quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Exército da Nigéria resgata 76 meninas após ataque do Boko Haram

O Exército da Nigéria resgatou ontem 76 estudantes e os cadáveres de outras duas que estavam desaparecidas desde um ataque da milícia extremista muçulmana Boko Haram à vila da Dapchi, próxima de Maiduguri, capital do estado de Borno, no Nordeste do país, noticiou a agência Reuters.

Pelo menos 13 meninas ainda estão desaparecidas. Os outros pais estão festejando: "Estamos celebrando sua volta para casa com músicas e orações a Deus todo-poderoso", declarou Babagana Umar, pai de uma das estudantes resgatadas. "A notícia triste é a morte de duas meninas sem explicação.""

A Nigéria ainda vive sob o trauma do sequestro de 270 meninas de uma escola secundária de Chibok, em abril de 2014, pelo mesmo grupo terrorista. Algumas conseguiram fugir. Outras foram resgatadas. Cerca de 100 ainda são tidas como reféns do Boko Haram, que significa "não à educação ocidental". No mês passado, o grupo divulgou um vídeo onde uma garota dizia que não pretende voltar para casa.

Ao invadir Dapchi segunda-feira à noite com pintura de guerra em caminhonetes e picapes, algumas com ninhos de metralhadora montados na caçamba, os terroristas foram diretamente para a escola, onde chegaram atirando. No meio da confusão, professores e alunas tentaram fugir.

Cerca de 20 mil pessoas foram mortas e 2,6 milhões fugiram de casa desde que o Boko Haram aderiu à luta armada para impor a lei islâmica à região, em 2009. Em março de 2015, seu líder, Abubakar Shekau jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O Boko Haram passou a se apresentar como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Dois terços dos EUA querem leis mais duras para controle de armas

Cerca de 66% dos americanos apoiam o endurecimento das leis sobre compra e porte de armas e 31% são contra. É a maior porcentagem a favor de maior controle de armas desde 2008, indica uma pesquisa da Universidade Quinnipiac divulgada ontem, maior do que em 2013, depois do massacre na Escola Primária Sandy Hook, em Newtown, no estado de Connecticut.

Em 2008, 54% eram a favor de maior controle de armas e 40% julgavam desnecessário. Agora, 67% querem a proibição da venda de "armas de assalto", armas de guerra. Em fevereiro de 2013, 56% aprovavam a proibição de venda destas armas.

Depois do novo massacre, com 17 mortes, numa escola secundária de Parkland, na Flórida, na semana passada, há um movimento nacional liderado por jovens sobreviventes para pressionar as autoridades políticas a se livrar da influência da Associação Nacional do Rifle (NRA), o lobby dos fabricantes de armas.

Os jovens estão planejando uma marcha sobre Washington, com o apoio financeiro de celebridades como o ator de Hollywood George Clooney para exigir o fim da venda de armas de guerra e munições.

Diante da indignação da maioria, o presidente Donald Trump admitiu ser a favor da lei que proíbe o uso de um dispositivo que transformar armas semiautomáticas em automáticas. Mas esta é uma questão ligada ao massacre de 57 pessoas em Las Vegas em 1º de outubro de 2017, quando um atirador instalado num hotel atirou contra uma multidão que assistia a um concerto de música sertaneja.

Trump, que abriu o massacre recente na Flórida aos problemas mentais do assassino, também apoia o aumento da fiscalização no momento da compra de armas.

Outra pesquisa, divulgada pelo jornal The Washington Post e pela rede de televisão ABC, revelou a divisão de opinião ao longo das linhas partidárias. Cerca de 80% dos republicanos preferem detetores de metal (41%) e professores armados (38%) a leis mais duras sobre compra e porte de armas (9%).

Enquanto 29% dos republicanos acreditam que leis mais rigorosas poderiam ter evitado o massacre em Parkland, 59% disseram que professores armados teriam conseguido.

Lixão desaba e mata 17 pessoas em Moçambique

Pelo menos 17 pessoas morreram no desabamento de um depósito de lixo sobre cinco casas de uma favela próxima, em Maputo, a capital de Moçambique, uma antiga colônia portuguesa no Sul da África. Mais pessoas podem estar soterradas sob e montanha de lixo.

A tragédia aconteceu por volta das três horas da madrugada de segunda-feira, quando uma chuva forte caiu sobre o lixão de Hulene, deflagrando uma avalanche que enterrou cinco casas construídas irregularmente.

