórico.

Diretor da CIA e futuro secretário de Estado se reuniu com Kim Jong Un

Por ordem do presidente Donald Trump, o diretor-geral da CIA (Agência Central de Inteligência) e secretário de Estado nomeado, Mike Pompeo, foi à Coreia do Norte na Páscoa e se encontrou com o ditador Kim Jong Un. É um sinal de avanço nas negociações para uma reunião de cúpula de Trump e Kim no fim de maio ou início de junho.

O presidente Xi Jinping anunciou hoje uma viagem a Pyongyang que deixa claro o apoio da China à sua aliada Coreia do Norte, assim como a determinação da superpotência ascendente de estar no centro das decisões sobre o futuro da Península Coreana.

A Rússia também pediu um encontro com Kim, que saiu do isolamento para se tornar um dos chefes de Estado mais solicitados no momento.

A missão de Pompeo foi o encontro de mais alto nível entre os EUA e a Coreia do Norte desde 2000, quando a então secretária de Estado, Madeleine Albright, esteve com Kim Jong Il, pai do atual ditador. O problema é o mesmo: o programa nuclear norte-coreano.

Kim deve apresentar seus planos de desnuclearização em reunião de cúpula com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae In, em 27 de abril. A questão nuclear estará no comunicado conjunto.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Israel se prepara para uma retaliação direta do Irã

Dentro da guerra civil da Síria, o maior risco no momento é de uma guerra entre Israel e o Irã. O governo israelense espera um ataque direto da república islâmica em retaliação pelo bombardeio a uma base aérea síria em que sete militares iranianos foram mortos, em 9 de abril de 2018, informou o jornal The Jerusalem Post.

A expectativa é de um ataque de mísseis ou drones disparados pela Guarda Revolucionária do Irã de alguma base na Síria e não por milícias aliadas como o Hesbolá (Partido de Deus), do Líbano, que luta ao lado da ditadura de Bachar Assad na guerra civil síria. A ordem deve partir do general Kassem Suleimani, comandante da Força al-Qods, braço da Guarda Revolucionária para ações no exterior.

"Israel vai reagir duramente a qualquer ação iraniana partindo da Síria", declarou uma fonte das Forças de Defesa de Israel à TV Sky News em árabe. Os militares israelenses estão certos de que a resposta virá.

Depois do bombardeio israelense, Ali Akbar Velayati, ex-ministro do Exterior e atual assessor do Supremo Líder Espiritual da República Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, advertiu Israel de que "deve esperar uma resposta poderosa".

O representante de Khamenei junto à Guarda, Ali Shirazi, foi ainda mais agressivo: "Se Israel quer continuar sua existência traiçoeira, deve evitar medidas estúpidas. Se derem pretextos ao Irã, Telavive e Haifa serão destruídas."

Fotos de satélites-espiões mostram um aumento da presença militar iraniana na Síria sob o comando do general-brigadeiro Air Ali Hajizadeh, comandante da força aérea da Guarda Revolucionária do Irã. Também revelam que o Irã envia mísseis para a Síria como se fosse ajuda humanitária.

Os iranianos estabeleceram várias bases, inclusive T4, a base atacada por Israel; em Alepo, a capital econômica do país; no Aeroporto Internacional de Damasco e em outro campo de pouso, ao sul da capital; e em Deir el-Zur, no Leste da Síria, para onde aviões Ilyushin levaram armas e equipamentos militares do Irã.

As companhias aéreas comerciais Simorgh Air e Pouya Cargo Air estariam sendo usadas, de acordo com a mesma fonte, para levar mais soldados e armamentos para a Síria.

No início de fevereiro, um drone iraniano armado com explosivos invadiu o espaço aéreo israelense e foi abatido. Foi um divisor de águas importante nas relações bilaterais entre os dois países.

"Foi a primeira vez que o próprio Irã fez alguma coisa contra Israel - e não através de aliados", observou um oficial israelense, e "foi a primeira vez que atacamos alvos iranianos vivos, tanto instalações quanto pessoas".

China cresceu em ritmo de 6,8% ao ano no primeiro trimestre de 2018

Apesar da ameaça de um conflito comercial com os Estados Unidos, a economia da China cresceu nos três primeiros meses deste ano num ritmo anual de 6,8%, acima da expectativa do governo. O investimento privado compensou uma queda de 20% no saldo comercial.

Além das ameaças protecionistas de Trump, o governo chinês tenta conter o endividamento público e os preços dos imóveis. Está decidido a enfrentar uma guerra comercial, se o presidente americano insistir num tarifaço contra produtos fabricados na China.

No ano passado, o produto interno bruto chinês cresceu 6,7%, ganhando impulso com o aumento das exportações no fim do ano. Com a queda no saldo comercial de bens, esperava-se uma expansão econômica menor.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Novo presidente quer levar Montenegro para a União Europeia

Com 54% dos votos, o ex-primeiro-ministro Milo Djukanovic foi eleito ontem presidente no primeiro turno, depois de governar a ex-república iugoslava de Montenegro durante quase um quarto de século até outubro de 2016, noticiou o jornal montenegrino Vijesti. Grande favorito, fez campanha prometendo integrar o país à União Europeia (UE).

 Djukanovic, de 56 anos, lidera o Partido Democrático dos Socialistas de Montenegro, que teve origem no Partido Comunista da Iugoslávia e governa o país desde a democratização, em 1991. Ele liderou a independência de Montenegro da Sérvia, em 2006, e a adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, liderada pelos Estados Unidos, em 2017.

A expectativa é que o cargo de presidente, que era praticamente honorífico durante os mandatos do seu predecessor e aliado Filip Vujanovic, passe a ser o centro do poder em Montenegro.

Apesar de todas as crises, o sonho europeu sobrevive. Na campanha à Presidência da França, Emmanuel Macron prometeu reformar e revitalizar o projeto de uma Europa unida. Enfrenta resistência da Alemanha, que não concorda com a criação de um orçamento comum da Zona do Euro e de um sistema pan-europeu de garantia de depósitos bancários enquanto a Itália não sanear seus bancos em dificuldades.

Mas a Europa unida ainda atrai. Montenegro quer entrar no jogo. É a via para o desenvolvimento dos países da Europa Oriental pós-comunismo.

domingo, 15 de abril de 2018

Ditadura síria retoma ataques depois do bombardeio dos EUA e aliados

Os Estados Unidos ameaçaram hoje impor novas sanções à Rússia em represália ao apoio ao uso de armas químicas pela ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria. O regime retomou os ataques depois do bombardeio dos EUA e aliados.

"As sanções à Rússia vão chegar", afirmou a embaixadora linha-dura dos EUA nas Nações Unidas, Nikki Haley. "O secretário [do Tesouro] Mnuchin vai anunciar na segunda-feira e serão dirigidas contra quaisquer empresas que negociem equipamentos relacionados ao uso de armas químicas por Assad."

Neste domingo, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse ter persuadido o presidente Donald Trump a não retirar as tropas americanas da Síria: "Convencemos que é importante ficar num prazo mais longo."

Macron defendeu o ataque como "um ato legítimo de represália" que foi "completado perfeitamente" e acusou a Rússia de "incapacitar" a ONU durante os sete anos de guerra civil na Síria ao vetar sistematicamente todas as resoluções condenando a ditadura de Assad.

O presidente francês declarou ter feito a crítica diretamente ao ditador russo, Vladimir Putin, e considerou importante o bombardeio para deixar claro à Rússia que as linhas vermelhas são para valer.

Tanto a Rússia quanto a Síria negam que o regime de Assad tenha usado armas químicas contra os rebeldes em Duma, a maior cidade da região de Guta Oriental, a única da região da Grande Damasco onde ainda havia rebeldes.

Na semana anterior, os EUA impuseram sanções a vários empresários e oligarcas ligados ao Kremlin e ao banco RFC, ligado a uma empresa de venda de armas que o governo americano acusa de ser responsável pelas transações com a Síria.

Outra grande discussão é sobre a eficiência do bombardeio aliado. Como não há informações sobre feridos nem sobre o vazamento dos gases tóxicos usados nas armas químicas, alguns especialistas questionam se foram atingidos alvos importantes, capazes de reduzir a capacidade militar do regime.

Em telefonema ao presidente do Irã, Hassan Rouhani, principal aliado no apoio a Assad, advertiu que, "se tais ações, realizadas em violação da Carta da ONU, vão inevitavelmente levar ao caos nas relações internacionais."

Vindo de quem anexou ilegalmente a Crimeia, fomentou uma guerra civil no Leste da Síria e interfere regularmente nas eleições de outros países, como a de Trump em 2016, é muito cinismo. Mas, em retaliação ao bombardeio das potências ocidentais, a Rússia, uma grande potência militar, examina a possibilidade de impor sanções à indústria aeronáutica dos EUA, noticiou o jornal inglês Financial Times.

sábado, 14 de abril de 2018

Trump declara "missão cumprida" na Síria

Horas depois do bombardeio dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França à Síria em represália pelo uso de armas químicas, o presidente Donald Trump declarou "missão cumprida", lembrando imediatamente a afirmação igual feita pelo então presidente George Walker Bush em 1º de maio de 2003, um mês e 11 dias depois da invasão do Iraque.

No Twitter, Trump descreveu a ação militar como "um ataque executado com perfeição ontem à noite. Agradeço à França e ao Reino Unido por sua sabedoria e o poder do seus excelentes militares. Não poderia ser um resultado melhor. Missão cumprida!"

A Rússia negou que a operação tenha sido bem sucedida. Na versão oficial do Kremlin, a metade dos mísseis foi derrubada pelas defesas antiaéreas sírias.

"Todos os mísseis franceses atingiram seus alvos", respondeu em Paris a ministra das Forças Armadas da França, Florence Parly. "A capacidade síria de conceber, produzir e estocar armas químicas foi consideravelmente reduzida.