O Serviço Nacional de Segurança Pública teme que o número de mortos possa ser maior: "A informação que recebemos das autoridades locais é que o número de moradores daquelas casas excede o número de mortes registradas, então continuamos a trabalhar para ver se há mais mortos", declarou Leonilde Pelembe, porta-voz do serviço.

Antes do colapso, as autoridades haviam pedido aos favelados que abandonassem as casas erguidas ilegalmente numa área miserável da capital moçambicana. De acordo com a agência de notícias portuguesa Lusa, a montanha de lixo tinha a altura de um edifício de três andares.

"Este lixão deveria ter sido fechado há dez anos porque estava cheio, mas continuavam a chegar caminhões e empilhar mais lixo. A consequência está aí", declarou a líder comunitária Teresa Mangue.

Cerca de 55% da população de Moçambique, de 14 milhões de habitantes, vivem na miséria. A Câmara Municipal de Maputo vai criar um centro de acolhimento temporária para abrigar os flagelados.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Tribunal do Peru autoriza julgamento de Fujimori por assassinato

O Tribunal Penal Nacional do Peru decidiu ontem que o ex-ditador Alberto Fujimori, de 79 anos, deve ser processado pela morte de seis agricultores porque não tem imunidade, apesar da recente indulto humanitário que lhe foi dado pelo atual presidente, Pedro Pablo Kuczynski.

A Justiça peruana entendeu que o perdão à sentença de 25 anos de cadeia que o ex-presidente cumpria por outros assassinatos políticos não se aplica a este caso. Fujimori e outros 23 réus foram denunciados pela ação de esquadrões da morte que massacraram seis agricultores no Caso Pativilca.

Seis camponeses foram sequestrados, presos e torturados até a morte em 29 de janeiro de 1992 pelo chamado grupo Colina, chefiado pelo chefe do serviço secreto do governo Fujimori, coronel Vladimiro Montesinos, co-réu no processo. O Ministério Público está pedindo 25 anos de prisão para Fujimori por sequestro agravado e homicídio qualificado - e a proibição de que saia do Peru.

Em 11 de janeiro, o advogado do ex-ditador, Miguel Pérez, pediu o arquivamento do processo por causa do indulto. Hoje, a Justiça do Peru decidiu o que indulto presidencial não se aplica ao Caso Pativilca.

O perdão deflagrou uma onda de protestos e manifestações de rua. Foi visto como fruto de um acordo espúrio de Kuczynski com o deputado Kenji Fujimori, filho do ex-presidente, para evitar o impeachment do atual presidente, acusado de receber propina da construtora brasileira Odebrecht.

Kuczynski derrotou a ex-deputada Keiko Fujimori na eleição presidencial de 2016 prometendo manter o ex-ditador na cadeia. Para se livrar do impeachment, alegou razões humanitárias. Fujimori saiu da cadeia para o hospital, mas o povo peruano interpretou como farsa.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos, relatores das Nações Unidas e organizações não governamentais de defesa dos direitos humanos condenaram o indulto presidencial como "um tapa na cara" das vítimas da brutal ditadura de Fujimori, que governou o Peru de 1990 ao ano 2000, quando fugiu para o Japão.

Fujimori ainda é popular porque, a ferro e fogo, conseguiu vencer a hiperinflação e o grupo terrorista Sendero Luminoso.

Bombardeio do governo mata mais 250 pessoas na Síria

Pelo menos 250 pessoas morreram ontem e hoje, inclusive 50 crianças, em ataques aéreos e de artilharia da ditadura de Bachar Assad contra um reduto dos rebeldes em Guta, um cinturão verde nos arredores de Damasco, a capital da Síria, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Seis hospitais foram bombardeados nos últimos dois dias, denunciou um porta-voz das Nações Unidas. É o pior ataque a Guta Oriental desde que a área foi alvejada com armas químicas em 21 de agosto de 2013, quando 1.729 pessoas foram mortas, sendo apenas 51 combatentes. Hoje dez cidades e vilas da região foram atacadas.

Ao mesmo tempo, o Exército da Síria entrou em Afrin, uma região invadida pelo Exército da Turquia no Norte do país para combater as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda de maioria curda financiada e armada pelos Estados Unidos na luta contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Com o fim do califado proclamado em junho de 2014 pelo Estado Islâmico, o regime de Assad vê uma oportunidade de acabar com a guerra civil, que completa sete anos em março. A ditadura intensificou o bombardeio para tornar inabitáveis as regiões onde ocupadas pelos rebeldes.

O regime sírio corria sério risco quando a Rússia interveio militarmente com sua poderosa Força Aérea, em 30 de setembro de 2015. Com a ajuda russa e de seu outro aliado, o Irã, e suas milícias, inclusive do grupo extremista xiita libanês Hesbolá (Partido de Deus), Assad retomou o controle de quase todo o país, com a exceção de alguns bastiões rebeldes e da área retomada do Estado Islâmico pelas FDS.

Cerca de 500 mil pessoas morreram em sete anos de guerra civil na Síria. Dos 23 milhões de habitantes, 12 milhões tiveram de sair de casa e 5 milhões fugiram do país.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Israel desmantela célula que pretendia assassinar o ministro da Defesa

O Shin Bet, serviço secreto para segurança interna de Israel, revelou ontem ter preso um grupo de militantes palestinos que planejavam matar o ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, com uma bomba deixada à beira da estrada no caminho para sua casa em Nokdim, na colônia de Gush Etzio, na Cisjordânia ocupada.

A investigação descobriu que a milícia Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina pediu ajuda a milicianos palestinos da Faixa de Gaza, mas a própria segurança pessoal do ministro desarmou a trama.

Como não conseguiram ajuda, os conspiradores tentaram fabricar uma bomba caseira, apreendida quando foram detidos.

Seis suspeitos foram identificados e presos. Os líderes da célula terrorista eram Awad Mahmoud al-Assakra, de 25 anos, e Muhammad Ali Ibrahim al-Assakra, de 32 anos, ambos da cidade de Assakra, próxima à casa de Lieberman.

É pelo menos a segunda vez em que o Shin Bet evita um atentado contra Lieberman, um imigrante soviético convertido em político de ultradireita, contra a criação de um país palestino independente, a favor da anexação da Cisjordânia ocupada.

O Shin Bet também desmantelou outra célula da Jihad Islâmica, na cidade de Belém, que pretendia realizar ataques a tiros contra colonos e tropas israelenses.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Trump ataca FBI e investigação sobre influência russa na eleição

Em uma série de mensagens furiosas pelo Twitter, o presidente Donald Trump atacou o FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, por não ter investigado o atirador de Parkland, na Flórida, e o inquérito sobre a interferência da Rússia nas eleições americanas de 2018. Trump acusou o governo Barack Obama, o Partido Democrata e Hillary Clinton pela operação russa.

Das onze da noite de sábado ao meio-dia de domingo, na mansão de clube de golfe em Mar-a-Lago, na Flórida, o presidente disparou 10 tuítes, alguns com obscenidades e outros com erros de gramática, noticiou o jornal The Washington Post.

Numa conferência sobre segurança internacional na semana passada na Alemanha, assessores dos EUA disseram a autoridades e especialistas estrangeiros para ignorar os tuítes do presidente. Mas eles revelam sua alma profunda.

Trump aproveitou a denúncia do procurador especial Robert Mueller contra 13 russos para reafirmar que não houve conluio de sua candidatura com o Kremlin para prejudicar a candidatura de Hillary. Não se preocupou com a ingerência de uma potência estrangeira hostil na política dos EUA.

"Se a meta da Rússia era criar a discórdia, ruptura e caos nos EUA, então, com todas aquelas audiências em comissões, investigações e ódio partidário, eles tiveram sucesso além de seus sonhos mais ambiciosos. Eles estão morrendo de rir em Moscou. Fique esperta, América!", disparou.

O presidente negou ter dito no passado que não houve interferência russa nas eleições americanas e que a "fraude" está em acusar sua campanha de cumplicidade.

Noutro tuíte, Trump alegou que "agora que [o deputado] Adam Schiff está começando a acusar o presidente Obama pela interferência russa na eleição, provavelmente esteja fazendo isso como mais uma desculpa. Finalmente ele está certo por alguma coisa. Obama era o presidente, sabia da ameaça e não fez nada. Obrigado, Adam!"

Mais impressionante ainda foi a acusação ao FBI por não ter impedido o massacre cometido pelo jovem desequilibrado Nikolas Cruz: "Muito triste que o FBI tenha perdido todos os muitos sinais enviados pelo atirador da escola na Flórida. Isto é inaceitável. Eles gastam tempo demais tentando provar o conluio da Rússia com a campanha de Trump - não houve conluio. Voltem ao básico e tornem todos nós orgulhosos."