A França usou nove caças-bombardeiros quatro Mirages 2000 e cinco Rafales, cinco fragatas e, pela primeira vez, mísseis de cruzeiro disparados de navios.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

EUA e aliados bombardeiam a Síria

O presidente Donald Trump anunciou há pouco na Casa Branca que mandou a Força Aérea  dos Estados Unidos bombardear a Síria, com o apoio da França e do Reino Unido, em retaliação a um ataque com armas químicas contra os rebeldes na cidade de Duma que deixou 60 mortos e mil feridos. A ditadura síria declarou que a defesa antiaérea está reagindo a um ataque.

No ano passado, o bombardeio se limitou à base aérea de Chairat, na província de Homs, no Centro do país, de onde teriam partido os aviões que lançaram armas químicas em Khan Cheikhun. Desta vez, foram atacados pelo menos três locais de Damasco, a capital da Síria. O ditador teria saída da capital para não ser alvo do bombardeio aliado.

Trump afirmou que os alvos são arsenais e centros de pesquisa e produção de armas químicas. Mas ninguém sabe ao certo onde estão os arsenais químicos da ditadura de Bachar Assad. O secretário da Defesa, James Cachorro Louco Mattis, revelou que também foram atacadas bases de onde partiram os bombardeios químicos e que "esta onda de ataques está encerrada". 

Mattis pediu a "todas as nações civilizadas que ajudem a acabar com a guerra civil na Síria" e no cumprimento dos acordos internacionais que proíbem o uso de armas químicas. Acrescentou que "os alvos atingidos hoje à noite foram escolhidos para reduzir a capacidade da Síria de usar armas químicas."

Depois de um ataque químico a Guta em 21 de agosto de 2013, quando 1.729 pessoas foram mortas, a Síria prometeu destruir todas suas armas químicas para evitar uma represália do então presidente americano, Barack Obama. A Rússia negociou um acordo para poupar Assad, mas novos ataques químicos indicam que o desarmamento foi apenas parcial.

As televisões mostram imagens de aviões bombardeiros decolando de uma base britânica na ilha de Chipre. Também estão sendo disparados mísseis de navios de guerra estacionados no Mar Mediterrâneo.

Tanto a Síria quanto a Rússia negam que tenha ocorrido um ataque com armas químicas, reafirmou o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, citado pelo jornal The Washington Post. Trump responsabilizou diretamente a Rússia e o Irã, os maiores aliados de Assad, pelo bombardeio químico.

Cerca de 2 mil soldados americanos estão na Síria combatendo a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Podem ser alvo de retaliações.

Trump perdoa ex-assessor de Cheney que revelou identidade de agente da CIA

Em mais um desafio à Justiça, o presidente Donald Trump indultou Lewis Scooter Libby, chefe de pessoal do vice-presidente Dick Cheney, no governo George W. Bush (2001-9), condenado a dois anos e meio de prisão e multa de US$ 250 mil por mentir ao júri e aos investigadores do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, e obstrução de justiça no processo sobre a revelação identidade de uma agente secreta da Agência Central de Inteligência (CIA), em 2007.

"Não conheço o Sr. Libby, mas há anos ouço dizer que foi tratado injustamente", declarou Trump. "Espero que este perdão completo vai ajudar a retificar um período muito triste de sua vida." A Casa Branca alegou que desde a condenação ele teve uma conduta "imaculada e continua a ser visto em alta estima por seus pares e colegas".

Valery Plame Wilson é casada o embaixador Joseph Wilson, que fez um relatório negando uma suposta compra de urânio no Níger, um país africano, pelo então ditador do Iraque, Saddam Hussein. A alegação partiu do serviço secreto da Itália, na época governada pelo arquicorrupto primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

A compra inexistente de urânio nigerino pelo Iraque foi usada por Bush como argumento para afirmar que Saddam estava desenvolvendo a bomba atômica, entre outras armas de destruição em massa. Wilson denunciou a farsa na imprensa na época da invasão do Iraque, em 2003.

Bush comutou a pena de Libby, que nunca chegou a ser preso, mas se negou a dar o perdão total como queria Cheney. Trump, um presidente sem quaisquer escrúpulos, perdoou Libby no momento em que volta à guerra contra o ex-diretor-geral do FBI James Comey.

"No dia em que o presidente ataca Comey erradamente por ser um 'vazador e mentiroso', ele perdoa um vazador e mentiroso condenado, Scooter Libby", comentou no Twitter o deputado democrata Adam Schiff. "É a maneira do presidente enviar uma mensagem aos implicados no inquérito sobre a Rússia: vocês têm meu apoio e eu tenho o de vocês."

Em livro de memórias, Comey acusou o presidente de ignorar a lei e agir como um chefão da máfia. Ele foi o primeiro e único diretor-geral do FBI demitido por razões políticas. Outro foi afastado por corrupção. Comey presidia a investigação sobre um possível conluio da campanha de Donald Trump com a Rússia.

Diante da demissão de Comey, o Departamento da Justiça nomeou outro ex-diretor-geral do FBI, Robert Mueller, como procurador especial para investigar a interferência indevida da Rússia nas eleições de 2016 nos EUA.