O diretor nacional de Inteligência durante a campanha eleitoral de 2016, James Clapper, reagiu indignado na CNN: "O que vamos fazer em relação à ameaça dos russos? Ele nunca fala disso. Só fala de si mesmo."

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Três terroristas suicidas matam 19 pessoas em mercado na Nigéria

Três homens-bomba da milícia jihadista Boko Haram detonaram os explosivos que traziam junto ao corpo ontem à noite num mercado de peixe na cidade de Konduga, que fica a 35 quilômetros de Maiduguri, capital do estado de Borno, no Nordeste da Nigéria. Pelo menos 19 pessoas morreram e outras 70 saíram feridas.

"Dois terroristas atacaram o mercado de peixe Tashan Kifi",  contou Babakura Kolo, da Força-Tarefa Conjunta Civil que apoia o Exército da Nigéria na luta contra os extremistas muçulmanos. "Quatro minutos depois, um terceiro homem-bomba atacou ali perto."

Os mortos eram 19 civis e um soldados. O mercado Tashan Kifi também tem restaurantes. É um local de encontro dos moradores das redondezas.

Kolo não tem dúvida sobre a autoria do atentado: "O Boko Haram atacou Konduga várias vezes."

Pelo menos 20 mil pessoas foram mortas desde que o Boko Haram, cujo nome significa "não à educação ocidental", aderiu à luta armada para impor a lei islâmica na região. Em março de 2015, seu líder, Abubakar Shekau, jurou lealdade ao Estado Islâmico. Desde então, o grupo também se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental.

O Exército desmentiu a notícia de que Shekau teria fugido para Camarões. Dias atrás, os militares anunciaram que Shekau está sendo "procurado vivo ou morto" e ofereceram uma recompensa de 3 milhões de nairas, cerca de US$ 8.310 ou R$ 26.331, por informações que levem à sua morte ou captura.

Maduro pede a emigrantes que voltem para a Venezuela

Um dia depois de negar que haja uma fuga em massa de venezuelanos, em pronunciamento no Palácio de Miraflores, em Caracas, o ditador Nicolás Maduro pediu ontem aos emigrantes que voltem à Venezuela para aproveitar as "conquistas da revolução".

Maduro se dirigiu expressamente a venezuelanos que vivem no Chile e na Espanha, descrevendo a educação gratuita e a seguridade social como razões para morar na Venezuela. A educação pública gratuita é atribuída a Antonio Guzmán Blanco, em 1870, e a previdência social foi criada por Eleazar López Contreras, em 1940.

Mais de 1,4 milhão de venezuelanos deixaram o país nos últimos anos para escapar da pior crise econômica da história. Cerca de 30% estão tirando documentos para fazer o mesmo.

Com o dólar a 236.201,87 bolívares no câmbio negro e o salário mínimo a 248.510 bolívares, o aluguel de um apartamento em Caracas custa de US$ 120 a US$ 1,2 mil, de 114 a 1.140 salários mínimos, noticia hoje o jornal El Nacional.

Por falta de matérias-primas, a produção de medicamentos caiu ao menos 60% nos últimos quatro anos, afirmou o presidente da Câmara da Indústria Farmacêutica, Tito López: "Se não contarmos com moeda estrangeira para comprar insumos, evidentemente a produção vai diminuir. Atualmente as fábricas operam entre 30% e 40% [da capacidade instalada] e neste momento têm estoques [de insumos] para dois meses."

Um dado impressionante: 98% dos insumos são importados.

Na madrugada de sexta-feira, seis bebês que estavam numa unidade de terapia intensiva neonatal morreram por falta de energia elétrica por mais de 24 horas num hospital de cidade de San Félix, no estado de Bolívar, denunciou o deputado oposicionista José Manuel Olivares.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Procurador denuncia russos por ingerência em eleição nos EUA

O procurador especial Robert Mueller denunciou hoje 13 cidadãos e três empresas da Rússia por interferência nas eleições de 2016 nos Estados Unidos. Eles são acusados de criar perfis falsos na Internet e de roubar as identidades de cidadãos americanos para manipular a opinião pública, noticiou o boletim de notícias The Hill.

"Esta denúncia serve de lembrança de que as pessoas nem sempre são o que parecem ser na Internet", advertiu o subprocurador-geral Rod Rosenstein ao anunciar a decisão do procurador especial. "A denúncia alega que conspiradores russos querem promover a discórdia nos EUA e minar a confiança do público na democracia."

O principal acusado é Yevguêni Prigojin, um bilionário próximo do presidente Vladimir Putin. Suas empresas Concord Management and Consulting e Concord Catering foram usadas para financiar a operação, que movimentou US$ 1,25 milhões.

Alexandra Krilova, Anna Bogacheva e Mavia Bovda tinham vistos de turista viajando por "razões pessoais". Krilova e Bogacheva estiveram em Nevada, Califórnia, Novo México, Colorado, Illinois, Michigan, Louisiana, Texas e Nova York.

Em 2014, a Agência de Pesquisas na Internet, um braço de espionagem eletrônica do governo russo com sede em São Petersburgo, iniciou as ações de sabotagem às eleições dos EUA.  Só com propaganda no Facebook, gastou US$ 100 mil, atingindo 126 milhões de americanos. No Twitter, foram identificados cerca de 3,8 mil perfis falsos e 50 mil robôs ligados à operação russa.

Ao invés de fazer uma declaração sobre a guerra cibernética deflagrada pela Rússia contra as democracias ocidentais, o presidente Donald Trump declarou no Twitter que a denúncia exime sua campanha das suspeitas de conluio com o Kremlin para prejudicar a candidatura de Hillary Clinton.

"A Rússia começou sua campanha contra os EUA em 2014, muito antes que eu anunciasse que concorreria à Presidência", escreveu o presidente no seu meio de comunicação favorito. "O resultado da eleição não foi afetado. A campanha de Trump não fez nada de errado - não houve conluio."

Não é exatamente o que diz a denúncia: "As operações dos acusados incluíram o apoio à campanha presidencial do então candidato Donald Trump e a depreciação de Hillary Clinton. Os acusados fizeram várias despesas para realizar estas atividades, inclusive a compra de espaço publicitário nas redes sociais em nome de pessoas e entidades dos EUA."

Mueller não acusou a campanha de Trump. A denúncia afirma que alguns denunciados, enquanto se passavam por cidadãos americanos, se comunicaram com "indivíduos associados à campanha de Trump e outros ativistas para coordenar ações políticas" sem que os americanos soubessem que estavam sendo manipulados por russos.

Os russos se concentraram em estados decisivos, onde tanto Hillary quanto Trump tinham chance de ganhar, como a Flórida, a Virgínia e o Colorado. Uma das jogadas foi tentar convencer minorias a não votar ou não votar nos grandes partidos, preferindo candidatos alternativos sem chance real. Também divulgaram notícias falsas sobre supostas fraudes eleitorais que teriam sido cometidas pelos democratas.

A Casa Branca festejou a denúncia por não envolver americanos, mas a investigação do procurador especial está longe do fim. O argumento de Trump de que se trata de uma notícia falsa, de uma vingança da oposição insatisfeita com a derrota de Hillary desabou hoje.

Cuba protesta contra exclusão da Venezuela da Cúpula das Américas

A ditadura comunista de Cuba repudiou ontem a decisão do presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, de desconvidar a Venezuela para a reunião de Cúpula das Américas, marcada para 13 e 14 de abril em Lima, e reafirmou seu apoio "inquebrantável" à ditadura de Nicolás Maduro, seu maior aliado político.

Em nota publicada nos jornais oficiais Granma e Juventud Rebelde, o Ministério do Exterior cubano rejeitou "energicamente" a decisão do Grupo de Lima de exigir do regime chavista um novo calendário eleitoral e não reconhecer a eleição presidencial antecipada para 22 de abril, considerando-a "uma intromissão inaceitável nos assuntos internos" da Venezuela.

Na visão da ditadura cubana, a declaração dos países do Grupo de Lima fere "os propósitos e os princípios da Carta das Nações Unidas". Para o regime castrista, é "insólito e incrível" que se use como "pretexto" uma suposta ruptura da ordem democrática quando o país "acaba de convocar eleição presidencial, como se reclamava antes".

Cuba ignora que a eleição foi antecipada e que os principais candidatos e a principal aliança oposicionistas estão vetados pela ditadura de Maduro. O resto do continente, com a exceção da Bolívia de Evo Morales e da Nicarágua de Daniel Ortega, não.

A fuga em massa de venezuelanos para o Brasil e a Colômbia indica que o regime chavista está em fase terminal, mas sua agonia pode se prolongar até que algum militar dê um basta à insanidade coletiva do governo Maduro.